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domingo, 13 de outubro de 2013

Graphic MSP: Novas abordagens das nossas velhas lembranças da infância

Após o surgimento do sucesso comercial da "Turma da Mônica Jovem", novamente Maurício de Sousa (criador da Turma) tem se mostrado antenado com as demandas do mercado nacional de quadrinhos e marcado pontos junto aos leitores de brasileiros, com o lançamento no fim do ano passado nas bancas de todo o país do projeto "Graphic MSP", linha de graphic novels brasileira que hoje já está em sua terceira edição e já tem uma nova saindo do forno.

A intenção do projeto é pegar personagens de Maurício de Sousa já conhecidos do público e que fizeram parte da infância dos apaixonados por quadrinhos, fazendo uma releitura dos mesmos por meio de roteiros e traços de artistas promissores que têm feito bonito nos quadrinhos em seus vários gêneros, sobretudo autorais. É dada grande liberdade aos artistas para a abordagem da história, apresentando personagens tão queridos do grande público como uma grande novidade, o que é o grande brilho do projeto.

Desde o final do ano passado já foram lançados "graphics" do Astronauta  (Magnetar, de Danilo Beyruth), depois Turma da Mônica (Laços, de Lu e Vitor Caffagi), seguida da recém-lançada de Chico Bento  (Pavor Espaciar, de Gustavo Duarte). E já está prometido até o final do ano uma nova do Piteco (Ingá, de Shiko).

O acabamento das "Graphic MSP" é primoroso, pra fã nenhum botar defeito, com formato maior que o das HQ’s tradicionais, papel couchê de alta gramatura, bela impressão, lombada quadrada, cerca de 84 páginas e opções de capa dura ou capa mole aos preços de R$ 29,90 e R$ 19,90, respectivamente. Um preço até compatível com o mercado, levada em consideração a qualidade artística e acabamento do produto. 


Em breve e aos poucos pretendo aqui fazer breves resenhas de cada um desses lançamentos, tecendo breves comentários sobre os mesmos para que você possa ter uma noção do que vem sendo produzido dentro da proposta do selo.

sábado, 28 de setembro de 2013

Quadrinhos mensais nas bancas brasileiras pra quem quer passar longe dos super-heróis

Pra quem curte quadrinhos e já estava cansado das edições mensais com mixes de histórias mais ligadas ao universo de super-heróis da Marvel (Homem-Aranha, X-Men, Vingadores, etc.) e DC (Batman, Superman e Mulher-Maravilha), as bancas brasileiras têm oferecido boas opções. A começar pela mensal intitulada Vertigo (panini) que, apesar de se tratar de um selo da DC, tem temática bem mais mais adulta, com histórias mais voltadas ao mundo do horror (Hellblazer) e ao mundo da máfia (Escalpo), por exemplo. São histórias que exigem mais da compreensão do leitor e que se aprofundam mais na alma humana dos personagens, como por exemplo, até onde uma pessoa comum pode ir quando colocada diante de situações extremas. A revista já não é nenhuma novidade para quem curte este tipo de quadrinhos e atualmente está em seu número 45. O tratamento dado à revista pela editora é o mesmo das mensais normais da linha de super-heróis: formato americano, lombada canoa, papel pisa-brite e capa couchê, tendo como diferença o número de páginas que é bem maior (132), copilando cinco edições americanas, enquanto as demais normalmente têm apenas três.

Outra boa pedida é uma iniciativa ousada da Mythos Editora, a Juiz Dreed Megazine, apresentando um mix de histórias da revistas semanal inglesa 2000 A.D., capitaneadas pelo Juiz Dreed (personagem futurista, que é uma mistura de policial, juiz e executor), como o título sugere e mesclado histórias curtas com longas e também recentes e antigas da editora que está na ativa desde 1977. Destaque para as histórias curtas Distorções Temporais, escritas por Alan Moore (Watchmen, V de Vingança) e com arte de Dave Gibbons (Juiz Dreed, The Originals) e também para área Cinzenta, de Dan Abnett (roteiros) e Karl Richardson (arte). O tratamento dado pela editora é bem bacana: Formato magazine (maior que o americano) Capa couchê, lombada canoa, papel LWC e 68 páginas.

A novidade mais recente nas bancas é a X-O Manowar (HQM Editora), que trás aos leitores brasileiros um mix de histórias pós-reboot recente dos personagens da editora americana Valiant, como o personagem título, (maior sucesso da editora), que é um guerreiro medieval que luta por sua liberdade e acaba sendo abduzido da terra por alienígenas. O roteiro é de Robert Venditti (Substitutos),com arte por Cary Nord (Conan).Outro personagem personagem presente na revista é Harbinger, escrita por Joshua Dysart (Soldado Desconhecido, Monstro do Pântano) e desenhada por Khari Evans. Destaque tanto para os roteiros quanto para a arte, bem superior ao que vem sendo apresentado nas mensais da Marvel e DC. O tratamento dado à edição também é primoroso. Capa Couchê, papel LWC e 88 páginas.

Não podia deixar de citaraqui outra importante iniciativa também da HQM, que é o lançamento em edições mensais iguaizinhas às americanas de The Walking Dead (Os Mortos-Vivos), os quadrinhos que deram origem à série de TV de zumbis onde estes são o que menos importa no enredo. Hoje a série é sucesso tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil e em breve vai iniciar sua quarta temporada Ao que tudo indica os quadrinhos também vão indo bem por aqui, já que a editora já lançava o encadernado compilando algumas edições americanas e continua lançando novas edições e já se fala em tornar as edições individuais em quinzenais. Capa e páginas internas em papel Couchê, cerca de 32 páginas.




Em outra ocasião devo falar um pouco mais das revistas individualmente, com mais detalhes. Espero que tenha curtido essa pequena seleção. Lembrando que você pode deixar seus comentários e sugestões. Quem sabe não fazemos um novo texto baseado em suas opiniões sobre o blog.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Los Hermanos: a banda que mudou o Rock made in Brasil na década passada

Os Hermanos: Amarante, Barba, Bruno Medina e Marcelo Camelo
Sei que tem muita gente que pode torcer o nariz e dizer que não gosta, e até admito que o som dos caras tem que ser “ruminado” por um tempo para que se possa ser curtido de verdade, mas se tem uma banda que surgiu no mainstream da música nos anos 90 e que realmente possui fãs fiéis (mesmo após terem “dado um tempo” indefinidamente) essa banda é a carioca “Los Hermanos”, surgida nos idos de 1997 num cenário considerado de rock “alternativo” (odeio esse rótulo porque acaba não dizendo nada), mesclando elementos de Rock com MPB com uma forte pegada no Ska e no Hardcore, aliás, nesse principio, este último era quem ditava mesmo o tom musical da banda, somado ao som de metais e letras mais românticas e melancólicas, que com o passar do tempo vão se tornando cada vez mais a cara da banda.

Seu primeiro álbum, intitulado simplesmente “Los Hermanos”, foi lançado em 1999, e a banda era composta por Marcelo Camelo (vocais e guitarra), Rodrigo Amarante (voz, guitarra, flauta, etc.), Bruno Medina (teclados) e Patrick Laplan (baixo), seguidos por músicos de apoio nos metais. O interessante desse primeiro disco é que as músicas mais conhecidas, “Anna Júllia” e “Primavera” (ambas com vocais de Camelo) eram duas baladas Rock, meio anos 60 (leia, cações de baile), na verdade eram exceções no álbum que era carregado com uma pegada pesada, Hardcore mesmo, como as ótimas “Tenha Dó”(Camelo), que abre o álbum e “Quem Sabe” (cantada por Amarante) que soa como uma grande dor de cotovelo, tema recorrente na discografia da banda. Se observadas apenas essas duas, parecia mais uma banda de "ondinha", que na mesma velocidade com que decolou no cenário musical brasileiro, sumiria de pronto, como tantas outras "maravilhas de um hit só", ou dois, como poderia ser o caso. Mas o destino estava reservando coisa muito diferente para a banda.

A sonoridade apresenta tem ainda um quê de canções de circo devido ao naipe de metais e à velocidade com que as notas são tocadas. As canções desse disco de apresentação conseguiam mesclar a poesia das letras, sempre muito boas, mas às vezes beirando a temas de antigas canções brega a execuções pesadas e muito inspiradas realizadas pelos músicos.

E 2001 a banda lançou seu segundo álbum, “Bloco do Eu Sozinho”, com uma baixa (Patrick Laplan) e apresentando uma clara evolução com relação ao primeiro. As letras começam a se mostrar menos ingênuas e mais profundas e psicológicas que no primeiro trabalho e começa a surgir um novo estilo musical, que vai se desenhando de forma cada vez mais clara. O estilo “Los Hermanos”, deixando um pouco de lado aquele hardcore que tanto marcou a banda em sua estreia e flertando mais com a MPB (bossa e samba) de qualidade, rock (sempre), pop, ritmos latinos e vários outros elementos que acabaram por sedimentar definitivamente tom do trabalho da banda e a se tornar exatamente o que o público, cada vez mais fiel, buscava, quando ia a um show dos caras.

Desse segundo CD, nasceram achados como “A Flor” (composta em parceria por Camelo e Amarante e cantada pelos dois), “Mais uma Canção” (Camelo nos presenteia com uma ótima melodia para ser cantarolada, que soa como as cantigas comuns em bares, com um ar até meio medieval), “Casa Pré-Fabricada” (poesia de tom leve de Camelo, mas tocada com grande distorção na guitarra, gerando um contraste imenso) e a ótima “Veja Bem, Meu Bem”, que é quase um tango, ou uma canção mexicana, daquelas bem melancólicas mesmo, mas ao mesmo tempo com uma sonoridade excitante e letra, que ao final, revela a verdade de toda a história que era contada).

Nesta mesma época a banda participou do programa Luau MTV, com arranjos acústicos para as canções lançadas até então e ótimas surpresas, como a canção Esquadros, de Adriana Calcanhotto, cantada por Amarante em uma versão primorosa e também A palo seco, de Belchior, cantada por Camelo em tom de mais pura homenagem.

Em 2003 a banda lança seu terceiro álbum, “Ventura”, que colocou definitivamente a banda no hall das maiores, mais conhecidas e requisitadas do cenário nacional, sendo aclamada definitivamente tanto pelo público (cada vez maior), quanto pela crítica. Ventura é um exercício de imaginação, misturando elementos do samba tradicional (“Samba a dois”) ao pop rock com a cara da banda (“O Vencedor” e “Cara Estranho”, entre outras) às melancólicas (“Um Par”, “Conversa de Botas Batidas” e “Último Romance”). Com este álbum surge algo raro no Brasil, beirando ao que acontecia com bandas como a Legião Urbana ou Engenheiros. O surgimento de um público realmente fiel, que curte, difunde e defende o som da banda com unhas e dentes. Este é considerado por muitos, inclusive este blogueiro que aqui escreve o melhor álbum da banda, por ser aquele que melhor dosa os vários climas presentes em suas 15 canções, todas ótimas. Um disco para se ouvido da primeira à última faixa, até mesmo para quem nem gosta tanto do som feito pela banda.

Neste período foi lançado o DVD “Ao Vivo no Cine Íris”, onde foi apresentado boa parte do repertório de “Ventura” junto à várias canções dos álbuns anteriores. Na real, o melhor registro ao vivo da banda, muito superior ao “Ao Vivo a Fundição Progresso”, lançado após seu último álbum de estúdio. Vale destacar o documentário presente no DVD, onde são apresentados ao público importantes momentos do processo de produção do disco, muitos deles quando a música ainda era apenas uma ideia e foi se concretizando com o tempo e ensaios, os primeiros shows com o novo repertório e parcerias importantes, como um festival em que tocaram junto com “Os Paralamas do Sucesso”. O documentário é um espetáculo à parte. Nessa época o grupo participou ainda da trilha sonora do filme nacional “Lisbela e o Prisioneiro”, com a canção “Lisbela”, composta por Caetano Veloso.

Em 2005 a banda lança seu quarto e último álbum de estúdio, intitulado simplesmente “4”, se aprofundando cada vez mais no tom melancólico e intimista tanto nas canções interpretadas por Camelo, quando nas de Amarante. Dele surgiram diamantes já lapidados, como “O Vento”, de Amarante, com direito a clipe que teve boa veiculação na MTV e “Morena”, de Camelo. O álbum mostra uma banda madura, executando as canções de forma visceral e ao mesmo tempo rebuscada e muito bela. Trata-se do ápice musical da banda, mesmo não tendo sido tão bem recebido pela crítica quanto o arrebatador álbum anterior, é o que eles tocaram de forma mais perfeita.

A banda lançou ainda um CD/DVD “Ao Vivo na Fundição Progresso”, em 2008, podendo ser considerado um disco póstumo, já que a banda havia encerrado suas atividades por tempo indeterminado no ano anterior. O disco tem um tom meio saudosista e não tem o áudio e o clima tão bem capturado como aconteceu em seu DVD anterior.

Atualmente os integrantes da banda não estão parados no mundo da música e têm se dedicado a projetos pessoais, como a carreira solo de Camelo, com três discos já lançados, e a banda LitlleJoy, de Amarante em parceria com  Fabrizio Moretti, dos Strokes. Esse ano Amarante está lançando também seu primeiro trabalho solo, intitulado “Cavalo”. Os Hermanos vez ou outra ainda se reúnem em situações pontuais, mas até agora, nada anunciado com relação a material inédito, infelizmente, já que a oxigenação que deu ao rock nacional na década passada foi tão importante para a música brasileira.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

13ª edição da Feira HQ acontece esse final de semana em Teresina

Se você gosta de Histórias em Quadrinhos e mora em Teresina-PI ou está passando pela cidade este final de semana, não pode deixar de conferir a 13ª edição da Feira HQ, evento organizado pelo Núcleo de Quadrinhos do Piauí e financiado pelo BNB e BNDES e conta com apoio do governo estadual do piauí. Para mais informações, clique aqui e confira o blog do Núcleo de Quadrinhos do Piauí.

O evento será realizado de 13 a 15 deste mês no Clube dos Diários, no Centro da cidade. Na programação consta exposição competitiva de trabalhos de quadrinhos em várias categorias, além de venda de livros e revistas, shows e palestras relacionadas ao tema, contando com várias personalidades de renome nacional.


sábado, 31 de agosto de 2013

Amor em excesso: Alta letalidade (mas também terreno fértil para grandes obras de arte) parte 1

O amor em excesso tem feito maravilhas pela arte, já pelo próprio artista/amante, infelizmente, muitas vezes não se pode dizer o mesmo. Pra ficar só no mundo da música nos últimos 40 anos, por exemplo, podemos citar o vocalista do Queen, Freddie Mercury, e, no Brasil, Cazuza, que têm em comum o fato de terem sido grandes poetas de suas gerações e terem morrido, ambos em decorrência de complicações relacionadas à Aids mais na mesma época (quando a epidemia teve início) e também terem se assumido publicamente homossexuais e vidas amorosas altamente conturbadas, tendo vivido o amor até as últimas consequências, que, no caso, infelizmente, foi a morte.

A intenção aqui não é esmiuçar a carreira de cada artista de forma cronológica, mas apenas tecer comentários sobre sua obra, na maioria das vezes apenas citando a canção e sua representatividade para a música brasileira e mundial. Este artigo será dividido em duas partes na intenção de não ser injusto com nenhum dos artistas, visto que mesmo a proposta não sendo tão abrangente, ainda assim, é necessário uma certa dedicação para executá-la.

Fredie Mercury

Freddie Mercury teve uma inspiração única para escrever a letra da canção “Love of my life”, (amor da minha vida) escrita para uma namorada sua, e executada de forma não menos brilhante pela banda que fazia parte. A canção é feita como uma peça de música clássica, criando todo um clima pastoril, levando quem ouve à saber que se trata de uma canção de amor, ainda que não entenda uma palavra do que é dito. Outro exemplo é “I Was Born To Love You” (Eu nasci pra te amar), mais uma declaração de amor de um jeito que muita gente queria ter a capacidade de fazer.

A banda fez brincadeiras também como na canção “I want to be free” (Eu quero me libertar), que seria uma espécie de despedida de uma relação (não se sabe se hétero ou homossexual, à princípio), mas o clipe acaba tornando-se tão engraçado, com os integrantes da banda vestidos de mulher, que acaba se tornando meio evidente que a intenção do vocalista de se libertar não era apenas de uma relação, mas também da hipocrisia, acabando meio que se revelando como homossexual.

Há também as "canções-óperas", como "Who Wants To Live Forever" (Quem quer viver pra sempre), tema do filme Higlander, estrelado por Cristopher Lambert, e também, que fala sobre o amor ser sempre uma história com início, meio e fim e "Bohemian rhapsody", cantada e executada de uma forma inimitável pela banda e contando a história de um pobre rapaz que confessa à mãe ter cometido um homicídio. Nessa canção a banda mescla a seriedade da letra com brincadeiras vocais, cantadas em coral muito interessantes.

Foto que relembra a capa de um dos álbuns mais famosos da banda
Não cantou apenas o amor sexual, canções como “Friends Will Be Friends” (amigos serão amigos), sobre a amizade verdadeira que se pode contar nos momentos difíceis e canções de incentivo à seguir em frente quando tudo está contra, como “We are the champions” (nós somos os campeões), que acabou virando a música mais manjada nas formaturas por todo o Brasil, talvez em todo o mundo.

Essas são só algumas das mais representativas, que acabaram por elevar esse artista ao patamar de amante em excesso explorado nesse texto. Em breve traremos um pouco de Cazuza na parte dois deste artigo.


sábado, 24 de agosto de 2013

100 balas: uma HQ grandiosa sobre vingança finalmente concluída no Brasil

Se você, assim como este que escreve, é fã de quadrinhos, certamente já deve ter ouvido falar da série 100 Balas (100 Bullets, no original), publicação da Vertigo (selo adulto da DC Comics), sob o comando Brian Azarello (roteiro) e do argentino Eduardo Risso (arte) que numa relação quase simbiótica nos presentearam com essa pérola entre tantas histórias em quadrinhos ruins que vêm sendo publicadas por aí. A HQ foi recente e magistralmente encerrada no Brasil, com o lançamento de seu 15° Volume pela editora Panini.

]A história parte de um mote simples: um homem (Agente Graves) chega e entrega a um personagem com a vida totalmente destruída uma maleta com uma pistola, 100 balas irrastreáveis e provas irrefutáveis do responsável por todas as coisas que o levaram ao fundo do poço. A princípio pode parecer tratar-se de uma história que poderia vir a se tornar repetitiva, o que até poderia ser verdade, mas quando se observa o tom noir e pano de fundo em que gira toda a história e as nuances de cada personagem que vai aparecendo ao longo das 100 edições publicadas originalmente de forma separada, percebe-se que trata-se de um grande plano, cheio de interesses obscuros, muita ganância e doses absurdas de violência e sexo, além de um monte de outras coisas pequenas ou grandes que tornam a história mais interessante e complexa a cada edição e pequenos contos que acabam por complementar e enriquecer a grande trama.

A grande história a que me refiro é a do Cartel, organização criminosa formada por 13 famílias que existem desde a fundação dos Estados Unidos e, por baixo dos panos, dominam o mundo à sua maneira, influenciando na história da humanidade por meio de assassinatos, subornos e vários outros crimes. Os minutemen, comandados pelo Agente Graves, são seus cães de guardas, sete pessoas altamente treinadas e que seguem um rígido código cuja função primordial é impedir que essas famílias se matem a fim de conquistar cada vez mais poder dentro do Cartel.

Pôster da publicação apresentando vários de seus personagens mais importantes


Mas o que acontece quando alguma dessas famílias tenta destruir os minutemen para conseguir exatamente aquilo a que eles estavam dispostos à dar suas vidas (e a de mais um monte de gente junto) para impedir?  No decorrer das edições percebe-se que este é que é realmente o início real da história e que o Agente Graves tem motivos muito mais profundos e sombrios em sua mente que simplesmente ajudar alguém a descobrir que acabou com sua vida e dar as ferramentas para se vingar. No fundo, acaba sendo uma história de vingança (como a maioria das boas histórias), mas não apenas pequenas vinganças pessoais, egoístas. Uma vingança muito maior, daqueles que dariam tudo para cumprir sua missão, mas são traídos de forma vil em busca de poder.

Anteriormente, 100 Balas foi publicada no Brasil em duas ocasiões, em ambos os casos de forma incompleta, pela Ópera Graphica (em edições isoladas e posteriormente, encadernados) e pela Pixel Media (em um formato de revista, mas com algumas edições em cada volume), A editora Panini, a princípio começou maio ou menos do ponto de onde a Pixel parou, que seria o terceiro encadernado e foi seguindo em frente, posteriormente, lançando os primeiros, até, enfim, encerrar finalmente a história no Brasil. Atualmente a Vertigo está lançando nos Estados Unidos Brother Lono, um spin-off da série produzido pela mesma equipe, com um dos personagens mais interessantes e casca-grossa já criados para as HQs.

Capa da edição n° 100, epílogo da HQ
Nos Estados Unidos, a história foi dividida em 13 encadernados (coletânias com edições com arcos de história), mas a Panini optou por dividir no Brasil os dois maiores em dois, fechando com 15 volumes, quase todos fáceis de achar nas comic shops espalhadas pelo país e também na internet. Antes de esquecer, gostaria fazer uma menção mais que honrosa ao responsável pelas capas, Dave Johnson, que são um show a parte e merecem destaque nesse texto por conseguirem captar a essência de cada história, transformando em uma única imagem carregada de sentidos, principalmente depois que se lê a edição. Outra coisa é o merecido parabéns à editora Panini, que em pouco mais de três anos conseguiu concluir essa publicação no Brasil, missão que até então tinha se mostrado impossível pelas editoras anteriores, dado o tamanho da obra e as oscilações do mercado.

Minha intenção é tratar de cada volume de forma isolada aqui neste blog, contando um pouco de cada arco, o que pretendo fazer de forma lenta e gradual, dado o tamanho da missão a que me proponho e o afinco com que pretendo fazer cada leitura e crítica. Espero que este texto sirva como um pequeno intróito dessa obra magnífica que faz valer a pena gastar um pouco de seu tempo e dinheiro acompanhando uma boa história.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

HQ Planetary volta a ser publicada no Brasil




Foi divulgada esta semana uma das melhores e mais esperadas notícias para quem curte Histórias em Quadrinhos (HQs) de Qualidade. O editor no Brasil do selo Vertigo, pertencente à DC comics, Fabiano Denardin, divulgou (não sem antes pedir desculpas pela demora) na homepage da vertigo/Editora Panini  que a editora, que publica o selo no país, vai lançar ainda este ano Planetary, com a história dos arqueólogos do impossível, roteirizada por por Warren Ellis e desenhada por John Cassaday.

De acordo com o editor, a coleção deveria ter sido iniciada há mais tempos, mas foi aos poucos sendo deixada pra depois, depois, mesmo sendo sempre lembrada nas mensagens deixadas pelos leitores no blog, que agora foram finalmente atendidas.

A série foi originalmente lançada pelo selo extinto selo wildstorm, que também pertencia à DC e durou 27 edições e será lançada em encadernados compilando algumas das edições originais num formato da panini que vem se consagrando no país: capa cartonada, papel LWC e precinho camarada, vide Fábulas e as já encerradas, Y – O último homem, Ex-Machina e a recém concluída (e perfeita) 100 balas, o que prova que vem dando certo, diferentemente do formato capa-dura e papel couchê, vide Transmetropolitan e DMZ, que além de muito caro, demora séculos entre o lançamento de uma edição e outra, quiçá, pode cancelar o título. Escolha apoiada por este que escreve e vem apreciando o trabalho feito pela panini, na gande maioria das vezes, com escolhas acertadas.

Esta será a quarta encarnação de Planetary no país, que já passou pelas editoras Pandora Books, Devir Livrari e Pixel Media, que, diga-se de passagem, foi uma das melhores editoras Vertigo no país antes da Panini, claro. Pena que teve vida curta, com o selo.

Em breve falaremos mais sobre Planetary aqui no blog.

Dexter e sua (im)possível missão de tornar um assassino adorável

Sabe uma história que te prende do início ao fim e te deixa com uma vontade cada vez maior de saber o que acontece em seguida? Foi assim que me senti ao assistir recentemente a primeira temporada da série televisiva Dexter, produzida pelo canal estadunidense Showtime e transmitida no Brasil pela canal pago FX. A produção é baseada na série de Romances homônima de Jeff Lindsay e foi adaptada pra a televisão pelo roteirista James Manos Jr. A história de um assassino que acaba nos fazendo ter simpatia por ele devido à forma como é apresentado e a todo um hall de interessantes coadjuvantes, a maioria deles com histórias individuais também incríveis.

O enredo da série narra as ações de um serial killer (Dexter Morgan, encarnado de forma perfeita por Michael C. Hall) cujo alter-ego é um minucioso perito em dispersão de sangue da polícia metropolitana de Miami, Estados Unidos. Dexter passou por um grande trauma na infância que o fez se tornar o que é e seu falecido pai adotivo, Harry Morgan (James Remar), que era policial, logo reconheceu esses instintos nele e, desacreditado do sistema judiciário, ensina o filho a só fazer mal a quem “mereça”, dentro de um código específico e muito rígido, ensinando-o a não deixar vestígios de seus atos para não ser apanhado e a fingir sentimentos normais aos demais seres humanos para conseguir estar no meio deles sem ser percebido. Assim, Dexter torna-se um serial killer de serial killers, ou seja, só mata aqueles que, assim como ele, matam pessoas, desde que não tenham nenhum motivo tão importante quanto o dele. 


A história é contada em primeira pessoa, sob o ponto de vista de Dexter, que também é o narrador e faz interessantes reflexões sobre coisas cotidianas que ninguém nota, mas ele observa com estranheza, devido a todo serial killer ter como característica básica a ausência de sentimentos comuns aos demais humanos, como amor, amizades, saudade. Com Dexter não é diferente. 

Também são freqüentes os flashbacks com o treinamento do protagonista por seu pai adotivo. Interessante a forma como eles complementam a história que se passa naquele momento atual e fazem o telespectador entender melhor como Dexter se tornou um meticuloso assassino de assassinos que não deixa nenhum rastro para trás.

No momento, acabei de assistir um dos episódios da temporada anterior para ter um mínimo de compreensão do que se trata a atual.  Assisti a segunda temporada e pelo que pude perceber, cada uma delas é um arco de histórias com doze episódios e um enredo maior como pano de fundo, fechando-se de forma mais ou menos isolada e muito convincente, quase que tornando cada temporada independente uma da outra e ao mesmo tempo complementar. Ou seja, não é necessário assistir cada um dos episódios da temporada anterior para se ter um mínimo de compreensão do que se passa.

Atualmente Dexter está em sua oitava e última temporada. Nesses momentos me pergunto, onde eu estava pra não ter sido apresentado antes à esta ótima produção. Quanto tempo perdido. Ainda bem que sempre é possível encontrar boxes dessa série no mercado.

Essa é apenas uma espécie de apresentação da série. Em breve pretendo fazer pequenas críticas resumindo as temporadas. Espero que tenha gostado. Deixe suas críticas e sugestões de outras séries televisivas, livros, discos ou quadrinhos, etc. Até a próxima!









sábado, 3 de agosto de 2013

Era dourada das séries de tevê



Se, como dizem alguns estudiosos (que, com certeza, sabem mais do que eu sobre o assunto), o mercado do entretenimento é cíclico e tem seus altos e baixos, no momento atual as séries de tevê passam por uma era de ouro, considerado o número de produções de ótima qualidade, onde produtores, diretores e roteiristas cada vez mais sabem o que querem e onde querem chegar.

The Walking Dead, Falling Skies, Game of Thrones. Essas são apenas algumas das que, particularmente, considero interessantes pela temática humana que vêm tomando, sob os mais variados aspectos, como as situações que levam as pessoas a tomarem decisões extremas que nunca tomariam em circunstâncias “normais”, como acontece sempre nas duas primeiras ou o jogo do poder, que sempre foi e será uma temática pra lá de interessante, como é o caso da última.

Não é que antes não tenham tido ótimas produções, vide Arquivo X, Lost, só pra citar duas não tão antigas. Mas o atual momento parece especialmente fértil, colocando em cheque até mesmo a importância do cinema, que não deixa de ser uma boa diversão, mas vem passando por um período sem grandes produções realmente originais, sempre buscando “inspiração” em outras mídias, principalmente nos quadrinhos, mas também em livros, games, etc, o, diferentemente das séries de tevê, nem sempre vem dando certo. 

É aquela coisa de estar assistindo algo que simplesmente te surpreende de verdade, como aconteceu no nono episódio da terceira temporada de Game of Thrones (quem assistiu, com certeza, nunca esquecerá). Algo que te dá calafrios pela magnitude e sangue frio dos atos. Resumindo em uma só palavra (e desculpem a expressão): Foda! .

Voltando ao que eu queria dizer. Ao que parece os filmes estão se perdendo em procurar cada vez mais iniciar franquia$, sem se preocupar tanto com a qualidade das histórias que vão contar (salvo exceções, claro), que deveriam ser muito boas para serem apresentadas de forma convincente em relativamente tão pouco tempo (de uma hora e meia a duas e pouco, geralmente).

As séries de tevê têm abusado convincentemente de sua característica seriada e atingido um nível superior de empatia, deixando o telespectador cada vez mais preso na história e com uma vontade louca de que chegue aquela semana passe ligeiro para que chegue o próximo episódio de sua série favorita e ele saiba o que vai acontecer. É quase como se fizéssemos parte daquele mundo que realmente entramos de cabeça quando a história é bem contada. Uma experiência que deveria ser imitada por muitos cineastas por aí. Fica a dica pra eles.

Primeiras Intenções da Taverna

Cinema será um de nossos temas
Olá, caro amigo internauta/leitor. Neste primeiro momento, antes mesmo de me apresentar, gostaria de dizer que se você é uma pessoa que curte HQ's - histórias em quadrinhos (sobretudo as com temática mais adulta), cinema, séries de tevê, literatura, música, entre várias outras formas de entretenimento similares, encontrou o lugar certo para ler alguns textos sobre o assunto sob pontos de vista não especializado e nem sempre acertados, mas sempre sinceros, de fã para fã.


Longe de querer competir com os vários (e ótimos) sites que já existem na internet brasileira sobre esses assuntos, a intenção aqui é mais se tornar um espaço para divulgação de textos que tantas vezes tive vontade de escrever e não sabia onde publicar, criando um espaço de discussão junto a outros colegas que curtem as mesmas coisas que eu.

Tudo regado à boa música de várias 
épocas e gêneros
Lembrando que aqui não me sentirei nem um pouco limitado sobre qualquer assunto, me sentindo a vontade para usar como tema algo que simplesmente eu tenha visto pelas minhas andanças e por qualquer motivo achado interessante a ponto de merecer ser divulgado aqui.

Já que apresentei minhas intenções nos parágrafos anteriores, nada melhor do que aproveitar este primeiro texto para também me apresentar. Meu nome é Tarcisio Braga, 31 anos de idade, graduado em jornalismo, já tendo atuado em como assessor de comunicação em algumas entidades e trabalhado como co-criador e editor dos blogs: piauifalado (artigos jornalísticos interpretativos), barqueiro contra a tempestade (blog literário) e PortalOpa! (informativo). Nas horas vagas tenho muitos hobbies que aqui vão ser compartilhados com você. Espero que curta nossa proposta e sinta-se em casa para voltar sempre que quiser e, quem sabe, contribuir para que este se torne um local cada vez mais aconchegante. Farei o possível para isso.

Preacher: uma das HQs mais sensacionais da Vertigo/DC