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quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Super-heróis no cinema: uma difícil trajetória

Adaptar histórias em quadrinhos (sobretudo de super-heróis) para o cinema sempre foi uma dor de cabeça para diretores e produtores da sétima arte, salvo raríssimas exceções, como o primeiro "Superman" (1978), de Richard Donner de ou "Batman" (1989) e "Batman - O Retorno", ambos de Tim Burton, e todos da DC Comics e produzidos pela Warner Bros. O roteiro nunca ficava redondo, os efeitos especiais geralmente deixavam muito a desejar, as produções nunca tinham um ar profissional e, por isso, quase nunca eram levadas a sério pelo público ou pela crítica.



A primeira grande mudança
No início dos anos 2000 as coisas mudaram de um jeito que até hoje estão ficando cada vez mais comuns ótimas adaptações desses personagens, que antes eram incógnitas e já se tornaram sinônimo de alto faturamento para os estúdios, pelo menos na maioria das vezes. O pontapé inicial desse ciclo inesperadamente veio com personagens da Marvel pela Fox, com X-Men (2000), de Brian Singer. Com esse filme os personagens realmente são transformados em pessoas, a credibilidade da história os tornou cativantes, quando se tira toda a extravagância dos uniformes multicoloridos e personagens quase onipotentes e roteiros beirando à infantilidade, pode-se sim, ter um bom filme de super-heróis.

Daí em diante foi ladeira acima (sobretudo para os heróis da Marvel), com o megassucesso de Homem-Aranha (2002), de Sam Raimi, Demolidor (2003), de Mark Steven Johnson, X-Men 2, também de Singer e X-Men – O Confronto Final, dessa vez, pelas mãos de Brett Ratner e mais dois filmes do Homem-Aranha (ambos também de Raimi). Claro que como toda regra, essa também tem exceções, que foram o fraco primeiro Hulk (2003), de Ang Lee e o estranho Motoqueiro Fantasma (2007), de  Mark Steven Johnson. Até aí todos se tratavam de Histórias de estúdios diferentes e, portanto, auto-contidas, sem nenhuma referência à existência de outros super-heróis, como se cada filme tratasse de um "universo" diferente.


O surgimento do Universo Marvel nos cinemas 
O, hoje distante, ano de 2006 foi quando aconteceu a grande virada. A Marvel Studios veio com o que, sinceramente, mais parecia um blefe naquele momento. Como quem não quer nada, lá no finalzinho da fita do Homem de Ferro, de Jon Favreau, após os créditos, uma pequena cena surge com ninguém menos que Nick Fury (intepretado por Samuel L. Jackson, como era de se esperar por quem leu a HQ “Os Supremos”) convida Tony Stark a integrar uma equipe que ele estaria formando. Os olhos dos velhos leitores das HQs da Marvel (carinhosamente conhecidos como marvetes) brilharam, mas com aquele quê de desconfiança. Então em 2008 vem o segundo filme do Hulk (“O Incrível Hulk”, de Louis Leterrier), que além de ser mil vezes superior  ao primeiro (sob vários aspectos), ainda dá outra deixa para a tempestade que se forma no horizonte, com uma aparição de Tony Stark em uma nova cena pós-créditos. No Homem de Ferro 2 (2010) vira baderna e já é praticamente um prólogo para os vingadores. Aí veio o Thor, de Kenneth Branagh, e o Capitão América, de Joe Johnston, (ambos de 2011) e o filme dos Vingadores já era uma certeza naquele momento, que finalmente veio à luz em 2012, pelas mãos do diretor, produtor e também roteirista de quadrinhos, Joss Whedon.

Vários heróis em um único estúdio vinculado à Disney e à própria Marvel Comics foi um grande acerto, propiciando esse grande "Crossover" (como é conhecido o encontro de heróis de revistas diferentes) cinematográfico da Marvel. Enfim, finalmente veio em 2012 o esperado filme que amarraria todas as pontas soltas dessas histórias: “Os Vingadores”, um megassucesso de bilheteria, que se tornou um novo ponto de virada da Marvel Studios, a partir de onde se encerrou o que eles chamaram de Fase Um, cuja Fase Dois foi iniciada este ano, com "Homem de Ferro 3", de Shane Black, e continua com o segundo filme do Thor, “Mundo Sombrio”, de  seguindo em 2014, com “Capitão América 2 – Soldado Invernal”. E Muita coisa boa ainda deve vir por aí.


Hoje a Fox, que detém os direitos do universo mutante entendeu que essa interligação dos personagens é viável e bem interessante financeiramente e está preparando para o ano que vem "X-Men - Dias de um Futuro Esquecido", que efetivamente une de as franquias, X-Men, X-Men - Primeira Classe e Wolverine, que eram praticamente isoladas, visto suas histórias algumas vezes até se contradizerem, diferentemente do que ocorre com os filmes da Marvel Studios.



O mais interessante é que tudo teve início lá na década de 60, quando um certo senhor Stan Lee, o lendário roteirista e criador de tantas outras lendas da Marvel Comics (e hoje grande entusiasta dos filmes e onipresente em todos eles com pequenas participações especiais)  se perguntou porque mesmo que todos esses heróis não poderiam viver em uma mesma realidade (ou mesmo cidade) e se encontrarem ocasionalmente para trocarem sopapos entre si ou, quem sabe,  enfrentar uma ameaça que apenas um deles possa conter sozinho.

Enquanto isso, na DC/Warner... 


A DC/Warner, por sua vez, deu início a uma única franquia, porém, de alta qualidade e também altamente lucrativa, iniciada com “Batman Begins” (2003), seguida por “O Cavaleiro das Trevas” (2008) e finalizada com “O Cavaleiro das Trevas Ressurge” (2012), todos capitaneados sabiamente por Cristopher Nolan. Esse ano lançou uma nova aposta: O Homem de Aço (Zack Snyder, com produção do mesmo Nolan do Batman). Esse ano, finalmente “caiu a ficha” (termo um tanto fora de moda, mas que vem à calhar na situação) desse grande estúdio e eles anunciaram que estão preparando um filme que promete dar início à união de dois de seus grandes ícones: “Batman vs. Superman”, sendo o possível início do avanço do universo DC nos cinemas, quem sabe o primeiro passo para um filme da Liga da Justiça, num futuro não tão distante.



terça-feira, 19 de novembro de 2013

Relançamentos: uma novidade bem-vinda ao mercado de quadrinhos brasileiro

Uma nova cultura que vem sendo criada nos últimos anos nas bancas e livrarias brasileiras com relação às HQs: O relançamento de edições, sobretudo as clássicas, o que há alguns anos era raridade no mercado e, graças principalmente ao trabalho da editora italiana Panini hoje vem se tornando cada vez mais comum.



Ter a história completa de "V de Vingança" (Alan Moore e David Lloyd), por exemplo, só quem tinha comprado a minissérie da editora Globo (que posteriormente foi encadernada), que já tinha bem mais de duas décadas de lançamento ou o encadernado da própria Panini, lançado em 2006 e do ano passado até agora já está em seu segundo relançamento.

Assim também foi com as edições definitivas de "Sandman" (Neil Gaiman, entre muitos outros), também da Panini, cujo volume 4 acaba de ser lançado e o primeiro e segundo (que  estavam esgotados) estão em vias de relançamento,  tal qual o primeiro volume de "Preacher" (Garth Ennis e Stive Dillon), também esgotado,, ambas séries muito aclamadas por público e crítica, portanto, com vendas, como comprovam as lojas virtuais, onde se esgotam rapidamente, e o Mercado Livre, onde são vendidas, apesar dos preços exorbitantes, por muitas vezes se tratarem realmente de “raridades”, visto praticamente não existirem mais à venda à não ser em sebos muito especializados ou por pura sorte mesmo, dessas que acontecem poucas vezes na vida.

Outros relançamentos que vêm sendo feitos e merecem destaque (todos da Panini) são os do universo do Batman, como "A Piada Mortal" (Alan Moore e Brian Bolland), "Coringa" (Brian Azarello e Lee Bermejo), entre outros. E na Marvel, "Os Supremos Vol.1" (Mark Millar e Brian Hitch) é o que merece maior destaque, por se tratar de algo não tão antigo e que já se encontra em seu segundo relançamento em poucos anos, atendendo a demanda crescente de leitores que o procuram. Uma das poucas bolas fora é a edição definitiva de "Batman: O Longo dia das Bruxas" (Jeph Loeb e Tim Sale), que há tempos está esgotada e desde sempre é implorada pelos leitores, mas nada de relançamento até agora. Acredito que uma hora vai rolar, como aconteceu com "Reino do Amanhã" (Mark Waid e Alex Ross) , por exemplo, que também era muito solicitada e atualmente sua versão definitiva (e inédita) está em pré-venda em vários sites espalhados pela internet. É só procurar pra conferir. 



Essa cultura é uma ótima novidade pra gente que já é há muito tempo comum no mercado estadunidense (lá valem muito as primeiras edições), onde quem realmente ganha com isso são as editoras que lançam e relançam edições que todos procuram e os leitores, que não são obrigados a pagarem preços absurdos por edições que foram postas a venda por preço muito inferiores ou, pior ainda, ficar sem elas por não ter grana pra comprar. Quem perde com isso são apenas os especuladores de mercado, exploradores de ávidos leitores que apenas buscam momentos de descontração despretensiosa, algumas vezes muito mais interessantes que muitos filmes, séries de tevê ou até mesmo muitos livros convencionais que são publicados por aí. 

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Zé Ramalho: A tradução do sertão na linguagem Pop

No último sábado (09/11) Teresina (Base de operações da TavernaPop) recebeu a visita do cantor paraibano Zé Ramalho, trazendo ao público das mais diferentes idades e estilos seu som autoral, autobiográfico e boas doses de homenagens a outros artistas que de alguma forma influenciaram sua produção ao longo da odisséia musical desse artista único no cenário nacional, que já beira a quarenta anos. Dessa vez, finalmente tive a felicidade de presenciar o espetáculo que há muito tinha vontade de ir.

A apresentação (sem grandes firulas, mas beirando à perfeição), teve início por volta de 1h, durando pouco mais de 60 minutos (suficientes e muito bem aproveitados), repletos de sucessos e também de surpresas muito bem vindas que permeiam a discografia do músico. A banda, que, a princípio, me parecia incompleta por não ter guitarrista solo, mostrou grande entrosamento com seus teclados, instrumentos de sopro (saxofone e flauta), de percussão (com zabumba bastante presente), contrabaixo elétrico (sempre com arranjos bem marcantes em todas as canções) e um violão solitário tocado de forma inspirada pelo próprio Zé Ramalho, acompanhando sua voz grave e marcante. A ausência da guitarra, que achei que seria forte, praticamente nem foi notada ao longo da apresentação, com os solos sendo supridos ora pelos teclados, ora pelo sax, também muito presente e bem executado.

As letras das canções, como toda a carreira do artista, mesclavam vários aspectos de sua personalidade e influências diversas, que vão da literatura clássica greco-romana (“A Odisséia” e “A Ilíada”), passando pelas tradições nordestinas (cordel, histórias de cangaço e tradições de violeiros nordestinos), até as Histórias em Quadrinhos, como fontes de inspiração. Seu estilo musical também é bem diverso do que se vê por aí, tendo fortes pinceladas de artistas tão diferentes, como Bob Dylan, Beatles, Jovem Guarda, Raul Seixas e também o rei do baião, Luiz Gonzaga (impossível não citá-lo), entre outros.

A empatia do público pelo artista era tão forte que no momento em que foram entoadas canções como “Avôhai” (praticamente um mantra) e “Garoto de Aluguel”, ambas de forte tom autobiográfico ou a mais que “carimbada”, "Admirável Gado Novo", mais parecia que a platéia entrava em um êxtase coletivo juntando-se à visão de mundo com o poeta, que naquele momento, estava mais profeta que pregava seus versos para àquelas pessoas que se mostravam tão atentas a tudo que ele dizia.

Uma das surpresas do show foi iniciar-se com a versão de uma antiga canção de Bob Dylan “O vento vai responder (Blowin'in the wind)”, já de cara, mostrando que não estava ali para explicar nada, mas simplesmente para dizer o que tinha para dizer, o que fez de forma praticamente ininterrupta (Sério). A idade parecia não pesar tanto no corpo daquele trovador sexagenário (que, inclusive, recentemente teve sérios problemas de saúde), que praticamente emendava o último acorde de uma canção ao primeiro da seguinte, sem parar ou deixar as pessoas pararem para respirar.

Vale ressaltar a inteligência do artista e sua banda, que os levou a fazer alterações no arranjo de algumas canções mais lentas, transformando-as em xotes bem dançantes, dando maior fôlego à toda a apresentação.   A única ausência que realmente foi sentida (pelo menos por mim) foi a canção “Jardim das Acácias”, que considero a melhor composição do artista, mas entendo, devido não ser tão conhecida quanto várias das demais canções do seu ótimo repertório.

Abaixo um trôpego setlist do espetáculo, pois, no momento do evento, a última coisa que eu tinha vontade de fazer era anotar de forma organizada as canções. Por isso pode estar faltando ou sobrando uma ou outra canção, mas o grosso está lá.

Setlist do Show:

1.       O vento vai responder (Blowin'in the wind)
2.       Avôhai
3.       Entre a serpente e a estrela
4.       Frevo mulher
5.       Garoto de aluguel
6.       Medo da chuva
7.       Gita
8.       Vila do sossego
9.       Chão de giz
10.   A terceira lâmina
11.   Táxi lunar
12.   Eternas ondas
13.   Banquete de signos
14.   Admirável gado novo
15.   Mulher nova, bonita e carinhosa faz o homem gemer sem sentir dor
16. companheira de alta luz

p.s. Você pode até achar que seria meio deslocado um texto sobre o artista aqui apresentado, mas, basta ouvir qualquer canção sua para perceber que além de um ótimo compositor, músico e cantor, Zé Ramalho, é sim,  muito Pop, fazendo um mix de vários estilos, mantendo-se como um artista autêntico e inimitável de nosso cancioneiro. Caso você não tenha tido a oportunidade de conhecer o artista e tenha se interessado, o site é um ótimo começo. Clique aqui e confira.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Review: Primeira temporada de Dexter

Aproveitando o final recente e controverso da série, e cumprindo uma promessa que fiz nesse mesmo blog já há algum (muito!) tempo, começarei a partir desse post a tecer breves comentários, tentando (quase sempre) evitar spoilers para que você, que ainda não conhece a saga televisiva do serial killer "Dexter" possa ter uma pequena noção da complexidade da história e riqueza do personagem. Como o melhor lugar pra começar é sempre do começo, iniciaremos na primeira temporada, seguindo adiante num ritmo interessante. Minha intenção é falar sobre as primeiras temporadas, uma por semana, até a quarta, que foi onde, infelizmente e a contragosto, parei de acompanhar. Tão logo eu tenha acesso às demais, os reviews terão continuidade.

Essa série, eu conhecia apenas de nome e nunca tinha manifestado maior interesse até um amigo meu comentá-la comigo, defendendo-a como muito interessante, por analisar os seres humanos sob um outro ponto de vista, o de um serial killer, que se tornou o que é devido a um trauma da infância que aos poucos vai sendo contada. Ele tinha o boxe de DVDs das quatro primeiras temporadas e me emprestou durante as últimas férias, me iniciando no mundo de Dexter e fazendo ficar curioso a cada episódio para saber o que acontece a seguir. Lendo esse e os demais artigos você vai descobrir porquê.


1ª Temporada (Análise)

A série tem início com seu protagonista, Dexter Morgan (Michael C. Hall), já adulto em pleno seu ritual de caçada a uma de suas futuras vítimas. O personagem tem uma vida social simulada dentro do que é minimamente aceitável (como todo serial killer), trabalha, tem uma irmã, uma namorada, entre outras coisas, com a peculiaridade de ser um assassino serial tem um objetivo bem formado em sua mente cultivado por seu pai adotivo, Harry Morgan (James Remar), a partir do momento em que ele descobriu seu instinto assassino (liberar seu “passageiro sombrio apenas naqueles que conseguem burlar as leis, escapando ilesos). Dessa forma ele acredita corrigir um sistema que apresenta falhas. Dexter então se torna um perito em dispersão de sangue da polícia metropolitana de Miami e tenta se mostrar como um cidadão americano comum com uma namorada Rita (Julie Benz), uma irmã, Debra (Jennifer Carpenter) e “amigos”, como Angel Batista (David Zayas) e colegas de trabalho, como a tenente Maria LaGerta (Lauren Vélez), que à princípio demonstra interesse afetivo por Dexter, e o sargento James Doakes (Erik King), personagem que sempre desconfiou bastante de Dexter e que ganha grande destaque na segunda temporada.

Nessa primeira temporada os personagens centrais da trama são apresentados e aos poucos a história de cada um deles vai crescendo e cativando devagarzinho o espectador. De cara, Dexter encontra um nêmesis à altura, que fica conhecido pela polícia como “Assassino do Caminhão de Gelo”, personagem que tem uma estranha relação com o protagonista, que parece conhecer sua história de vida e tendências assassinas. Esse outro assassino aos poucos vai mostrando à ele que o conhece melhor que ninguém (até ele mesmo) e vai o encurralando cada vez mais no sentido de fazê-lo lembrar de um passado que estava escondido nos corredores mais escuros de sua mente: o motivo que o fez se tornar um assassino. Esse outro assassino aos poucos vai entrando na vida de Dexter, inclusive tendo um relacionamento com sua Debra para conseguir se aproximar ainda mais do protagonista e colocá-lo em uma situação bem difícil no final da temporada.

No decorrer dos 12 primeiros episódios que formam a primeira temporada, a história contada é uma sucessão de reviravoltas até ele descobrir quem era o Assassino do Caminhão do Gelo, por que ele faz isso (o que tem intima relação com o passado de Dexter) e o possível início de uma transformação do protagonista em um ser humano normal que vive em sociedade (o que, na prática, estudos mostram ser impossível).

A forma que o programa narra a trajetória de Dexter nessa primeira temporada é repleta de flasbacks, onde vamos descobrindo aos poucos quem realmente é o protagonista e como ele se tornou o assassino frio que aprendemos a gostar tanto. Uma característica interessante é que no início e final de cada episódio, Dexter faz, através de monólogos, análises sobre o funcionamento da sociedade sob um ponto de vista totalmente diferente do que estamos acostumados. O de um assassino serial.

Quase esqueci de comentar a trilha sonora, com calientes e variadas canções caribenhas no decorrer  e a abertura da série, que é um show à parte, mostrando Dexter em situações corriqueiras, como amarrar o cadarço do sapato, preparar um almoço e um suco, sugerindo que se tratam de situações de assassinato de suas pobres vítimas (não tão probrezinhas assim, né?).

O ritmo da série é ditado pela oscilação entre presente e passado, mostrando camada a camada, como Dexter foi formando sua personalidade distorcida e as crises pelas quais passou até se tornar quem é hoje. Espero que tenha curtido esse breve review. Assumo que gostaria de escrever muito mais aqui, mas não quero fazer com que o leitor ainda não iniciado perca o prazer de descobrir os detalhes da série da melhor forma possível, que é assistindo.

Leia também: http://tavernapop.blogspot.com.br/2013/08/como-ter-simpatia-por-um-assassino.html


quinta-feira, 31 de outubro de 2013

The Walking Dead: Uma série sobre seres humanos, com zumbis (como mera desculpa!)

Aproveitando a recente volta da série de TV mais comentada e assistida da atualidade, abro um espaço na Taverna para tecer alguns comentários sobre essa, que é uma das séries mais interessantes em exibição. A principio, um leitor (ou leitora, principalmente) mais incauto(a) pode pensar: The Walking Dead? Aquela série de zumbis? Deve ser HOR-RÍ-VEL!!!! Garanto que basta uma chance e ter um pouquinho de paciência, que é bem possível que você mudar de ideia.

O interessante na série não são os zumbis em si. Eles não passam de meros coadjuvantes na trama, ou melhor, uma espécie de força da natureza, como um furacão ou um terremoto, ou mesmo animais em busca de comida e que, por acaso, nos consideram um prato apetitoso. Eles são apenas a desculpa para colocar os personagens em situações mais extremas a cada episódio que vai ao ar, levando-os de volta ao básico, literalmente. Uma vida onde tudo que importa é a sobrevivência a qualquer custo (qualquer um mesmo!).

Um estado de guerra de todos contra todos, como teorizou o filósofo inglês Thomas Hobbes (1588-1679), em seu Leviatã. Aí é que está a grande cartada da história. Como seria nossa vida se a cada instante tivéssemos que tomar decisões de vida ou morte? Será que o conceito de bem e mal seria tão preto no branco como acreditamos? Será que qualquer crença religiosa realmente valeria alguma coisa quando para você viver mais alguns minutos, você tem que correr feito um louco sem olhar pra trás? Será que alguém se arriscaria a acreditar em alguém desconhecido? Será que alguém realmente daria a outra face? Até que ponto cada um de nós pode acreditar em seus amigos quando a vida dos dois está em risco iminente? Quando seu melhor amigo pode se tornar seu pior inimigo em um instante, uma multidão de zumbis te perseguindo pode ser o menor de seus problemas. Não se pode confiar em ninguém. Como uma pessoa pode viver em grupo e ao mesmo tempo sozinho?

Esses são só alguns dos questionamentos levantados no decorrer dos episódios dessa série, que tem sua origem nos quadrinhos de mesmo título criados por Robert Kirkman (O Invencível) e Tony Moore e lançados pela editora estadunidense Image que, por acaso, recentemente completaram dez anos do lançamento de seu primeiro número e o desenrolar de sua trama e até mesmo a personalidade de alguns personagens importantes sofre importantes alterações na adaptação para a tv. Nada que tire o brilho de nenhuma das obras que, por si só já são ótimas.

Isso foi um pequeno aperitivo sem grandes spoilers da impressionante trajetória do xerife Rick Grimes e sua equipe de sobreviventes do holocausto zumbi que tomou conta do mundo na trama dessa série que se tornou uma mania em todo o mundo. Se você não conhece deveria agora mesmo correr atrás, pois está perdendo tempo. 

Em breve teremos mais textos tanto sobre a série quanto sobre os quadrinhos que também são publicados no Brasil em dois formatos: o encadernado, compilando algumas edições da HQ publicada pela image, que hoje já está em seu 12º volume e as edições avulsas publicadas mensalmente e rumando para se tornar quinzenal. Ambas as publicações são de responsabilidade da HQM, que devagarzinho está se tornando uma grande e profissional editora trazendo para nosso país títulos de qualidade.

domingo, 13 de outubro de 2013

Graphic MSP: Novas abordagens das nossas velhas lembranças da infância

Após o surgimento do sucesso comercial da "Turma da Mônica Jovem", novamente Maurício de Sousa (criador da Turma) tem se mostrado antenado com as demandas do mercado nacional de quadrinhos e marcado pontos junto aos leitores de brasileiros, com o lançamento no fim do ano passado nas bancas de todo o país do projeto "Graphic MSP", linha de graphic novels brasileira que hoje já está em sua terceira edição e já tem uma nova saindo do forno.

A intenção do projeto é pegar personagens de Maurício de Sousa já conhecidos do público e que fizeram parte da infância dos apaixonados por quadrinhos, fazendo uma releitura dos mesmos por meio de roteiros e traços de artistas promissores que têm feito bonito nos quadrinhos em seus vários gêneros, sobretudo autorais. É dada grande liberdade aos artistas para a abordagem da história, apresentando personagens tão queridos do grande público como uma grande novidade, o que é o grande brilho do projeto.

Desde o final do ano passado já foram lançados "graphics" do Astronauta  (Magnetar, de Danilo Beyruth), depois Turma da Mônica (Laços, de Lu e Vitor Caffagi), seguida da recém-lançada de Chico Bento  (Pavor Espaciar, de Gustavo Duarte). E já está prometido até o final do ano uma nova do Piteco (Ingá, de Shiko).

O acabamento das "Graphic MSP" é primoroso, pra fã nenhum botar defeito, com formato maior que o das HQ’s tradicionais, papel couchê de alta gramatura, bela impressão, lombada quadrada, cerca de 84 páginas e opções de capa dura ou capa mole aos preços de R$ 29,90 e R$ 19,90, respectivamente. Um preço até compatível com o mercado, levada em consideração a qualidade artística e acabamento do produto. 


Em breve e aos poucos pretendo aqui fazer breves resenhas de cada um desses lançamentos, tecendo breves comentários sobre os mesmos para que você possa ter uma noção do que vem sendo produzido dentro da proposta do selo.

sábado, 28 de setembro de 2013

Quadrinhos mensais nas bancas brasileiras pra quem quer passar longe dos super-heróis

Pra quem curte quadrinhos e já estava cansado das edições mensais com mixes de histórias mais ligadas ao universo de super-heróis da Marvel (Homem-Aranha, X-Men, Vingadores, etc.) e DC (Batman, Superman e Mulher-Maravilha), as bancas brasileiras têm oferecido boas opções. A começar pela mensal intitulada Vertigo (panini) que, apesar de se tratar de um selo da DC, tem temática bem mais mais adulta, com histórias mais voltadas ao mundo do horror (Hellblazer) e ao mundo da máfia (Escalpo), por exemplo. São histórias que exigem mais da compreensão do leitor e que se aprofundam mais na alma humana dos personagens, como por exemplo, até onde uma pessoa comum pode ir quando colocada diante de situações extremas. A revista já não é nenhuma novidade para quem curte este tipo de quadrinhos e atualmente está em seu número 45. O tratamento dado à revista pela editora é o mesmo das mensais normais da linha de super-heróis: formato americano, lombada canoa, papel pisa-brite e capa couchê, tendo como diferença o número de páginas que é bem maior (132), copilando cinco edições americanas, enquanto as demais normalmente têm apenas três.

Outra boa pedida é uma iniciativa ousada da Mythos Editora, a Juiz Dreed Megazine, apresentando um mix de histórias da revistas semanal inglesa 2000 A.D., capitaneadas pelo Juiz Dreed (personagem futurista, que é uma mistura de policial, juiz e executor), como o título sugere e mesclado histórias curtas com longas e também recentes e antigas da editora que está na ativa desde 1977. Destaque para as histórias curtas Distorções Temporais, escritas por Alan Moore (Watchmen, V de Vingança) e com arte de Dave Gibbons (Juiz Dreed, The Originals) e também para área Cinzenta, de Dan Abnett (roteiros) e Karl Richardson (arte). O tratamento dado pela editora é bem bacana: Formato magazine (maior que o americano) Capa couchê, lombada canoa, papel LWC e 68 páginas.

A novidade mais recente nas bancas é a X-O Manowar (HQM Editora), que trás aos leitores brasileiros um mix de histórias pós-reboot recente dos personagens da editora americana Valiant, como o personagem título, (maior sucesso da editora), que é um guerreiro medieval que luta por sua liberdade e acaba sendo abduzido da terra por alienígenas. O roteiro é de Robert Venditti (Substitutos),com arte por Cary Nord (Conan).Outro personagem personagem presente na revista é Harbinger, escrita por Joshua Dysart (Soldado Desconhecido, Monstro do Pântano) e desenhada por Khari Evans. Destaque tanto para os roteiros quanto para a arte, bem superior ao que vem sendo apresentado nas mensais da Marvel e DC. O tratamento dado à edição também é primoroso. Capa Couchê, papel LWC e 88 páginas.

Não podia deixar de citaraqui outra importante iniciativa também da HQM, que é o lançamento em edições mensais iguaizinhas às americanas de The Walking Dead (Os Mortos-Vivos), os quadrinhos que deram origem à série de TV de zumbis onde estes são o que menos importa no enredo. Hoje a série é sucesso tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil e em breve vai iniciar sua quarta temporada Ao que tudo indica os quadrinhos também vão indo bem por aqui, já que a editora já lançava o encadernado compilando algumas edições americanas e continua lançando novas edições e já se fala em tornar as edições individuais em quinzenais. Capa e páginas internas em papel Couchê, cerca de 32 páginas.




Em outra ocasião devo falar um pouco mais das revistas individualmente, com mais detalhes. Espero que tenha curtido essa pequena seleção. Lembrando que você pode deixar seus comentários e sugestões. Quem sabe não fazemos um novo texto baseado em suas opiniões sobre o blog.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Los Hermanos: a banda que mudou o Rock made in Brasil na década passada

Os Hermanos: Amarante, Barba, Bruno Medina e Marcelo Camelo
Sei que tem muita gente que pode torcer o nariz e dizer que não gosta, e até admito que o som dos caras tem que ser “ruminado” por um tempo para que se possa ser curtido de verdade, mas se tem uma banda que surgiu no mainstream da música nos anos 90 e que realmente possui fãs fiéis (mesmo após terem “dado um tempo” indefinidamente) essa banda é a carioca “Los Hermanos”, surgida nos idos de 1997 num cenário considerado de rock “alternativo” (odeio esse rótulo porque acaba não dizendo nada), mesclando elementos de Rock com MPB com uma forte pegada no Ska e no Hardcore, aliás, nesse principio, este último era quem ditava mesmo o tom musical da banda, somado ao som de metais e letras mais românticas e melancólicas, que com o passar do tempo vão se tornando cada vez mais a cara da banda.

Seu primeiro álbum, intitulado simplesmente “Los Hermanos”, foi lançado em 1999, e a banda era composta por Marcelo Camelo (vocais e guitarra), Rodrigo Amarante (voz, guitarra, flauta, etc.), Bruno Medina (teclados) e Patrick Laplan (baixo), seguidos por músicos de apoio nos metais. O interessante desse primeiro disco é que as músicas mais conhecidas, “Anna Júllia” e “Primavera” (ambas com vocais de Camelo) eram duas baladas Rock, meio anos 60 (leia, cações de baile), na verdade eram exceções no álbum que era carregado com uma pegada pesada, Hardcore mesmo, como as ótimas “Tenha Dó”(Camelo), que abre o álbum e “Quem Sabe” (cantada por Amarante) que soa como uma grande dor de cotovelo, tema recorrente na discografia da banda. Se observadas apenas essas duas, parecia mais uma banda de "ondinha", que na mesma velocidade com que decolou no cenário musical brasileiro, sumiria de pronto, como tantas outras "maravilhas de um hit só", ou dois, como poderia ser o caso. Mas o destino estava reservando coisa muito diferente para a banda.

A sonoridade apresenta tem ainda um quê de canções de circo devido ao naipe de metais e à velocidade com que as notas são tocadas. As canções desse disco de apresentação conseguiam mesclar a poesia das letras, sempre muito boas, mas às vezes beirando a temas de antigas canções brega a execuções pesadas e muito inspiradas realizadas pelos músicos.

E 2001 a banda lançou seu segundo álbum, “Bloco do Eu Sozinho”, com uma baixa (Patrick Laplan) e apresentando uma clara evolução com relação ao primeiro. As letras começam a se mostrar menos ingênuas e mais profundas e psicológicas que no primeiro trabalho e começa a surgir um novo estilo musical, que vai se desenhando de forma cada vez mais clara. O estilo “Los Hermanos”, deixando um pouco de lado aquele hardcore que tanto marcou a banda em sua estreia e flertando mais com a MPB (bossa e samba) de qualidade, rock (sempre), pop, ritmos latinos e vários outros elementos que acabaram por sedimentar definitivamente tom do trabalho da banda e a se tornar exatamente o que o público, cada vez mais fiel, buscava, quando ia a um show dos caras.

Desse segundo CD, nasceram achados como “A Flor” (composta em parceria por Camelo e Amarante e cantada pelos dois), “Mais uma Canção” (Camelo nos presenteia com uma ótima melodia para ser cantarolada, que soa como as cantigas comuns em bares, com um ar até meio medieval), “Casa Pré-Fabricada” (poesia de tom leve de Camelo, mas tocada com grande distorção na guitarra, gerando um contraste imenso) e a ótima “Veja Bem, Meu Bem”, que é quase um tango, ou uma canção mexicana, daquelas bem melancólicas mesmo, mas ao mesmo tempo com uma sonoridade excitante e letra, que ao final, revela a verdade de toda a história que era contada).

Nesta mesma época a banda participou do programa Luau MTV, com arranjos acústicos para as canções lançadas até então e ótimas surpresas, como a canção Esquadros, de Adriana Calcanhotto, cantada por Amarante em uma versão primorosa e também A palo seco, de Belchior, cantada por Camelo em tom de mais pura homenagem.

Em 2003 a banda lança seu terceiro álbum, “Ventura”, que colocou definitivamente a banda no hall das maiores, mais conhecidas e requisitadas do cenário nacional, sendo aclamada definitivamente tanto pelo público (cada vez maior), quanto pela crítica. Ventura é um exercício de imaginação, misturando elementos do samba tradicional (“Samba a dois”) ao pop rock com a cara da banda (“O Vencedor” e “Cara Estranho”, entre outras) às melancólicas (“Um Par”, “Conversa de Botas Batidas” e “Último Romance”). Com este álbum surge algo raro no Brasil, beirando ao que acontecia com bandas como a Legião Urbana ou Engenheiros. O surgimento de um público realmente fiel, que curte, difunde e defende o som da banda com unhas e dentes. Este é considerado por muitos, inclusive este blogueiro que aqui escreve o melhor álbum da banda, por ser aquele que melhor dosa os vários climas presentes em suas 15 canções, todas ótimas. Um disco para se ouvido da primeira à última faixa, até mesmo para quem nem gosta tanto do som feito pela banda.

Neste período foi lançado o DVD “Ao Vivo no Cine Íris”, onde foi apresentado boa parte do repertório de “Ventura” junto à várias canções dos álbuns anteriores. Na real, o melhor registro ao vivo da banda, muito superior ao “Ao Vivo a Fundição Progresso”, lançado após seu último álbum de estúdio. Vale destacar o documentário presente no DVD, onde são apresentados ao público importantes momentos do processo de produção do disco, muitos deles quando a música ainda era apenas uma ideia e foi se concretizando com o tempo e ensaios, os primeiros shows com o novo repertório e parcerias importantes, como um festival em que tocaram junto com “Os Paralamas do Sucesso”. O documentário é um espetáculo à parte. Nessa época o grupo participou ainda da trilha sonora do filme nacional “Lisbela e o Prisioneiro”, com a canção “Lisbela”, composta por Caetano Veloso.

Em 2005 a banda lança seu quarto e último álbum de estúdio, intitulado simplesmente “4”, se aprofundando cada vez mais no tom melancólico e intimista tanto nas canções interpretadas por Camelo, quando nas de Amarante. Dele surgiram diamantes já lapidados, como “O Vento”, de Amarante, com direito a clipe que teve boa veiculação na MTV e “Morena”, de Camelo. O álbum mostra uma banda madura, executando as canções de forma visceral e ao mesmo tempo rebuscada e muito bela. Trata-se do ápice musical da banda, mesmo não tendo sido tão bem recebido pela crítica quanto o arrebatador álbum anterior, é o que eles tocaram de forma mais perfeita.

A banda lançou ainda um CD/DVD “Ao Vivo na Fundição Progresso”, em 2008, podendo ser considerado um disco póstumo, já que a banda havia encerrado suas atividades por tempo indeterminado no ano anterior. O disco tem um tom meio saudosista e não tem o áudio e o clima tão bem capturado como aconteceu em seu DVD anterior.

Atualmente os integrantes da banda não estão parados no mundo da música e têm se dedicado a projetos pessoais, como a carreira solo de Camelo, com três discos já lançados, e a banda LitlleJoy, de Amarante em parceria com  Fabrizio Moretti, dos Strokes. Esse ano Amarante está lançando também seu primeiro trabalho solo, intitulado “Cavalo”. Os Hermanos vez ou outra ainda se reúnem em situações pontuais, mas até agora, nada anunciado com relação a material inédito, infelizmente, já que a oxigenação que deu ao rock nacional na década passada foi tão importante para a música brasileira.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

13ª edição da Feira HQ acontece esse final de semana em Teresina

Se você gosta de Histórias em Quadrinhos e mora em Teresina-PI ou está passando pela cidade este final de semana, não pode deixar de conferir a 13ª edição da Feira HQ, evento organizado pelo Núcleo de Quadrinhos do Piauí e financiado pelo BNB e BNDES e conta com apoio do governo estadual do piauí. Para mais informações, clique aqui e confira o blog do Núcleo de Quadrinhos do Piauí.

O evento será realizado de 13 a 15 deste mês no Clube dos Diários, no Centro da cidade. Na programação consta exposição competitiva de trabalhos de quadrinhos em várias categorias, além de venda de livros e revistas, shows e palestras relacionadas ao tema, contando com várias personalidades de renome nacional.


sábado, 31 de agosto de 2013

Amor em excesso: Alta letalidade (mas também terreno fértil para grandes obras de arte) parte 1

O amor em excesso tem feito maravilhas pela arte, já pelo próprio artista/amante, infelizmente, muitas vezes não se pode dizer o mesmo. Pra ficar só no mundo da música nos últimos 40 anos, por exemplo, podemos citar o vocalista do Queen, Freddie Mercury, e, no Brasil, Cazuza, que têm em comum o fato de terem sido grandes poetas de suas gerações e terem morrido, ambos em decorrência de complicações relacionadas à Aids mais na mesma época (quando a epidemia teve início) e também terem se assumido publicamente homossexuais e vidas amorosas altamente conturbadas, tendo vivido o amor até as últimas consequências, que, no caso, infelizmente, foi a morte.

A intenção aqui não é esmiuçar a carreira de cada artista de forma cronológica, mas apenas tecer comentários sobre sua obra, na maioria das vezes apenas citando a canção e sua representatividade para a música brasileira e mundial. Este artigo será dividido em duas partes na intenção de não ser injusto com nenhum dos artistas, visto que mesmo a proposta não sendo tão abrangente, ainda assim, é necessário uma certa dedicação para executá-la.

Fredie Mercury

Freddie Mercury teve uma inspiração única para escrever a letra da canção “Love of my life”, (amor da minha vida) escrita para uma namorada sua, e executada de forma não menos brilhante pela banda que fazia parte. A canção é feita como uma peça de música clássica, criando todo um clima pastoril, levando quem ouve à saber que se trata de uma canção de amor, ainda que não entenda uma palavra do que é dito. Outro exemplo é “I Was Born To Love You” (Eu nasci pra te amar), mais uma declaração de amor de um jeito que muita gente queria ter a capacidade de fazer.

A banda fez brincadeiras também como na canção “I want to be free” (Eu quero me libertar), que seria uma espécie de despedida de uma relação (não se sabe se hétero ou homossexual, à princípio), mas o clipe acaba tornando-se tão engraçado, com os integrantes da banda vestidos de mulher, que acaba se tornando meio evidente que a intenção do vocalista de se libertar não era apenas de uma relação, mas também da hipocrisia, acabando meio que se revelando como homossexual.

Há também as "canções-óperas", como "Who Wants To Live Forever" (Quem quer viver pra sempre), tema do filme Higlander, estrelado por Cristopher Lambert, e também, que fala sobre o amor ser sempre uma história com início, meio e fim e "Bohemian rhapsody", cantada e executada de uma forma inimitável pela banda e contando a história de um pobre rapaz que confessa à mãe ter cometido um homicídio. Nessa canção a banda mescla a seriedade da letra com brincadeiras vocais, cantadas em coral muito interessantes.

Foto que relembra a capa de um dos álbuns mais famosos da banda
Não cantou apenas o amor sexual, canções como “Friends Will Be Friends” (amigos serão amigos), sobre a amizade verdadeira que se pode contar nos momentos difíceis e canções de incentivo à seguir em frente quando tudo está contra, como “We are the champions” (nós somos os campeões), que acabou virando a música mais manjada nas formaturas por todo o Brasil, talvez em todo o mundo.

Essas são só algumas das mais representativas, que acabaram por elevar esse artista ao patamar de amante em excesso explorado nesse texto. Em breve traremos um pouco de Cazuza na parte dois deste artigo.


sábado, 24 de agosto de 2013

100 balas: uma HQ grandiosa sobre vingança finalmente concluída no Brasil

Se você, assim como este que escreve, é fã de quadrinhos, certamente já deve ter ouvido falar da série 100 Balas (100 Bullets, no original), publicação da Vertigo (selo adulto da DC Comics), sob o comando Brian Azarello (roteiro) e do argentino Eduardo Risso (arte) que numa relação quase simbiótica nos presentearam com essa pérola entre tantas histórias em quadrinhos ruins que vêm sendo publicadas por aí. A HQ foi recente e magistralmente encerrada no Brasil, com o lançamento de seu 15° Volume pela editora Panini.

]A história parte de um mote simples: um homem (Agente Graves) chega e entrega a um personagem com a vida totalmente destruída uma maleta com uma pistola, 100 balas irrastreáveis e provas irrefutáveis do responsável por todas as coisas que o levaram ao fundo do poço. A princípio pode parecer tratar-se de uma história que poderia vir a se tornar repetitiva, o que até poderia ser verdade, mas quando se observa o tom noir e pano de fundo em que gira toda a história e as nuances de cada personagem que vai aparecendo ao longo das 100 edições publicadas originalmente de forma separada, percebe-se que trata-se de um grande plano, cheio de interesses obscuros, muita ganância e doses absurdas de violência e sexo, além de um monte de outras coisas pequenas ou grandes que tornam a história mais interessante e complexa a cada edição e pequenos contos que acabam por complementar e enriquecer a grande trama.

A grande história a que me refiro é a do Cartel, organização criminosa formada por 13 famílias que existem desde a fundação dos Estados Unidos e, por baixo dos panos, dominam o mundo à sua maneira, influenciando na história da humanidade por meio de assassinatos, subornos e vários outros crimes. Os minutemen, comandados pelo Agente Graves, são seus cães de guardas, sete pessoas altamente treinadas e que seguem um rígido código cuja função primordial é impedir que essas famílias se matem a fim de conquistar cada vez mais poder dentro do Cartel.

Pôster da publicação apresentando vários de seus personagens mais importantes


Mas o que acontece quando alguma dessas famílias tenta destruir os minutemen para conseguir exatamente aquilo a que eles estavam dispostos à dar suas vidas (e a de mais um monte de gente junto) para impedir?  No decorrer das edições percebe-se que este é que é realmente o início real da história e que o Agente Graves tem motivos muito mais profundos e sombrios em sua mente que simplesmente ajudar alguém a descobrir que acabou com sua vida e dar as ferramentas para se vingar. No fundo, acaba sendo uma história de vingança (como a maioria das boas histórias), mas não apenas pequenas vinganças pessoais, egoístas. Uma vingança muito maior, daqueles que dariam tudo para cumprir sua missão, mas são traídos de forma vil em busca de poder.

Anteriormente, 100 Balas foi publicada no Brasil em duas ocasiões, em ambos os casos de forma incompleta, pela Ópera Graphica (em edições isoladas e posteriormente, encadernados) e pela Pixel Media (em um formato de revista, mas com algumas edições em cada volume), A editora Panini, a princípio começou maio ou menos do ponto de onde a Pixel parou, que seria o terceiro encadernado e foi seguindo em frente, posteriormente, lançando os primeiros, até, enfim, encerrar finalmente a história no Brasil. Atualmente a Vertigo está lançando nos Estados Unidos Brother Lono, um spin-off da série produzido pela mesma equipe, com um dos personagens mais interessantes e casca-grossa já criados para as HQs.

Capa da edição n° 100, epílogo da HQ
Nos Estados Unidos, a história foi dividida em 13 encadernados (coletânias com edições com arcos de história), mas a Panini optou por dividir no Brasil os dois maiores em dois, fechando com 15 volumes, quase todos fáceis de achar nas comic shops espalhadas pelo país e também na internet. Antes de esquecer, gostaria fazer uma menção mais que honrosa ao responsável pelas capas, Dave Johnson, que são um show a parte e merecem destaque nesse texto por conseguirem captar a essência de cada história, transformando em uma única imagem carregada de sentidos, principalmente depois que se lê a edição. Outra coisa é o merecido parabéns à editora Panini, que em pouco mais de três anos conseguiu concluir essa publicação no Brasil, missão que até então tinha se mostrado impossível pelas editoras anteriores, dado o tamanho da obra e as oscilações do mercado.

Minha intenção é tratar de cada volume de forma isolada aqui neste blog, contando um pouco de cada arco, o que pretendo fazer de forma lenta e gradual, dado o tamanho da missão a que me proponho e o afinco com que pretendo fazer cada leitura e crítica. Espero que este texto sirva como um pequeno intróito dessa obra magnífica que faz valer a pena gastar um pouco de seu tempo e dinheiro acompanhando uma boa história.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

HQ Planetary volta a ser publicada no Brasil




Foi divulgada esta semana uma das melhores e mais esperadas notícias para quem curte Histórias em Quadrinhos (HQs) de Qualidade. O editor no Brasil do selo Vertigo, pertencente à DC comics, Fabiano Denardin, divulgou (não sem antes pedir desculpas pela demora) na homepage da vertigo/Editora Panini  que a editora, que publica o selo no país, vai lançar ainda este ano Planetary, com a história dos arqueólogos do impossível, roteirizada por por Warren Ellis e desenhada por John Cassaday.

De acordo com o editor, a coleção deveria ter sido iniciada há mais tempos, mas foi aos poucos sendo deixada pra depois, depois, mesmo sendo sempre lembrada nas mensagens deixadas pelos leitores no blog, que agora foram finalmente atendidas.

A série foi originalmente lançada pelo selo extinto selo wildstorm, que também pertencia à DC e durou 27 edições e será lançada em encadernados compilando algumas das edições originais num formato da panini que vem se consagrando no país: capa cartonada, papel LWC e precinho camarada, vide Fábulas e as já encerradas, Y – O último homem, Ex-Machina e a recém concluída (e perfeita) 100 balas, o que prova que vem dando certo, diferentemente do formato capa-dura e papel couchê, vide Transmetropolitan e DMZ, que além de muito caro, demora séculos entre o lançamento de uma edição e outra, quiçá, pode cancelar o título. Escolha apoiada por este que escreve e vem apreciando o trabalho feito pela panini, na gande maioria das vezes, com escolhas acertadas.

Esta será a quarta encarnação de Planetary no país, que já passou pelas editoras Pandora Books, Devir Livrari e Pixel Media, que, diga-se de passagem, foi uma das melhores editoras Vertigo no país antes da Panini, claro. Pena que teve vida curta, com o selo.

Em breve falaremos mais sobre Planetary aqui no blog.

Dexter e sua (im)possível missão de tornar um assassino adorável

Sabe uma história que te prende do início ao fim e te deixa com uma vontade cada vez maior de saber o que acontece em seguida? Foi assim que me senti ao assistir recentemente a primeira temporada da série televisiva Dexter, produzida pelo canal estadunidense Showtime e transmitida no Brasil pela canal pago FX. A produção é baseada na série de Romances homônima de Jeff Lindsay e foi adaptada pra a televisão pelo roteirista James Manos Jr. A história de um assassino que acaba nos fazendo ter simpatia por ele devido à forma como é apresentado e a todo um hall de interessantes coadjuvantes, a maioria deles com histórias individuais também incríveis.

O enredo da série narra as ações de um serial killer (Dexter Morgan, encarnado de forma perfeita por Michael C. Hall) cujo alter-ego é um minucioso perito em dispersão de sangue da polícia metropolitana de Miami, Estados Unidos. Dexter passou por um grande trauma na infância que o fez se tornar o que é e seu falecido pai adotivo, Harry Morgan (James Remar), que era policial, logo reconheceu esses instintos nele e, desacreditado do sistema judiciário, ensina o filho a só fazer mal a quem “mereça”, dentro de um código específico e muito rígido, ensinando-o a não deixar vestígios de seus atos para não ser apanhado e a fingir sentimentos normais aos demais seres humanos para conseguir estar no meio deles sem ser percebido. Assim, Dexter torna-se um serial killer de serial killers, ou seja, só mata aqueles que, assim como ele, matam pessoas, desde que não tenham nenhum motivo tão importante quanto o dele. 


A história é contada em primeira pessoa, sob o ponto de vista de Dexter, que também é o narrador e faz interessantes reflexões sobre coisas cotidianas que ninguém nota, mas ele observa com estranheza, devido a todo serial killer ter como característica básica a ausência de sentimentos comuns aos demais humanos, como amor, amizades, saudade. Com Dexter não é diferente. 

Também são freqüentes os flashbacks com o treinamento do protagonista por seu pai adotivo. Interessante a forma como eles complementam a história que se passa naquele momento atual e fazem o telespectador entender melhor como Dexter se tornou um meticuloso assassino de assassinos que não deixa nenhum rastro para trás.

No momento, acabei de assistir um dos episódios da temporada anterior para ter um mínimo de compreensão do que se trata a atual.  Assisti a segunda temporada e pelo que pude perceber, cada uma delas é um arco de histórias com doze episódios e um enredo maior como pano de fundo, fechando-se de forma mais ou menos isolada e muito convincente, quase que tornando cada temporada independente uma da outra e ao mesmo tempo complementar. Ou seja, não é necessário assistir cada um dos episódios da temporada anterior para se ter um mínimo de compreensão do que se passa.

Atualmente Dexter está em sua oitava e última temporada. Nesses momentos me pergunto, onde eu estava pra não ter sido apresentado antes à esta ótima produção. Quanto tempo perdido. Ainda bem que sempre é possível encontrar boxes dessa série no mercado.

Essa é apenas uma espécie de apresentação da série. Em breve pretendo fazer pequenas críticas resumindo as temporadas. Espero que tenha gostado. Deixe suas críticas e sugestões de outras séries televisivas, livros, discos ou quadrinhos, etc. Até a próxima!