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quarta-feira, 13 de novembro de 2024

TavernaPOP! entrevista o quadrinhista MÁSLOW BARROSO criador das tirinhas "RAFAEL"

Após algum tempo sem entrevistas por aqui, TavernaPOP! retorna com um recente bate-papo com o quadrinhista Máslow Barroso, jovem artista que faz tirinhas de seu personagem "Rafael", criado em homenagem a um sobrinho e que está iniciando sua jornada na internet com o blog Ilha Comics, dedicado a apresentar gratuitamente suas histórias pro público. O blog já pode ser acessado no endereço: https://ilhacomics.blogspot.com/ e terá suas primeiras publicações a partir de hoje (13/11/24),

Confira:

Clique aqui e confira vários lançamentos disponíveis na Amazon,  ou aqui e pra comprar pelo Mercado Livre.  Ah, também há vários links espalhados pelo texto onde você pode encontrar diversas opções de produtos relacionados aos personagens e autores citados. Lembrando sempre que, se você comprar seus produtos usando nossos links, além de aproveitar as melhores ofertas, você ainda contribui na manutenção do trabalho que aqui realizamos, sem nenhum custo adicional. Contamos com você nesse apoio.

TP - Conte-nos um pouco sobre você. Quem é Máslow Barroso?

MB - Sou maranhense nascido e criado no interior do Maranhão, caçula de cinco filhos e por mais que minha família fosse bastante influente na história da cidade isso não livrou a nossa família de alguns apertos financeiros.

TP - E seu gosto por quadrinhos, como tudo começou?

MB - Sempre fui fissurado em quadrinhos, igualmente a maioria dos brasileiros comecei pela Turma da Mônica, mas foi "Tex", apresentado pelo meu pai, que me prendeu neste universo. Desde criança desenhei e criei minhas estórias, muito se perdeu mas esses dias na casa de meus pais encontrei um acervo que fiz dos 12 aos 15 anos, inclusive lá havia o prelúdio do que viria a ser RAFAEL.

TP - TEX tem alguma influência no seu trabalho com tirinhas?

MB - Nesse atual projeto não, mas um dos objetivos pessoais é o trabalho futuro no mercado do personagem "Tex"!

TP - E a escolha sobre o blog como plataforma pra lançar seu trabalho? Como isso aconteceu?

MB - O blog transmite liberdade e comprometimento, pelo simples ato de upar e receber os feedbacks, o que me convenceu a realizar a criação do blog. 

Um grande exemplo é o blog "Tiras Não!" De Thales Gaspari, no qual a publicação das tiras era cotidianas e com o tempo gerou uma coletânea, sendo produzida e editada pela Editora CRÁS, logo tornou-se um comércio para o autor.

TP - Você se dedica exclusivamente ao trabalho artístico ou também trabalha em algo diferente?

MB - Sempre me prende a um sonho paralelo, o militarismo, com 18 (dezoito) anos vim me aventurar na grande São Luís pelo alistamento e em 1° de Março de 2023 incorporei nas fileiras do 24° BIS sendo SD Recruta na 2° CIA fuzileiros de Selva, 2024 fui transferido para o Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva sendo SD Auxiliar do efetivo profissional, pode-se dizer que é o lugar mais bizurado (bizu: Algo bom) para trabalhar no 24° BIS.

No local de trabalho um subtenente coleciona “formatinhos” da Abril e em um dia conversando mencionei que também colecionava, o que gerou um desejo de voltar a desenhar e acompanhar novamente este mercado.

TP - E sua tirinha "Rafael"? fala pra gente um pouco sobre ela:

MB - "Rafael" é uma tirinha na qual surgiu enquanto eu observava o comportamento do meu sobrinho, é uma tirinha que tirei da gaveta e reformulei, hoje estou trabalhando avidamente e tenho boas expectativas quanto a ela. O tema é bastante simples, é o cotidiano de uma criança e por mais que seja simples, este tema abre muitas portas para a criatividade, sinto que estou voltando a minha juventude hehehe.

TP - Valeu, Máslow... Muito obrigado pela entrevista. Te desejamos muita sorte e oportunidades nesse novo trabalho.

MB - Gostaria de agradecer a oportunidade que a mim foi dada, desejo tudo de bom a equipe da Taverna e todos os leitores, e gostaria de encerrar com o pedido de atenção para a leitura de "Rafael", é de suma importância o apoio aos artistas independentes!

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quinta-feira, 3 de outubro de 2024

Caio Oliveira: TavernaPOP! entrevista o quadrinhista piauiense que chegou ao mercado norte-americano com obra autoral

O quadrinhista piauiense Caio Oliveira ("Cantinho do Caio", "Foices e Facões – A Batalha do Jenipapo", "Super-Ego") lançou há alguns anos a Graphic Novel autoral "Super-Ego", que é ambientada num mundo de super-heróis e conta com sua arte e roteiro. A trama apresenta as “neuras” desses seres poderosíssimos que, como nós, reles mortais, às vezes, precisam da ajuda de um profissional pra enfrentar seus dilemas.

Detalhe importante deste trabalho de Caio é que foi publicado nos Estados Unidos láaaaa em 2014, muito antes de um certo escritor chamado Tom King ("Batman", "Visão", "Alvo Humano", "Senhor Milagre") lançar sua "Heróis em Crise" (2018), que tinha um tema bem parecido com os "supers" do universo DC colocando pra fora suas emoções e traumas pra fora, de forma inédita com personagens do "mainstream" que tradicionalmente são colocados como lendas irretocáveis, na maioria das vezes. 


A Taverna entrevistou o cara na época do lançamento de "Super-Ego" nos Estados Unidos sobre a carreira, suas obras, os mercados nacional e internacional das HQs, sua parceria com o irmão, também quadrinhista, e sócio na livraria "Quinta Capa Quadrinhos", Bernardo Aurélio ("Por Dentro do Máscara de Ferro", "Foices e Facões - A Batalha do Jenipapo"). Confira a entrevista:

TP!- Como e com que idade você começou a ler HQs? 
Caio - Meu pai já nos dava gibis (a mim e meus dois irmãos) antes mesmo da gente aprender a ler. Lembro de acordar e encontrar na cabeceira da cama um monte de gibis variados, de "Turma da Mônica" a "X-Men", gibis dos "Trapalhões", do "Zé Colmeia", "Manda Chuva", "Heróis da TV", enfim, gibi de todo tipo! A maioria se perdeu, a gente não sabia ler, então pintava ou recortava pra brincar com os "bonequinhos de papel". Meu "bonequinho" favorito era um Tocha Humana voando, pelo John Byrne ("X-Men", "Quarteto Fantástico"). 

TP!- E a produzi-las? 
Caio -Também muito cedo. Eu desenhava meus próprios gibis em cadernos de pauta. Sempre histórias de super-heróis, que eram meus favoritos. Eram muito tosquinhos, claro, mas foi muito importante no processo de aprendizado, que apliquei depois nos fanzines. 

TP!- Como tem sido a experiência de produzir HQs no Piauí/Brasil? 
Caio - Hoje em dia, com a internet, o lugar onde se produz é quase irrelevante. Viver nos grandes centros é uma experiência bacana pelo contato pessoal com outros artistas, editores, eventos especializados, enfim, pessoas do meio editorial, mas a parte braçal da coisa pode ser feita em qualquer lugar. 

TP!- Você tem algum tipo de trabalho paralelo? 
Caio - Junto com meu irmão montamos uma loja especializada em quadrinhos em Teresina-PI, a "Quinta Capa". Não vai nos deixar ricos, mas paga as despesas básicas. Além disso, aqui e acolá aparece um serviço de ilustração pra tirar um extra. 

TP!- E sua parceria com o Bernardo? Como ficou dividida a produção? 
Caio - Eu e o Bernardo (meu irmão) temos vários projetos próprios que vamos tocando em paralelo com a loja sempre que podemos. Juntos fizemos apenas "Foices e Facões" (onde fiz os esboços que foram finalizados por ele, que também ficou responsável pelo roteiro), uma história curta do "Máscara de Ferro", e temos planos de uma adaptação de "Noite na Taverna" (um dia!). 

TP!- É possível viver desse tipo de arte no Brasil? 
Caio - Se você conseguir um contrato com alguma editora gringa das grandes (Marvel ou DC) sim. Não é meu caso, até agora só peguei trabalhos independentes.

TP!- Como você vê avalia a qualidade das HQs atuais no mercado internacional? O que tem se destacado na sua opinião? 
Caio -Tenho lido pouco do material que fez minha cabeça quando moleque... das grandonas, só tenho lido "Homem-Aranha", e mesmo assim sem muita empolgação. Tem material bacana saindo, como "Thor" do (Jason) Aaron, "Gavião Arqueiro" do (Matt) Fraction, e "Demolidor" do (Mark) Waid (e, se garimpar bem, dá pra encontrar mais), mas perdi o pique de acompanhar as mensais. Mas tenho acompanhado avidamente o trabalho do (Robert) Kirkman em "The Walking Dead" e "Invincible", dois materiais sensacionais.

TP!- E a produção nacional? Como você a vê atualmente? 
Caio - Os mais otimistas apontam o atual momento como o revival da produção nacional, por conta do gás que o Catarse injetou no mercado. Não sei se é pra tanto, mas tem muita coisa bacana saindo sim. Espero que seja uma ferramenta que tenha vindo pra ficar, e não seja apenas uma bolha. 

TP!- Fale um pouco sobre "Super-Ego":
Caio - "Super-Ego" foi um projeto que comecei a trabalhar em 2006, quando planejei umas tiras cômicas com um psicólogo conversando com super heróis como o "Batman", "Homem-Aranha", "Hulk", etc. Percebi que poderia fazer algo maior com esse conceito e criei a história em 4 partes. O conceito permaneceu o mesmo, "tratar" os super heróis de seus traumas.

TP!- Como surgiu a oportunidade de publicar no mercado norte-americano? 
Caio - Assim que terminei o gibi, em meados de 2008, tentei vender o projeto pra várias editoras grandes (nacionais e gringas), mas sem sucesso. Então engavetei o projeto e ficou por isso, até que Mike Kennedy, um americano dono do site sequentialink perguntou se eu tinha interesse em publicar a história no site dele. Aceitei e um dia ele resolveu publicar impresso, por uma editora que estava montando, a Magnetic Press. 

TP!- Como adquirir um exemplar? 
Caio - Está a venda no site Amazon, ou através do site da editora. Também ainda possuo as últimas edições que me foram cedidas pela editora à venda na "Quinta Capa Quadrinhos". 

TP!- Como o leitor pode acompanhar sua produção atualmente? 
Caio - Tenho produzido muitas tiras e ilustrações que tenho publicado na minha página do Facebook: "Cantinho do Caio". Procurem lá que tem muito material bacana! 

TP! - Que recado você deixa pra quem, assim como você e seu irmão, pretende se tornar um quadrinhista? 
Caio - Muito treino e muita persistência. Eu tenho feito o primeiro desde sempre, e o segundo desde 2006, quando preparei meu primeiro teste. Perdi as contas de quantos "nãos" já ouvi e quantos ainda ouvirei. Faz parte.

Confira abaixo o interessantíssimo e muito bem produzido trailer da Graphic Novel "Super-Ego" (em inglês, com legendas em português):



Nota importante: Posteriormente à esta entrevista, em janeiro de 2017 o trabalho "Super-Ego" ganhou uma edição nacional que foi produzida através da colaboração dos fãs, por meio do Catarse e , tanto Caio quanto Bernardo têm se mantido produtivos em seus trabalhos, sendo "Cantinho XXX" (2024), o mais recente de Caio e "Máscara de Ferro Contra a Televisão" (2023) o de Bernardo. Vale muito a pena conhecer o trabalho desses caras. Caso essa entrevista gere uma boa repercussão, em breve teremos resenhas sobre alguns dos trabalhos dos caras.


Clique aqui e confira outras obras de Caio Oliveira disponíveis na Amazon ou aqui e confira também as ofertas do Mercado Livre. Lembrando que, comprando pelos nossos links, além de aproveitar as melhores ofertas, você ainda contribui na manutenção do trabalho que aqui realizamos, sem nenhum custo adicional.

Obs. Esta entrevista foi cedida, inicialmente, em novembro de 2014 e já foi publicada aqui na TavernaPOP!, sendo agora reeditada para fins de atualizações necessárias e, também citar novos trabalhos de Caio e Bernardo.

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Entrevista: "The Baggios" - Rock visceral com sotaque nordestino e muita atitude

No final do ano passado, com o lançamento de duas coletâneas em homenagem ao cantor Belchior (que, inclusive, foram comentadas aqui) este escriba teve a oportunidade de conhecer diversas bandas atuais oriundas de diferentes cantos do Brasil. Quase todas apresentando visões únicas pras canções do menestrel cearense, também único na história da MPB, por ter composto e cantado canções que são verdadeiras crônicas de seu tempo, ilustrando perfeitamente as ânsias e "grilos" de sua geração.

Eis que no meio dessas canções tive contato com Todo Sujo de Batom numa versão pra lá de “roquenrol”, com um simpático sotaque nordestino com muito orgulho, numa pegada explosiva misturando elementos de blues e rock setentista, regado à guitarra distorcida, voz e bateria. Vi no encarte que tratava-se do duo The Baggios, formado por Julio Andrade (voz e guitarra) e Gabriel Carvalho (bateria) na cidade histórica de São Cristóvão, Sergipe. Iniciei uma pesquisa sobre os caras e cheguei ao contato com eles, convidando-os a ceder uma entrevista à nosso blog, o que foi prontamente atendido, chegando ao texto abaixo, apresentando a você um pouco mais da história e estilo único dos músicos, que têm viajado pelo país e conquistado público e crítica com seu som autoral, visceral e ousado. Feita essa rápida introdução, vamos ao que interessa (a entrevista):

Taverna - Como a música entrou na vida de vocês?
Arte de capa do 1º CD:
The Baggios (2011)
Julio - Eu defino que comecei realmente a me apegar com a música aos 12 anos quando ouvi uma fita k7 do Nirvana Unplugged. A partir dali quis um violão, depois uma guitarra, um pedal de drive e finalmente a primeira banda.

Gabriel - Meu gosto pela música veio com a influência de casa mesmo, através do que meus pais e amigos próximos ouviam e ai foi uma bola de neve, fui me interessando cada vez mais ( a mtv brasil teve um papel bem importante pra mim na época) até chegar ao ponto de realmente querer tocar algum instrumento...

Taverna - E o nome da banda, de onde veio a escolha? É uma espécie de homenagem à alguém?
Julio -  Queria algo que tivesse uma ligação com São Cristóvão, cidade na qual vivo, e existia um “figura” esquisitão que circulava com uma viola no ombro cheio de historias surreais pra contar e todos os conheciam como Baggio. Resolvemos dar esse nome como homenagem a ele.

Taverna - Interessante como essa configuração de duo pode gerar controvérsias, por muitas vezes, deixando vazios sonoros (o que, definitivamente, não é o caso de vocês). Como chegaram à essa decisão? 
Julio - O formato da banda aconteceu por necessidade. Eu e Lucas (primeiro baterista) tocávamos em outras bandas em quarteto, depois formamos outra em trio, e aos poucos fomos percebendo que só eu e ele estáva levando esse lance de fazer música a sério, e resolvemos experimentar um duo, foi daí que surgiu o "The Baggios".


2º trabalho, com versões e CD...
...e vinil, com diferentes artes de capas e acabamentos
















Taverna - Quais as principais influências na sonoridade de vocês?
Julio - Blues, Rock, Música Brasileira, Soul, Funk.... Escutamos muito tudo isso.

Taverna - E ultimamente, o que vocês tem escutado?
Julio - Buffalo Killers, Valerie June, Bombino, Zé Ramalho, Alceu Valença, Os Tincoãs

Gabriel - Mac DeMarco, Stereolab, Airto Moreira, João Donato, Guided By Voices,The Slackers...

Taverna - Sobre a excelente participação de vocês no álbum Entre o Sonho e o Som, em homenagem à Belchior, como chegou a vocês? Vocês mesmos escolheram “Todo Sujo de Batom”?
Julio - Não, a música foi sugerida pelo jornalista carioca Jorge Wagner, mas foi um tiro certeiro, pois é uma das quais mais curto dele. Curtimos esse desafio de pegar músicas que não tem uma ligação com nossa sonoridade e ver no que dá.

Taverna - Como é o cenário musical no Sergipe (estado de origem da banda)? Há outras bandas que vocês curtem por lá e deveriam ganhar mais destaque no cenário nacional?
Julio - As bandas daqui são ótimas e o mais legal é que cada uma tem sua pegada. Curto muito o trabalho da Plástico Lunar, Coutto Orchestra, Seu Montanha, Polayne, Reação, Lacertae, Renegades Of Punk e acredito que essas bandas se dariam bem em qualquer festival do Brasil.

Gabriel - Penso exatamente como Julico em relação a qualidade e variedade de estilos da cena local.. As bandas estão cada vez mais cuidadosas com o seu trabalho, a galera que trabalha na área áudio visual se profissionalizando, sempre tem rolado shows e movimentos culturais independentes.. estamos numa boa crescente em todo esses aspectos... Só precisamos aparecer mais num cenário mais abrangente, a circulação ainda é pequena pela quantidade de artistas que temos ...


Taverna - Como vocês veem o rock nacional na atualidade, tanto em relação ao "Mainstream" quanto os independentes? Poderiam citar algumas independentes que deveríamos dar mais atenção daqui pra frente?
Julio - Acho que o rock vive um momento ímpar  no Brasil, tem muitas bandas lançando trabalhos refinados e de alta qualidade. Não acredito muito nesse lance de  mainstream , cada banda tem sua qualidade e suas metas,  e pode estar super bem fora das bandas consideradas mainstream pela mídia. O Terno é bem massa, Muddy Brothers, Plástico Lunar que estão prestes a lançar um puta disco, Supercordas, Far From Alaska, Boogarins, e por ai vai... 

Foto do ensaio promocional do último trabalho dos "Baggios": "Sina", lançado em 2013
Taverna - “Sina” (2013), o 2º álbum de vocês está disponível tanto em CD, quanto em LP e pra download gratuito na internet (o público também pode fazer doações no momento da realização do download). Como é essa relação de vocês com o mercado fonográfico e o público? A galera tem apoiado monetariamente a produção? Ou melhor, ainda é viável a produção de um álbum físico no momento atual do mercado fonográfico? 
Julio - Ainda há interesse do público em adquirir material físico da banda. Vendemos bastante em shows, mas claro que os números não se comparam. Temos quase 30.000 downloads do nosso disco, 1.000 cópias de CDs e 250 de vinil vendidas. Por ai dá pra se basear.

Taverna - Vocês já fizeram shows em vários Estados, ganharam vários prêmios, seus videoclipes já chegaram aos grandes canais musicais nacionais e, mesmo independentes, figuraram na lista da Rolling Stone Brasil entre os 25 melhores álbuns de 2013. Como o restante do Brasil recebe vocês quando estão longe de casa? Já conhecem as músicas e cantam junto ou ainda existe aquela desconfiança inicial?
Julio - Somos bem recebidos, muitas cidades nos surpreende. Não tem preço quando você toca pela primeira vez numa cidade e vê dezenas de pessoas cantando, ou pedindo músicas. Esse é um dos principais alimentos para manter a banda circulando. A diversão do público com nossa música  e nos instiga e faz todo o sentido montar turnê mesmo que independe de apoios e editais para isso.

Imagem do último show, no encerramento do
"Porto Musical", no Recife
Taverna - Pra encerrar, gostaria de deixar nosso muito obrigado pela atenção e pronta disponibilidade quando entrei em contato com vocês pela primeira vez. Espero, pelo bem da música brasileira que vocês estejam apenas começando, pois material de qualidade como o que vocês produzem é produto que anda em falta no nosso mercado.

Se você quiser conhecer um pouco mais sobre o som dos Baggios acesse a página dos caras no facebook (onde tem várias fotos e vídeos bacanas, inclusive, o CD/LP físico "Sina"e também o anterior  "The Baggios", de 2011 estão disponível à venda e um interssante documentário sobre a turnê que eles fizeram pelo nordeste em 2011). Garanto que você não vai se arrepender.

Aperte o play e tenha um prévia do som poderoso e agressivo do duo:

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Caio Oliveira: TavernaPOP! entrevista o quadrinhista piauiense que chegou ao mercado norte-americano com obra autoral

O quadrinhista piauiense Caio Oliveira (Foices e Facões – A Batalha do Jenipapo) lançou recentemente "Super-Ego" (infelizmente, por ora, disponível apenas em inglês), uma Graphic Novel autoral que conta com sua arte e roteiro ambientada no mundo dos super-heróis. A trama apresenta as “neuras” desses seres poderosíssimos que, como nós, reles mortais, às vezes precisam da ajuda de um profissional pra enfrentar seus dilemas.
ntemente

A Taverna entrevistou o cara sobre sua carreira, sua nova obra, os mercados nacional e internacional das HQs sua parceria com o irmão e sócio na livraria Quinta Capa Quadrinhos, Bernardo Aurélio , também quadrinhista, autor de Por Dentro do Máscara de Ferro e parceiro de Caio em Foices e Facões - A Batalha do Jenipapo, obra que trata de um importante episódio pouco comentado nacionalmente da história do Brasil.

Confira a entrevista abaixo:

TP!- Como e com que idade você começou a ler HQs?
Caio - Meu pai já nos dava gibis (a mim e meus dois irmãos) antes mesmo da gente aprender a ler. Lembro de acordar e encontrar na cabeceira da cama um monte de gibis variados, de Turma da Mônica a X-Men, gibis dos Trapalhões, do Zé Colmeia, Manda Chuva, Heróis da TV, enfim, gibi de todo tipo! A maioria se perdeu, a gente não sabia ler, então pintava ou recortava pra brincar com os "bonequinhos de papel". Meu "bonequinho" favorito era um Tocha Humana voando, pelo John Byrne (X-Men, Quarteto Fantástico). 

TP!- E a produzi-las?
Caio -Também muito cedo. Eu desenhava meus próprios gibis em cadernos de pauta. Sempre histórias de super-heróis, que eram meus favoritos. Eram muito tosquinhos, claro, mas foi muito importante no processo de aprendizado, que apliquei depois nos fanzines.

TP!- Como tem sido a experiência de produzir HQs aqui no Piauí?
Caio - Hoje em dia, com a internet, o lugar onde se produz é quase irrelevante. Viver nos grandes centros é uma experiência bacana pelo contato pessoal com outros artistas, editores, eventos especializados, enfim, pessoas do meio editorial, mas a parte braçal da coisa pode ser feita em qualquer lugar.

TP!- Você tem algum tipo de trabalho paralelo?
Caio - Junto com meu irmão montamos uma loja especializada em quadrinhos em Teresina, a "Quinta Capa". Não vai nos deixar ricos, mas paga as despesas básicas. Além disso, aqui e acolá aparece um serviço de ilustração pra tirar um extra.

TP!- E sua parceria com o Bernardo? Como ficou dividida a produção?
Caio - Eu e o Bernardo (meu irmão) temos vários projetos próprios que vamos tocando em paralelo com a loja sempre que podemos. Juntos fizemos apenas "Foices e Facões" (onde fiz os esboços que foram finalizados por ele, que também ficou responsável pelo roteiro), uma história curta do Máscara de Ferro, e temos planos de uma adaptação de Noite na Taverna (um dia!).

TP!- É possível viver desse tipo de arte no Piauí?
Caio - Se você conseguir um contrato com alguma editora gringa das grandes (Marvel ou DC) sim. Não é meu caso, até agora só peguei trabalhos independentes.

TP!- Como você vê avalia a qualidade das HQs atuais no mercado internacional? O que tem se destacado na sua opinião?
Caio -Tenho lido pouco do material que fez minha cabeça quando moleque... das grandonas, só tenho lido Homem-Aranha, e mesmo assim sem muita empolgação. Tem material bacana saindo, como "Thor" do (JasonAaron, "Gavião Arqueiro" do (Matt) Fraction, e "Demolidor" do (Mark) Waid (e, se garimpar bem, dá pra encontrar mais), mas perdi o pique de acompanhar as mensais. Mas tenho acompanhado  avidamente o trabalho do (Robert) Kirkman em "The Walking Dead" e "Invincible", dois materiais sensacionais.

TP!- E a produção nacional? Como você a vê atualmente?
Caio - Os mais otimistas apontam o atual momento como o revival da produção nacional, por conta do gás que o Catarse injetou no mercado. Não sei se é pra tanto, mas tem muita coisa bacana saindo sim. Espero que o Catarse seja uma ferramenta que tenha vindo pra ficar, e não seja apenas uma bolha.
Ilustração (autorretrato) de Caio Oliveira utilizada atualmente na capa de sua página no Facebook
TP!- Fale um pouco sobre Super-Ego, seu último trabalho.
Caio - "Super-Ego" foi um projeto que comecei a trabalhar em 2006, quando planejei umas tiras cômicas com um psicólogo conversando com super heróis como o "Batman", "Homem-Aranha", "Hulk", etc. Percebi que poderia fazer algo maior com esse conceito e criei a história em 4 partes. O conceito permaneceu o mesmo, "tratar" os super heróis de seus traumas.

TP!- Como surgiu a oportunidade de publicar no mercado norte-americano?
Caio - Assim que terminei o gibi, em meados de 2008, tentei vender o projeto pra várias editoras grandes (nacionais e gringas), mas sem sucesso. Então engavetei o projeto e ficou por isso até que Mike Kennedy, um americano dono do site sequentialink perguntou se eu tinha interesse em publicar a história no site dele. Aceitei e um dia ele resolveu publicar impresso, por uma editora que estava montando, a Magnetic Press

TP!- Como adquirir um exemplar?
Caio - Está a venda no site amazon.com, ou através do site da editora. Também ainda possuo as últimas edições que me foram cedidas pela editora à venda na Quinta Capa Quadrinhos.

TP!- Como o leitor pode acompanhar sua produção atualmente? 
Caio - Tenho produzido muitas tiras e ilustrações que tenho publicado na minha página do Facebook Cantinho do Caio. Procurem lá que tem muito material bacana!

TP! - Que recado você deixa pra quem, assim como você e seu irmão, pretende se tornar um quadrinhista?
Caio - Muito treino e muita persistência. Eu tenho feito o primeiro desde sempre, e o segundo desde 2006, quando preparei meu primeiro teste. Perdi as contas de quantos "nãos" já ouvi e quantos ainda ouvirei. Faz parte.


Confira abaixo o interessantíssimo e muito bem produzido trailer da Graphic Novel "Super-Ego" (em inglês, com legendas em português):


quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Ravel Rodrigues prepara lançamento de seu primeiro EP solo

O músico piauiense em uma
de suas apresentações
O músico, cantor e compositor piauiense Ravel Rodrigues, que já passou por várias bandas autorais em Teresina, como Numsipode e Eucapiau, está prestes a lançar seu primeiro EP solo intitulado apenas Ravel Rodigues EP. De acordo com o próprio artista a obra é composta por seis canções de sua autoria. O álbum  já disponíveis para audição. Clique aqui e confira.

Em entrevista cedida à Taverna via E-mail, Ravel explicou que passou cerca de um ano no processo de escolha das músicas que integrariam o EP. “Nisso fui imaginando quais os instrumentos de cada música sem definir arranjos, gravando as músicas apenas no celular, com voz e violão, sem muita pressa”. Ele lembra que foi nesse período que se desenvolveu a ideia de gravar sozinho, “algo que eu já fazia, mas nada que pretendesse divulgar como trabalho”, completa.

Sobre o processo de produção o músico explica que, quando teve “coragem” de gravar as músicas já estava com o repertório definido, mas não tinha ideia sobre como seriam os arranjos finais, que foram sendo criados na hora, instrumento a instrumento, todos com arranjos e execução dele próprio, levando ao limite o conceito de “artista solo”, pois fez tudo realmente sozinho, desde a concepção e produção artística até a execução final das canções.

“Pessoas da minha família também participaram do processo de gravação como uma espécie de consultores, meu pai (o maestro piauiense José Rodrigues), meus filhos, sobrinhos, até por que gravei na casa do meu pai que é bem próxima da casa dos meus filhos e ao lado da casa da minha irmã”, lembra. O processo acabou tornando o resultado final ganhasse também contornos “fraternais”, inclusive contando com as palmas de seu sobrinho Caio na canção In de Gente

capa e sobrecapa do EP, qeu contou com projeto gráfico de Cavalcante Veras
O processo de mixagem e masterização também feito por Ravel, que já há um bom tempo demonstra afinidade não apenas com os instrumentos, como também com os botões e potenciômetros dos estúdios da vida, como prova o elogiado primeiro (e único) EP do Eucapiau, também mixado e masterizado por ele em 2007, apresentando as primeiras canções do ótimo repertório da banda que participou. 

O artista tem um estilo todo próprio mesclando a MPB (ou MPP – Música Popular Piauiense) à elementos de vários estilos musicais, como o reggae, rock e várias influências regionais, como o grupo Candeia, o qual seu pai na década de 80. Atualmente Ravel reside em Belo Horizonte, onde além de estar em processo de finalização da prensagem do EP, prossegue com suas apresentações em eventos da cidade. Em dezembro deste ano o músico promete visitar sua terra natal (Teresina) onde deve fazer algumas apresentações e trazer exemplares do EP para venda.

Aperte o play e confira, na íntegra, as canções do EP:



Como adquirir o EP?
Adquirir o EP é bem simples e pode ser feito sem nem precisar sair de casa e a um preço bastante atrativo. Ravel fez uma espécie de financiamento coletivo específica para a prensagem do álbum, disponibilizando o número de duas contas bancárias onde pode ser realizado o depósito no valor de R$ 10 (dez reais), posteriormente enviando a confirmação a uma conta de E-mail para que após a prensagem do material, o EP possa ser encaminhado à sua residência, sem custos adicionais de envio.

Seguem abaixo as contas bancárias para depósito:

Caixa Econômica Federal
Agência: 1987
Operação: 013
Conta: 00034672-3

Banco do Brasil
Agência: 5602-2
Conta: 4.845-3

E-mail para confirmação de depósito: 
ravelrodriguescontato@gmail.com

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Lançamento de "Por Dentro do Máscara de Ferro", de Bernado Aurélio

Cartaz de lançamento da HQ
Hoje à noite Teresina-PI sediará um importante evento no mundo dos Quadrinhos: o lançamento da HQ “Por Dentro do Máscara de Ferro”, do quadrinhista piauiense Bernardo Aurélio. De acordo com o autor, o personagem foi criado por ele de forma totalmente despretensiosa há mais de dez anos, como uma sátira a conceito de super-heróis norte-americanos tão conhecidos do grande público, como Batman, Homem-Aranha, Superman, entre outros.
“O Máscara não tinha um passado. Era só um cara com máscara de solda na cara e um cano de ferro na mão enfrentando bandidos na rua. Ele nasceu da pergunta: como seria um super-herói piauiense? Então o Batmóvel virou uma Kombi velha, o cinto de utilidades virou um cinturão daqueles de metalúrgico, com um monte de apetrechos comuns”, comenta Bernardo, que lançou em 2009 uma outra interessante HQ “Foices e Facões”, que conta a participação de piauienses no processo de independência do Brasil, produzida em parceria com seu irmão, Caio Oliveira e ainda produziu uma história da "Turma da Mônica" para um livro em homenagem a Maurício de Sousa.

Criatura e criador
Bernardo comenta ainda que a HQ foi feita com todo cuidado e carinho e conta uma história sobre obsessões e sonhos. O resultado final é um produto de qualidade aos leitores, com acabamento gráfico caprichado, servindo ainda como forma de incentivo ao lançamento de outros artistas piauienses que por qualquer motivo não acreditavam na possibilidade de publicação de suas obras.

A obra oferece ainda uma experiência multimídia e interativa através da trilha sonora inusitada que pode ser baixada clicando aqui. O lançamento será na livraria "Quinta Capa Quadrinhos",  localizada à rua Dirce Oliveira, 3047, Ininga, na Zona Leste de Teresina.