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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Desvendando os clássicos do Rock (nunca é tarde demais)

Há muitos anos curto o Rock’Roll como estilo musical, principalmente o nacional, que, a bem da verdade, hoje sei que tem muito mais cara de PopRock. Sempre tive um pouco de preconceito às avessas com relação a esse estilo de música, pois não tinha a mente aberta às bandas seminais e enxergava as bandas nacionais que tanto gostava (sobretudo a Legião Urbana e os Engenheiros do Hawaii) como um processo a parte, totalmente diferente e isolado do que acontecia lá fora. Ledo engano.

Há algum tempo, finalmente me propus a ouvir algumas canções da banda inglesa Led Zeppelin, que, até então, só conhecia de nome. Ouvi o primeiro disco em um arquivo .mp3 que me foi passado por um amigo e, de cara, gostei muito daquela forma de expressão. Os caras faziam um som tão visceral e ao mesmo tempo tão moderno, ousado e elaborado, completo. Tudo isso ainda no finalzinho dos anos 60, início dos 70! Tudo bem que era uma época e país (guerra fria e o movimento Hippie, por exemplo) que muito contribuíram para que os sentimentos aflorassem gerando campo fértil para seu surgimento.

Formação original do Led Zeppelin
Aos poucos fui buscando os outros álbuns na intenção de conhecer melhor aquela banda que foi tão importante para a evolução do rock, entrando por várias outras vertentes musicais, como o blues, reggae, folk, jazz, entre outros, variando suas canções entre mais acústicas (algumas beirando o bucolismo de um cenário descrito por J.R.R. Talkien (autor de "O Senhor dos Anéis") em seus livros, que também exerce forte influência sobre “clima” da banda) ou mais pesadas, com vocais muitas vezes raivosos de Robert Plant. Tudo na dose exata, entre flautas, gaitas, violões de 6 e 12 cordas e guitarras distorcidas.

Só pra citar algumas das mais “carimbadas”, temos “Moby Dick”, com sua grudenta linha de guitarra distorcida, nas cordas graves, ou a introdução da controversa “Stairway to Heaven” (que muitos dizem ter uma letra repleta de mensagens subliminares), com seu lindo dedilhado executado por Jimy Page e cobiçado por todos que um dia na vida quiseram tocar violão. Não poderia aqui deixar de citar “Dy’er Mak’er”, com sua pegada reggae, quando esse estilo musical praticamente ainda nem existia (pelo menos, não fora da Jamaica) e também a cinematográfica “Kashmir”, com uma virada instrumental na introdução de tirar o fôlego até mesmo de quem não gosta de Rock e já, meio que plantando sementes pra o futuro da música, com pegadas que sugerem o que hoje se chama música eletrônica. 

O Black Sabbath: Raízes do Heavy Metal
Depois dessa, veio pra mim a, também britânica, Black Sabbath, com um som mais pesado e com um visual e letras que remetiam a histórias de terror, tão presentes em livros e filmes que já faziam sucesso nos anos 60 e permeavam e ainda permeiam a imaginação das pessoas. Com eles percebi uma ousadia diferente. Um som mais pesado mesmo. Guitarras distorcidas são a tônica. Um vocal agressivo, gritado, quase gutural de Ozzy Osborne. Riffs de guitarra inesquecíveis por Tony Iommi, como os de “Iron Man” ou “Paranoid” e também "N.I.B", ambos, praticamente sobrenaturais. Vale destacar a ótima, triste e diferente "Changes", tocada ao piano e com arranjos orquestrais (uma exceção)  Essas duas primeiras bandas podem ser consideradas as responsáveis pelo nascimento do Heavy Metal.

A banda australiana AC/DC
A última que tive acesso e, até agora, apenas um disco (infelizmente, mas contornável), mas que me deixou perplexo é AC/DC. Uma banda seminal do que hoje se entende por HardRock. Praticamente a mãe do Guns N’Roses. Não tem como ouvir Welcome to the Jungle sem entrar de cabeça também no mundo do AC/DC (pelo menos, quem já ouviu alguma coisa dos caras). “Highway to Hell”, com seu riff mais que clássico. “Girls got Rhythm” é outra, presente neste mesmo álbum, que é um show à parte. Outra, muito “foda”, porém de outro álbum é a “Back to Black”, também lembrada com uma das melhores da banda. Os riffs iniciais da canção tocados na guitarra por Angus Young

A convergência
Após essa breve iniciação principalmente com essas, mas também com outras bandas, fui ouvir novamente minhas queridas representantes nacionais do Rock e nunca mais as vi com os mesmos olhos. Vi várias formas de influência dessas e de outras bandas. Só pra dar um exemplo, lá no meio de um disco da fase madura da Legião Urbana (V), tem uma canção chamada “Metal Contra as Nuvens”. Quem já ouviu “Stairway to Heaven” (Led Zeppelin) ao menos uma vez e tem o mínimo de senso musical, deve perceber a proximidade musical que há entre as duas, tanto letra quanto música parecem dialogar uma com a outra em muitos momentos. Conhecer o Led Zeppelin só fez enriquecer a experiência musical de uma música que eu já gostava tanto.

Assim como essa, há outras que não vou expor aqui por falta de espaço e também porque, infelizmente, me fogem à lembrança. Aproveito a deixa pra dizer que em breve farei uma espécie de resenha de alguns dos discos aqui citados para que você também possa deixar seu comentário sobre eles. Aliás, se quiser, pode deixar nesse texto mesmo suas críticas (construtivas sempre, por favor), sugestões ou, quem sabe, ideias para novos textos.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Expectativa: 4ª Temporada de The Walking Dead faz uma pausa em ótimo momento

Cartaz apresenta protagonistas
Aproveitando a pausa de “Mid Season” da quarta temporada da série “The Walking Dead” (ela volta em fevereiro de 2014), gostaria de tecer aqui alguns comentários sobre o andamento dessa temporada até agora.

Após a ótima, mas mal encerrada, terceira temporada, a série vinha num ritmo meio devagar, com algumas boas surpresas, como o assassinato a sangue-frio de alguns dos moradores da prisão e a descoberta da avassaladora da identidade do o assassino e, consequentemente, o crescimento dramático de uma personagem que há tempos já não tinha mais razão de ser na série. A verdade é que, aos poucos, tudo foi ficando num ritmo lento, pois a história praticamente parou para reinserir o governador (que andava sumido desde o final da temporada anterior) naquele universo distorcido pós-apocalíptico. Foi parecendo que ele estava mudando, evoluindo e se tornando uma pessoa melhor, até que nos últimos episódios, dar um tapa na cara de quem acreditava nisso, o Governador volta a ser o grande FDP que todos adoram odiar e, no fundo, sabiam que ele continuava sendo assim

Carol: Personagem sofre  mudanças
Parece que todas as surpresas foram guardadas para esse último episódio antes da já tradicional pausa de final de ano. O tão esperado confronto entre o grupo que reside na prisão e o governador finalmente aconteceu de verdade (o que houve no final da temporada passada, pareceu uma ejaculação precoce, perto disso!).

Houve baixas dos dois lados. Algumas bem inesperadas pelo andamento que a história vinha levando. Uma briga mano-a-mano (bem briga de rua mesmo) entre o Governador e Rick. Com uma conclusão mais que surpreendente, também pra todos os lados.

Estou evitando ao máximo por spoilers aqui, mas fica bem difícil falar dessa série sem falar dos acontecimentos. As vinganças pessoais, as motivações dos personagens e as transformações porque passaram ao longo dos últimos três anos.


Se ainda não deu chance à esta série, já está passando da hora. Não perca mais tempo. Se já conhece, só nos resta roer todas as unhas, enquanto esperamos a volta dessa que é, sem dúvida, a série mais assistida e comentada da atualidade. 

Episódio que marcou pausa da temporada é clímax da série

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Planetary finalmente está disponível para os fãs de HQs de super-heróis e ficção científica

Capa do primeiro volume: 
problema na mistura de cores 
A editora Panini Comics lançou no final do mês passado, com algum atraso (era pra ter saído em outubro), o primeiro volume da HQ “Planetary” - Pelo Mundo Todo, de Warren Ellis (roteiro) e Jonh Cassaday (arte) como havia prometido e, à época, foi divulgado aqui mesmo nesse blog. A edição inclui os seis primeiros números da série mensal e pode ser adquirida, senão em bancas (em algumas regiões do país), ao menos em Comic Shops físicas ou virtuais espalhados pela web. 

Como sempre (ou pelo menos, na grande maioria das vezes) o resultado final do trabalho da editora foi bastante produtivo, apresentando um produto de qualidade, apesar do preço um pouco salgado (R$ 21,90) devido ao número de páginas e seu acabamento. O recém-lançado pela própria Panini “Os Livros da Magia”, por exemplo, tem praticamente o mesmo número de páginas, acabamento em papel couchê e capa dura e custa pouco mais que esta edição que tem capa cartão e papel LWC, que garante qualidade de impressão, é certo, mas não tão legal quanto o ótimo couchê.

O roteiro de Planetary é um primor que inclui viagens personagens que remetem às literatura Pulp (quadrinhos e livros antigos de mistério, crimes e ficção científica em papel de baixa qualidade) viagens no tempo, uma arqueologia totalmente às avessas da tradicional, entre outras surpresas ao longo das edições da série. A arte de Cassaday é um show à parte, com sua anatomia beirando à perfeição e cenas que às vezes mais parecem tomadas de cinema realizadas por um ótimo diretor. Não podemos deixa de destacar a paleta de cores usada por Laura Martin, sempre precisas em belas na medida certa.

O Planetary é formado por Jakita Wagner (super-forte), Elijah Snow (líder e tem a habilidade de dominar o frio) e Baterista (habilidade de se comunicar com máquinas). Os arqueólogos do impossível, como se auto-intitulam, investigam a história secreta do século XX, o que inclui muitas aventuras, no mínimo inusitadas recheadas de referências às mais variadas de expressão da cultura pop mundial, como a já citada literatura pulp e os filmes japoneses de monstros. 

Capa prevista para o segundo volume
Uma boa surpresa desse volume é a inclusão do preview de Planetary, publicado nos idos de 1999 como bônus em algumas edições da Wildstorm (selo da DC Comics) como uma pequena apresentação da série, então vindoura. O prefácio é um presente aos leitores, assinado por ninguém menos que o mago barbudo dos Quadrinhos, Alan Moore, autor de obras clássicas e seminais, como “V de Vingança”, “Watchmen”, “A Piada Mortal”, entre tantas outras.

Ah. A editora já promete o segundo volume: Planetary: O Quarto Homem, para este mês. Esperamos que dessa vez tudo dê certo e saia no prazo prometido. A série está prevista para ser completada em quatro volumes (compilando suas 27 edições individuais), e, se o ritmo de publicação for minimamente mantido, deve ser encerrada em meados do ano que vem.

Um ponto negativo foi a escolha de cores da capa, que ficou meio borrada ao ponto de parecer lavada, como se tivesse perdido a cor. Mas isso, até onde sei é porque está sendo seguido e esquema de capas originais, não sendo diretamente culpa da publicação nacional.


Um pouco da História
Nesses primeiros números somos apresentados ao Planetary, seu conceito e personagens, e acompanhamos algumas de suas aventuras, como a primeira edição, em que Jakita encontra Snow e o convida a fazer parte da equipe e ajuda-la a desvendar a história secreta do século XX, ou ainda a segunda edição, que faz uma brincadeira com os monstros japoneses e seitas messiânicas. 

A história vai aos poucos tomando contorno e o que parecia não ser nada demais há algumas páginas vai mostrando sua razão de ser devagarzinho. 

Esse foi só um pequeno aperitivo sobre a edição em si e sua qualidade técnica. Em breve devo publicar uma resenha de verdade sobre a história desse primeiro volume. 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Ultiverso Marvel: Em queda nas HQs e em alta nos cinemas

Versão Ultimate dos personagens
Uma das coisas mais interessantes que surgiu no mainstream das HQs norte-americanas no início dos anos 2000 foi o lançamento do Universo Marvel Ultimate (ou "Ultiverso"), que, na prática, são versões atualizadas dos personagens do universo Marvel tradicional, produzidas por artistas promissores, como os roteiristas Mark Millar (Ultimate X-Men e Os Supremos “Ultimates”) e Brian Michael Bendis (Ultimate Homem-Aranha) e os desenhistas Mark Bagley (Ultimate Homem-Aranha), Adam Kubert (Ultimate X-Men) e Brian Hitch (Os Supremos “Ultimates”) das origens e trajetórias de personagens da editora que, de uma forma ou de outra, já se encontravam bastante defasadas em relação à atualidade, muitos deles, do início dos anos 60, como é o caso dos X-Men, Homem-Aranha, Quarteto Fantástico, só pra citar alguns dos que já foram lançados dentro dessa linha.

Essa foi uma espécie de "Reboot" dos personagens inspirada no sucesso do, então, recém-lançado primeiro filme dos X-Men e, posteriormente, do Homem-Aranha, atualizando a maioria dos conceitos originais, como se cada um deles surgisse nos dias atuais. O resultado foram origens e histórias contadas de forma bem inovadoras e diferentes daquelas que estávamos acostumados, mas ao mesmo tempo, respeitando as ideias originais principais, como a famosa frase: “Grandes poderes, vêm grandes responsabilidades”, uma espécie de código seguido pelo Homem-Aranha.

A diferença em relação à atitude recente da DC de fazer um “Reboot” em toda a acepção da palavra é que a DC realmente “zerou” sua cronologia, desconsiderando praticamente tudo que fora publicado antes, enquanto que com o Ultiverso (muitos anos antes, importante salientar), a “Casa das Ideias” teve uma atitude menos corajosa, visto que o universo Marvel tradicional se manteve, sendo essas histórias meio que uma linha “Elsen Worlds” (no Brasil, “Coleção Túnel do Tempo” da DC, na época da Editora Abril, que publicava histórias alternativas fora de cronologia da DC) da Marvel.

O Ultiverso começou a ser publicado ainda pela editora abril nos idos do início deste século sob o título de Marvel Século 21 (com histórias das versões Ultimate do Homem-Aranha e dos X-Men) e posteriormente renomeada de Marvel Millenium pela Panini Comics, que hoje ainda detém os direitos de publicação da linha, que já foi renomeada novamente e hoje, finalmente chamada de Ultimate Marvel e já passa da quadragésima edição.

O novo Ultimate Homem-Aranha
Crise no Ultiverso
O tempo passou e uma das principais intenções desse relançamento, que era atrair novos leitores por desconsiderar toda aquela intrincada cronologia do Universo Marvel tradicional que acabava afastando quem não lê, fazendo com que continuasse assim, caiu por terra. Aconteceu o inevitável, cerca de dez anos de histórias mensais e minisséries especiais acabaram dando espaço ao surgimento de uma nova (e também intrincada) cronologia e as vendas, excetuando-se a sempre ótima Ultimate Homem-Aranha, começaram a cair a níveis que praticamente não valia mais a pena continuar com a publicação dessas HQs.

Já houve relançamentos e mais relançamentos e megassagas, edições especiais e etc, mas a verdade é que aquele frescor original nunca mais foi o mesmo. Hoje o ultiverso ainda existe, mas não é mais a mesma coisa. Mais uma vez, destaque para o Homem-Aranha, que já mudou até de alte-ego, com (*início do spoiler) a morte de Peter Parker (fim do spoiler), mas mesmo assim, continua rendendo boas histórias.

Hoje o Ultiverso está ficando cada vez mais parecido com a Marvel tradicional, tendo, inclusive contratado roteiristas e artistas que fizeram carreira lá, deixando os argumentos dos dois muito similares, o que praticamente tornou sem sentido sua existência como um universo à parte.

Arte de Joe Madureira: Volta da Marvel Ultimate aos anos 90

Adaptação cinematográfica
dos Vigadores
A inversão de Papéis
Além do Homem-Aranha, ótimas histórias dos Vingadores, nesse universo conhecidos como Ultimates (no Brasil, Os Supremos), foram contadas pelo escritor Mark Millar e o desenhista Brian Hitch, nos dois ótimos primeiros volumes da série (com 13 edições, cada). Na conversão para o cinema dos Vingadores aconteceu exatamente o inverso dos X-Men e do Homem-Aranha, por exemplo. Enquanto as outras séries surgiram devido ao sucesso dos filmes, a dos vingadores (e seus personagens solo), surgiram, sobretudo, a partir das ideias apresentadas nesses dois primeiros volumes das HQs do universo Ultimate.

Vale lembrar a importância destes terem sido produções da própria Marvel, o que acabou contribuindo para o surgimento de um Universo Marvel no cinema e não apenas filmes com personagens ou equipes isoladas, como acontecia e ainda hoje acontece, devido principalmente à pluralidade de estúdios que trabalham com os personagens, os direitos dos personagens X-Men, por exemplo, pertencem à Fox, o Homem-Aranha, à Sony, já de todos os vingadores estão com a Marvel Studios, proporcionando campo fértil para o nascimento do Universo Marvel nos cinemas, rendendo hoje boas histórias tanto da equipe quanto filmes individuais, como o vindouro Capitão América – Soldado Invernal, segundo filme do personagem, cujo trailer promete ser bem superior ao primeiro.

Ultimates: os Vingadores do Ultiverso


*Selecione o texto para poder ler o spoiler.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Forma x Conteúdo: Como todo mundo pode ganhar com isso?

A discussão: Forma x Conteúdo é tão antiga que nem vale a pena procurar pelo contexto de seus primórdios, mas pode nos levar e também os empresários de vários ramos, como o do entretenimento (que é o que aqui tratamos) a pensar sobre o assunto e, dessa forma, tentar maximizar os resultados das vendas dos produtos que colocam no mercado. Colocarei aqui dois exemplos para que possamos alargar um pouco os horizontes do assunto, ou, pelo menos, pôr mais lenha na fogueira. O que também é muito válido, pois pode gerar algum resultado positivo, quem sabe?


Versão encadernada em
volume único de Watchmen


Versão em dois volumes e capa mole














As HQs
No mundo pop essa discussão é muito válida, quando se leva em consideração o lançamento livros e HQs (Graphic Novels), por exemplo, um formato muito luxuoso e recheado de extras quase sempre acaba se elitizando o produto que, a princípio, é descompromissado e juvenil. O que seria, no mínimo, uma contradição por reduzir ainda mais o público de um produto que já é considerado de nicho.

Uma boa alternativa para se contornar o problema, que já é feito nos mercado norte-americano há tempos e aos poucos os empresários do nosso vem tomando como exemplo, é o lançamento do mesmo produto em mais de uma versão. Com opção de capa dura e papel de qualidade ou capa mole e papel mais barato, com ou sem os famosos “extras”, que algumas vezes são muito interessantes, mas noutras não passam de pequenos “fetiches” para leitores mais fanáticos que, no final das contas, só servem para aumentar os preços e afastar muitos possíveis leitores com menos dinheiro disponível para gastar.

A Panini, maior editora de quadrinhos do país vem lançado alguns de seus produtos dentro dessa lógica, como as “Graphic MSP” (aqui já tratadas em outra ocasião), que têm opção em capa dura ou mole, com preços diferentes ou mesmo Watchmen, que quando lançada por esta editora pela primeira vez veio com opção em volume único, em capa dura e papel couchê ou em capa mole e papel pisa-brite dividida em dois volumes.

A opção da Devir: mesma
capa para as duas versões
O mesmo também vem sendo feito por editoras menores pela Devir, em suas edições da Liga Extraordinária e também de Umbrella Academy, ambas com acabamento em versão capa dura ou mole. Não podemos deixar de citar aqui a interessante situação da HQM, que lançou The Walking Dead (Os Mortos-Vivos) inicialmente em encadernados com arcos completos e hoje lança em edições mensais (agora, quinzenais), com o conteúdo de apenas uma edição gringa em seu formato original. Mesmo assim não encerrou a coleção de encadernados, que atualmente está em seu 12º volume e tem previsão de mais no ano que vem. Atualmente, o leitor tem as duas opções, comprar pacientemente as quinzenais ou os encadernados, cuja história já está bem mais adiantada e é fácil encontrar números atrasados, principalmente em lojas na internet.

Outra solução interessante é a criação de um meio termo, como aconteceu recentemente com “Livros da Magia”, de Neil Gaiman, uma minissérie completa com capa dura e papel de qualidade pelo preço de pouco mais de R$ 20. O segredo? Impressão na Ásia, que reduz significativamente os custos de produções e se reflete positivamente para o mercado no preço e qualidade do material.

Capa da edição de estreia da mensal
The Walking Dead no Brasil
Capa do primeiro volume
encadernado da série















Os DVDs/Blu-rays
Interessante esse mercado, que desde sempre ofereceu o produto em várias versões para agradar diferentes tipos de consumidores. Já vi em um, dois, ou até três discos, com vários extras (e preços astronômicos) para agradar os fãs mais exigentes. Veja bem. Com isso, todos ganham. A pessoa escolhe a configuração do produto que melhor atende seus interesses: Se deseja só o filme, beleza, se deseja o filme, mais documentários e um monte de informações, também.
Versão especial de Cavaleiro das
Trevas Ressurge
E sua versão mais simples



Pena que o mercado fonográfico não aprende com essas coisas. Os CDs (que aos poucos vão se tornando peça de museu) continuam, na maioria das vezes, sendo lançados em versão única, ou no máximo dividindo um duplo em dois, o que na verdade não é tanta vantagem, visto que quem compra quer o álbum completo, e não apenas metade, ou ainda em formato de LP à preços muito pouco competitivos (aí, sim fechando-se em um nicho minúsculo). Esse produto também poderia ter acabamentos diferenciados lançados ao mesmo tempo, com encartes onde constam as letras, fotos e artes complexas ou simples, com caixinhas de plástico ou papel, entre outras coisas.  

Assim todos ganhariam e o mercado se tornaria mais saudável, ao tempo em que quem desejar um produto, poderá tê-lo exatamente do jeito que atende seus interesses. 

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Review: Thor - O Mundo Sombrio

Enquanto o primeiro filme do “Thor” (2011), de Kenneth Branagh é bem mais ou menos, apenas cumprindo sua contribuição como um dos necessários prelúdios para integrar a posterior trama dos “Vingadores” (2012), “Thor – Mundo Sombrio” (ainda em cartaz) dá um avanço na história específica deste herói, provando que ele pode sim sustentar sozinho uma franquia de forma interessante. E olha que gosto de HQs, mas nem, de longe, sou o maior fã desse personagem.

O protagonista apresenta um bom desenvolvimento durante a trama e os personagens coadjuvantes conseguem ter seus momentos de glória na fita, com a Jane Foster (a oscarizada Natalie Portland), interesse romântico do protagonista, se tornando uma peça chave para o desenrolar do enredo, a mãe de Thor, Frigga (Rene Russo) também é outra, que em poucas cenas consegue mudar todo o andamento do filme. 

Mas o destaque mesmo, como sempre, vai para Loki, que consegue ser muito mais interessante e sarcástico que nas HQs, o que se deve muito à brilhante atuação de Tom Hiddleston, que muitas vezes consegue até roubar a cena, tornando-se inclusive mais interessante que o próprio Thor (Chris Hemsworth) e, indiretamente contribuindo para que o personagem de seu irmão ganhe maior destaque devido à relação dos dois. As melhores cenas, com certeza, são as que ele está presente. Inesquecível a que ele fica mudando de aparência enquanto conversa de forma descontraída com seu irmão.

As mulheres têm papel importante em "Mundo Sombrio"

A direção dessa vez ficou por conta de Alan Taylor, que veio de ótimas séries de TV, como "Game of Thrones", portanto, trazendo uma abordagem diferente e de qualidade para compor Asgard, por exemplo (que ficou menos iluminada e mais suja que no primeiro filme) e para conduzir a trama de forma coerente e eficaz. 

Interessante salientar que nos cinemas o Thor (até mesmo seu uniforme) é uma espécie de amálgama do personagem do Universo Marvel tradicional com o do Universo Ultimate (mais atualizado), diferentemente do que aconteceu com os demais personagens, onde praticamente tudo que se passou no tradicional foi rejeitado, criando-se a gênese da história basicamente de "Os Supremos", de Mark Millar (roteiros) e Brian Hitch (arte). 

Trata-se de um bom filme de ação para quem procura por isso.  O único detalhe negativo, que também percebi em "Homem de Ferro 3" (de Shane Black), que meio que praticamente isolou completamente o personagem do Universo Marvel nos cinemas que está em crescimento no cinema. Poxa, não era preciso que todos aparecessem e ajudassem Thor a lidar com Malekith, mas o universo estava em perigo e é necessário, pelo menos, dar uma boa desculpa para que eles não possam ajudá-lo em uma crise tão grande. A desculpa poderia ser até mesmo os problemas que cada um deles vem enfrentando em seus longas. Já tava valendo.


Sobre o enredo (Praticamente sem spoilers):

Loki: ótima atuação de Tom Hiddleston 
A história de "Thor – Mundo Sombrio" se passa algum tempo após os eventos mostrados em “Os Vingadores”, com o protagonista e seus aliados lutando para pacificar os Nove Reinos da mitologia nórdica, quando ressurge uma antiga raça há muito derrotada por Borr (o pai de Odin) chamada “Elfos Negros”. Eles dominavam bem a arte da guerra, inclusive armas de fogo e de alta tecnologia e eram liderados por Malekith (Christopher Eccleston), um grande estrategista cuja intenção é recriar o grande Caos, ou Era Sombria, quando os Elfos Negros dominavam o mundo. O vilão, supostamente morto há centenas de anos, reaparece e agora detém em suas mãos o Éter, uma arma capaz de tornar seus planos realidade e a única força capaz de detê-lo, ou pelo menos, tentar é Thor e seus aliados.   

Os mundos estão entrando em convergência, que é um momento único, onde há espécies de buracos de minhoca entre os nove reinos e se pode viajar entre eles sem necessidade de passar pela Ponte do Arco-Íris (ou Bifrost) ou qualquer outro artifício, como se tivesse entrando sorrateiramente por uma janela de um mundo para o outro. Destaque para a cena de batalha que se passa em todos os mundos ao mesmo tempo e termina de forma, no mínimo, inesperada.


Malekith: um vilão com sede de poder e uma poderosa arma nas mãos

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Review: Segunda temporada de Dexter

Dando continuidade às resenhas que me propus a fazer sobre a telessérie "Dexter", chegamos finalmente (atrasados. Reconheço minha culpa!) à segunda temporada, quando a trama fecha um bocado o cerco sobre nosso protagonista. Lá vem spoilers: Só pra começar, os corpos das vítimas de nosso assassino serial preferido são descobertos no fundo do mar de Miami e o FBI entra em cena para iniciar uma investigação sobre o criminoso que a imprensa apelidou de “Açougueiro de Baía de Harbor” (Bay Harbor Buthcer), devido ao estado em que suas vítimas se encontravam, totalmente desmembradas.

Os problemas de Dexter não param de crescem. Com a entrada do FBI nas investigações, também entra em cena o agente especial Frank Lundi (Keith Carradine), cuja especialidade é exatamente encontrar e capturar assassinos seriais, colocando o pescoço do nosso protagonista em risco. Posteriormente ele inicia um relacionamento com a irmã de Dexter, Debra Morgan (Jennifer Carpenter), complicando ainda mais a situação para todos.

Como se isso não bastasse, as desconfianças do Sargento James Doakes (Erik King) sobre  Dexter beiram ao absurdo e ele passa a ser sua sombra, perseguindo-o por toda parte. A princípio, “Dex” tira tudo de letra, levando Doakes exatamente para onde ele quer. Fazendo-o cansar de persegui-lo, até finalmente poder ficar livre por alguns momentos para dar continuidade ao seu "trabalho". Mas, como era-se de esperar, as coisas tomam rumos inesperados, deixando Dexter em uma situação totalmente nova até então.

Lila aparece e complica mais a vida de Dexter
Rita (Julie Benz) finalmente começa a perceber as atitudes estranhas de seu namorado e passa a pressioná-lo a fim de entender o que se passa, finalmente, acreditando que Dexter é viciado em drogas e incentivando-o a se tratar para solucionar o problema. Mal sabia ela que durante o tratamento ele conheceria a artista plástica Lila Tournay (Jaime Murray), uma inglesa, que torna-se sua “madrinha” durante o tratamento, e acaba entrando em um relacionamento afetivo com Dexter, mas quando ele vai conhecendo-a melhor percebe que ela tem muito mais problemas que ele mesmo e acaba colocando sua família em risco.

O cerco vai fechando mais e mais e o foco da investigação acaba mudando drasticamente até terminar tudo de uma forma totalmente inesperada por quem vinha assistindo os doze episódios dessa ótima temporada.

As aparições de Harry Morgan continuam presentes como Flashback e muitos novos detalhes importantes sobre o passado de Dexter e também de seu pai vão sendo inseridos aos poucos na trama, fazendo com que a história torne-se mais intrigante a cada episódio. 



Mais uma vez a trama se fecha em si, sem deixar a entender o que acontecerá na próxima temporada o que para a audiência torna-se muito bom, pois não fica aquele clima de suspense e, caso não venham a serem produzidos mais episódios, ao menos não ficam tantas pontas soltas a ponto de ficar sem sentido um ponto final relativamente satisfatório ali mesmo.

Clique aqui e confira a resenha da 1ª Temporada.
Ou aqui e leia uma breve análise sobre a série.  

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Super-heróis no cinema: uma difícil trajetória

Adaptar histórias em quadrinhos (sobretudo de super-heróis) para o cinema sempre foi uma dor de cabeça para diretores e produtores da sétima arte, salvo raríssimas exceções, como o primeiro "Superman" (1978), de Richard Donner de ou "Batman" (1989) e "Batman - O Retorno", ambos de Tim Burton, e todos da DC Comics e produzidos pela Warner Bros. O roteiro nunca ficava redondo, os efeitos especiais geralmente deixavam muito a desejar, as produções nunca tinham um ar profissional e, por isso, quase nunca eram levadas a sério pelo público ou pela crítica.



A primeira grande mudança
No início dos anos 2000 as coisas mudaram de um jeito que até hoje estão ficando cada vez mais comuns ótimas adaptações desses personagens, que antes eram incógnitas e já se tornaram sinônimo de alto faturamento para os estúdios, pelo menos na maioria das vezes. O pontapé inicial desse ciclo inesperadamente veio com personagens da Marvel pela Fox, com X-Men (2000), de Brian Singer. Com esse filme os personagens realmente são transformados em pessoas, a credibilidade da história os tornou cativantes, quando se tira toda a extravagância dos uniformes multicoloridos e personagens quase onipotentes e roteiros beirando à infantilidade, pode-se sim, ter um bom filme de super-heróis.

Daí em diante foi ladeira acima (sobretudo para os heróis da Marvel), com o megassucesso de Homem-Aranha (2002), de Sam Raimi, Demolidor (2003), de Mark Steven Johnson, X-Men 2, também de Singer e X-Men – O Confronto Final, dessa vez, pelas mãos de Brett Ratner e mais dois filmes do Homem-Aranha (ambos também de Raimi). Claro que como toda regra, essa também tem exceções, que foram o fraco primeiro Hulk (2003), de Ang Lee e o estranho Motoqueiro Fantasma (2007), de  Mark Steven Johnson. Até aí todos se tratavam de Histórias de estúdios diferentes e, portanto, auto-contidas, sem nenhuma referência à existência de outros super-heróis, como se cada filme tratasse de um "universo" diferente.


O surgimento do Universo Marvel nos cinemas 
O, hoje distante, ano de 2006 foi quando aconteceu a grande virada. A Marvel Studios veio com o que, sinceramente, mais parecia um blefe naquele momento. Como quem não quer nada, lá no finalzinho da fita do Homem de Ferro, de Jon Favreau, após os créditos, uma pequena cena surge com ninguém menos que Nick Fury (intepretado por Samuel L. Jackson, como era de se esperar por quem leu a HQ “Os Supremos”) convida Tony Stark a integrar uma equipe que ele estaria formando. Os olhos dos velhos leitores das HQs da Marvel (carinhosamente conhecidos como marvetes) brilharam, mas com aquele quê de desconfiança. Então em 2008 vem o segundo filme do Hulk (“O Incrível Hulk”, de Louis Leterrier), que além de ser mil vezes superior  ao primeiro (sob vários aspectos), ainda dá outra deixa para a tempestade que se forma no horizonte, com uma aparição de Tony Stark em uma nova cena pós-créditos. No Homem de Ferro 2 (2010) vira baderna e já é praticamente um prólogo para os vingadores. Aí veio o Thor, de Kenneth Branagh, e o Capitão América, de Joe Johnston, (ambos de 2011) e o filme dos Vingadores já era uma certeza naquele momento, que finalmente veio à luz em 2012, pelas mãos do diretor, produtor e também roteirista de quadrinhos, Joss Whedon.

Vários heróis em um único estúdio vinculado à Disney e à própria Marvel Comics foi um grande acerto, propiciando esse grande "Crossover" (como é conhecido o encontro de heróis de revistas diferentes) cinematográfico da Marvel. Enfim, finalmente veio em 2012 o esperado filme que amarraria todas as pontas soltas dessas histórias: “Os Vingadores”, um megassucesso de bilheteria, que se tornou um novo ponto de virada da Marvel Studios, a partir de onde se encerrou o que eles chamaram de Fase Um, cuja Fase Dois foi iniciada este ano, com "Homem de Ferro 3", de Shane Black, e continua com o segundo filme do Thor, “Mundo Sombrio”, de  seguindo em 2014, com “Capitão América 2 – Soldado Invernal”. E Muita coisa boa ainda deve vir por aí.


Hoje a Fox, que detém os direitos do universo mutante entendeu que essa interligação dos personagens é viável e bem interessante financeiramente e está preparando para o ano que vem "X-Men - Dias de um Futuro Esquecido", que efetivamente une de as franquias, X-Men, X-Men - Primeira Classe e Wolverine, que eram praticamente isoladas, visto suas histórias algumas vezes até se contradizerem, diferentemente do que ocorre com os filmes da Marvel Studios.



O mais interessante é que tudo teve início lá na década de 60, quando um certo senhor Stan Lee, o lendário roteirista e criador de tantas outras lendas da Marvel Comics (e hoje grande entusiasta dos filmes e onipresente em todos eles com pequenas participações especiais)  se perguntou porque mesmo que todos esses heróis não poderiam viver em uma mesma realidade (ou mesmo cidade) e se encontrarem ocasionalmente para trocarem sopapos entre si ou, quem sabe,  enfrentar uma ameaça que apenas um deles possa conter sozinho.

Enquanto isso, na DC/Warner... 


A DC/Warner, por sua vez, deu início a uma única franquia, porém, de alta qualidade e também altamente lucrativa, iniciada com “Batman Begins” (2003), seguida por “O Cavaleiro das Trevas” (2008) e finalizada com “O Cavaleiro das Trevas Ressurge” (2012), todos capitaneados sabiamente por Cristopher Nolan. Esse ano lançou uma nova aposta: O Homem de Aço (Zack Snyder, com produção do mesmo Nolan do Batman). Esse ano, finalmente “caiu a ficha” (termo um tanto fora de moda, mas que vem à calhar na situação) desse grande estúdio e eles anunciaram que estão preparando um filme que promete dar início à união de dois de seus grandes ícones: “Batman vs. Superman”, sendo o possível início do avanço do universo DC nos cinemas, quem sabe o primeiro passo para um filme da Liga da Justiça, num futuro não tão distante.



terça-feira, 19 de novembro de 2013

Relançamentos: uma novidade bem-vinda ao mercado de quadrinhos brasileiro

Uma nova cultura que vem sendo criada nos últimos anos nas bancas e livrarias brasileiras com relação às HQs: O relançamento de edições, sobretudo as clássicas, o que há alguns anos era raridade no mercado e, graças principalmente ao trabalho da editora italiana Panini hoje vem se tornando cada vez mais comum.



Ter a história completa de "V de Vingança" (Alan Moore e David Lloyd), por exemplo, só quem tinha comprado a minissérie da editora Globo (que posteriormente foi encadernada), que já tinha bem mais de duas décadas de lançamento ou o encadernado da própria Panini, lançado em 2006 e do ano passado até agora já está em seu segundo relançamento.

Assim também foi com as edições definitivas de "Sandman" (Neil Gaiman, entre muitos outros), também da Panini, cujo volume 4 acaba de ser lançado e o primeiro e segundo (que  estavam esgotados) estão em vias de relançamento,  tal qual o primeiro volume de "Preacher" (Garth Ennis e Stive Dillon), também esgotado,, ambas séries muito aclamadas por público e crítica, portanto, com vendas, como comprovam as lojas virtuais, onde se esgotam rapidamente, e o Mercado Livre, onde são vendidas, apesar dos preços exorbitantes, por muitas vezes se tratarem realmente de “raridades”, visto praticamente não existirem mais à venda à não ser em sebos muito especializados ou por pura sorte mesmo, dessas que acontecem poucas vezes na vida.

Outros relançamentos que vêm sendo feitos e merecem destaque (todos da Panini) são os do universo do Batman, como "A Piada Mortal" (Alan Moore e Brian Bolland), "Coringa" (Brian Azarello e Lee Bermejo), entre outros. E na Marvel, "Os Supremos Vol.1" (Mark Millar e Brian Hitch) é o que merece maior destaque, por se tratar de algo não tão antigo e que já se encontra em seu segundo relançamento em poucos anos, atendendo a demanda crescente de leitores que o procuram. Uma das poucas bolas fora é a edição definitiva de "Batman: O Longo dia das Bruxas" (Jeph Loeb e Tim Sale), que há tempos está esgotada e desde sempre é implorada pelos leitores, mas nada de relançamento até agora. Acredito que uma hora vai rolar, como aconteceu com "Reino do Amanhã" (Mark Waid e Alex Ross) , por exemplo, que também era muito solicitada e atualmente sua versão definitiva (e inédita) está em pré-venda em vários sites espalhados pela internet. É só procurar pra conferir. 



Essa cultura é uma ótima novidade pra gente que já é há muito tempo comum no mercado estadunidense (lá valem muito as primeiras edições), onde quem realmente ganha com isso são as editoras que lançam e relançam edições que todos procuram e os leitores, que não são obrigados a pagarem preços absurdos por edições que foram postas a venda por preço muito inferiores ou, pior ainda, ficar sem elas por não ter grana pra comprar. Quem perde com isso são apenas os especuladores de mercado, exploradores de ávidos leitores que apenas buscam momentos de descontração despretensiosa, algumas vezes muito mais interessantes que muitos filmes, séries de tevê ou até mesmo muitos livros convencionais que são publicados por aí. 

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Zé Ramalho: A tradução do sertão na linguagem Pop

No último sábado (09/11) Teresina (Base de operações da TavernaPop) recebeu a visita do cantor paraibano Zé Ramalho, trazendo ao público das mais diferentes idades e estilos seu som autoral, autobiográfico e boas doses de homenagens a outros artistas que de alguma forma influenciaram sua produção ao longo da odisséia musical desse artista único no cenário nacional, que já beira a quarenta anos. Dessa vez, finalmente tive a felicidade de presenciar o espetáculo que há muito tinha vontade de ir.

A apresentação (sem grandes firulas, mas beirando à perfeição), teve início por volta de 1h, durando pouco mais de 60 minutos (suficientes e muito bem aproveitados), repletos de sucessos e também de surpresas muito bem vindas que permeiam a discografia do músico. A banda, que, a princípio, me parecia incompleta por não ter guitarrista solo, mostrou grande entrosamento com seus teclados, instrumentos de sopro (saxofone e flauta), de percussão (com zabumba bastante presente), contrabaixo elétrico (sempre com arranjos bem marcantes em todas as canções) e um violão solitário tocado de forma inspirada pelo próprio Zé Ramalho, acompanhando sua voz grave e marcante. A ausência da guitarra, que achei que seria forte, praticamente nem foi notada ao longo da apresentação, com os solos sendo supridos ora pelos teclados, ora pelo sax, também muito presente e bem executado.

As letras das canções, como toda a carreira do artista, mesclavam vários aspectos de sua personalidade e influências diversas, que vão da literatura clássica greco-romana (“A Odisséia” e “A Ilíada”), passando pelas tradições nordestinas (cordel, histórias de cangaço e tradições de violeiros nordestinos), até as Histórias em Quadrinhos, como fontes de inspiração. Seu estilo musical também é bem diverso do que se vê por aí, tendo fortes pinceladas de artistas tão diferentes, como Bob Dylan, Beatles, Jovem Guarda, Raul Seixas e também o rei do baião, Luiz Gonzaga (impossível não citá-lo), entre outros.

A empatia do público pelo artista era tão forte que no momento em que foram entoadas canções como “Avôhai” (praticamente um mantra) e “Garoto de Aluguel”, ambas de forte tom autobiográfico ou a mais que “carimbada”, "Admirável Gado Novo", mais parecia que a platéia entrava em um êxtase coletivo juntando-se à visão de mundo com o poeta, que naquele momento, estava mais profeta que pregava seus versos para àquelas pessoas que se mostravam tão atentas a tudo que ele dizia.

Uma das surpresas do show foi iniciar-se com a versão de uma antiga canção de Bob Dylan “O vento vai responder (Blowin'in the wind)”, já de cara, mostrando que não estava ali para explicar nada, mas simplesmente para dizer o que tinha para dizer, o que fez de forma praticamente ininterrupta (Sério). A idade parecia não pesar tanto no corpo daquele trovador sexagenário (que, inclusive, recentemente teve sérios problemas de saúde), que praticamente emendava o último acorde de uma canção ao primeiro da seguinte, sem parar ou deixar as pessoas pararem para respirar.

Vale ressaltar a inteligência do artista e sua banda, que os levou a fazer alterações no arranjo de algumas canções mais lentas, transformando-as em xotes bem dançantes, dando maior fôlego à toda a apresentação.   A única ausência que realmente foi sentida (pelo menos por mim) foi a canção “Jardim das Acácias”, que considero a melhor composição do artista, mas entendo, devido não ser tão conhecida quanto várias das demais canções do seu ótimo repertório.

Abaixo um trôpego setlist do espetáculo, pois, no momento do evento, a última coisa que eu tinha vontade de fazer era anotar de forma organizada as canções. Por isso pode estar faltando ou sobrando uma ou outra canção, mas o grosso está lá.

Setlist do Show:

1.       O vento vai responder (Blowin'in the wind)
2.       Avôhai
3.       Entre a serpente e a estrela
4.       Frevo mulher
5.       Garoto de aluguel
6.       Medo da chuva
7.       Gita
8.       Vila do sossego
9.       Chão de giz
10.   A terceira lâmina
11.   Táxi lunar
12.   Eternas ondas
13.   Banquete de signos
14.   Admirável gado novo
15.   Mulher nova, bonita e carinhosa faz o homem gemer sem sentir dor
16. companheira de alta luz

p.s. Você pode até achar que seria meio deslocado um texto sobre o artista aqui apresentado, mas, basta ouvir qualquer canção sua para perceber que além de um ótimo compositor, músico e cantor, Zé Ramalho, é sim,  muito Pop, fazendo um mix de vários estilos, mantendo-se como um artista autêntico e inimitável de nosso cancioneiro. Caso você não tenha tido a oportunidade de conhecer o artista e tenha se interessado, o site é um ótimo começo. Clique aqui e confira.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Review: Primeira temporada de Dexter

Aproveitando o final recente e controverso da série, e cumprindo uma promessa que fiz nesse mesmo blog já há algum (muito!) tempo, começarei a partir desse post a tecer breves comentários, tentando (quase sempre) evitar spoilers para que você, que ainda não conhece a saga televisiva do serial killer "Dexter" possa ter uma pequena noção da complexidade da história e riqueza do personagem. Como o melhor lugar pra começar é sempre do começo, iniciaremos na primeira temporada, seguindo adiante num ritmo interessante. Minha intenção é falar sobre as primeiras temporadas, uma por semana, até a quarta, que foi onde, infelizmente e a contragosto, parei de acompanhar. Tão logo eu tenha acesso às demais, os reviews terão continuidade.

Essa série, eu conhecia apenas de nome e nunca tinha manifestado maior interesse até um amigo meu comentá-la comigo, defendendo-a como muito interessante, por analisar os seres humanos sob um outro ponto de vista, o de um serial killer, que se tornou o que é devido a um trauma da infância que aos poucos vai sendo contada. Ele tinha o boxe de DVDs das quatro primeiras temporadas e me emprestou durante as últimas férias, me iniciando no mundo de Dexter e fazendo ficar curioso a cada episódio para saber o que acontece a seguir. Lendo esse e os demais artigos você vai descobrir porquê.


1ª Temporada (Análise)

A série tem início com seu protagonista, Dexter Morgan (Michael C. Hall), já adulto em pleno seu ritual de caçada a uma de suas futuras vítimas. O personagem tem uma vida social simulada dentro do que é minimamente aceitável (como todo serial killer), trabalha, tem uma irmã, uma namorada, entre outras coisas, com a peculiaridade de ser um assassino serial tem um objetivo bem formado em sua mente cultivado por seu pai adotivo, Harry Morgan (James Remar), a partir do momento em que ele descobriu seu instinto assassino (liberar seu “passageiro sombrio apenas naqueles que conseguem burlar as leis, escapando ilesos). Dessa forma ele acredita corrigir um sistema que apresenta falhas. Dexter então se torna um perito em dispersão de sangue da polícia metropolitana de Miami e tenta se mostrar como um cidadão americano comum com uma namorada Rita (Julie Benz), uma irmã, Debra (Jennifer Carpenter) e “amigos”, como Angel Batista (David Zayas) e colegas de trabalho, como a tenente Maria LaGerta (Lauren Vélez), que à princípio demonstra interesse afetivo por Dexter, e o sargento James Doakes (Erik King), personagem que sempre desconfiou bastante de Dexter e que ganha grande destaque na segunda temporada.

Nessa primeira temporada os personagens centrais da trama são apresentados e aos poucos a história de cada um deles vai crescendo e cativando devagarzinho o espectador. De cara, Dexter encontra um nêmesis à altura, que fica conhecido pela polícia como “Assassino do Caminhão de Gelo”, personagem que tem uma estranha relação com o protagonista, que parece conhecer sua história de vida e tendências assassinas. Esse outro assassino aos poucos vai mostrando à ele que o conhece melhor que ninguém (até ele mesmo) e vai o encurralando cada vez mais no sentido de fazê-lo lembrar de um passado que estava escondido nos corredores mais escuros de sua mente: o motivo que o fez se tornar um assassino. Esse outro assassino aos poucos vai entrando na vida de Dexter, inclusive tendo um relacionamento com sua Debra para conseguir se aproximar ainda mais do protagonista e colocá-lo em uma situação bem difícil no final da temporada.

No decorrer dos 12 primeiros episódios que formam a primeira temporada, a história contada é uma sucessão de reviravoltas até ele descobrir quem era o Assassino do Caminhão do Gelo, por que ele faz isso (o que tem intima relação com o passado de Dexter) e o possível início de uma transformação do protagonista em um ser humano normal que vive em sociedade (o que, na prática, estudos mostram ser impossível).

A forma que o programa narra a trajetória de Dexter nessa primeira temporada é repleta de flasbacks, onde vamos descobrindo aos poucos quem realmente é o protagonista e como ele se tornou o assassino frio que aprendemos a gostar tanto. Uma característica interessante é que no início e final de cada episódio, Dexter faz, através de monólogos, análises sobre o funcionamento da sociedade sob um ponto de vista totalmente diferente do que estamos acostumados. O de um assassino serial.

Quase esqueci de comentar a trilha sonora, com calientes e variadas canções caribenhas no decorrer  e a abertura da série, que é um show à parte, mostrando Dexter em situações corriqueiras, como amarrar o cadarço do sapato, preparar um almoço e um suco, sugerindo que se tratam de situações de assassinato de suas pobres vítimas (não tão probrezinhas assim, né?).

O ritmo da série é ditado pela oscilação entre presente e passado, mostrando camada a camada, como Dexter foi formando sua personalidade distorcida e as crises pelas quais passou até se tornar quem é hoje. Espero que tenha curtido esse breve review. Assumo que gostaria de escrever muito mais aqui, mas não quero fazer com que o leitor ainda não iniciado perca o prazer de descobrir os detalhes da série da melhor forma possível, que é assistindo.

Leia também: http://tavernapop.blogspot.com.br/2013/08/como-ter-simpatia-por-um-assassino.html


quinta-feira, 31 de outubro de 2013

The Walking Dead: Uma série sobre seres humanos, com zumbis (como mera desculpa!)

Aproveitando a recente volta da série de TV mais comentada e assistida da atualidade, abro um espaço na Taverna para tecer alguns comentários sobre essa, que é uma das séries mais interessantes em exibição. A principio, um leitor (ou leitora, principalmente) mais incauto(a) pode pensar: The Walking Dead? Aquela série de zumbis? Deve ser HOR-RÍ-VEL!!!! Garanto que basta uma chance e ter um pouquinho de paciência, que é bem possível que você mudar de ideia.

O interessante na série não são os zumbis em si. Eles não passam de meros coadjuvantes na trama, ou melhor, uma espécie de força da natureza, como um furacão ou um terremoto, ou mesmo animais em busca de comida e que, por acaso, nos consideram um prato apetitoso. Eles são apenas a desculpa para colocar os personagens em situações mais extremas a cada episódio que vai ao ar, levando-os de volta ao básico, literalmente. Uma vida onde tudo que importa é a sobrevivência a qualquer custo (qualquer um mesmo!).

Um estado de guerra de todos contra todos, como teorizou o filósofo inglês Thomas Hobbes (1588-1679), em seu Leviatã. Aí é que está a grande cartada da história. Como seria nossa vida se a cada instante tivéssemos que tomar decisões de vida ou morte? Será que o conceito de bem e mal seria tão preto no branco como acreditamos? Será que qualquer crença religiosa realmente valeria alguma coisa quando para você viver mais alguns minutos, você tem que correr feito um louco sem olhar pra trás? Será que alguém se arriscaria a acreditar em alguém desconhecido? Será que alguém realmente daria a outra face? Até que ponto cada um de nós pode acreditar em seus amigos quando a vida dos dois está em risco iminente? Quando seu melhor amigo pode se tornar seu pior inimigo em um instante, uma multidão de zumbis te perseguindo pode ser o menor de seus problemas. Não se pode confiar em ninguém. Como uma pessoa pode viver em grupo e ao mesmo tempo sozinho?

Esses são só alguns dos questionamentos levantados no decorrer dos episódios dessa série, que tem sua origem nos quadrinhos de mesmo título criados por Robert Kirkman (O Invencível) e Tony Moore e lançados pela editora estadunidense Image que, por acaso, recentemente completaram dez anos do lançamento de seu primeiro número e o desenrolar de sua trama e até mesmo a personalidade de alguns personagens importantes sofre importantes alterações na adaptação para a tv. Nada que tire o brilho de nenhuma das obras que, por si só já são ótimas.

Isso foi um pequeno aperitivo sem grandes spoilers da impressionante trajetória do xerife Rick Grimes e sua equipe de sobreviventes do holocausto zumbi que tomou conta do mundo na trama dessa série que se tornou uma mania em todo o mundo. Se você não conhece deveria agora mesmo correr atrás, pois está perdendo tempo. 

Em breve teremos mais textos tanto sobre a série quanto sobre os quadrinhos que também são publicados no Brasil em dois formatos: o encadernado, compilando algumas edições da HQ publicada pela image, que hoje já está em seu 12º volume e as edições avulsas publicadas mensalmente e rumando para se tornar quinzenal. Ambas as publicações são de responsabilidade da HQM, que devagarzinho está se tornando uma grande e profissional editora trazendo para nosso país títulos de qualidade.

domingo, 13 de outubro de 2013

Graphic MSP: Novas abordagens das nossas velhas lembranças da infância

Após o surgimento do sucesso comercial da "Turma da Mônica Jovem", novamente Maurício de Sousa (criador da Turma) tem se mostrado antenado com as demandas do mercado nacional de quadrinhos e marcado pontos junto aos leitores de brasileiros, com o lançamento no fim do ano passado nas bancas de todo o país do projeto "Graphic MSP", linha de graphic novels brasileira que hoje já está em sua terceira edição e já tem uma nova saindo do forno.

A intenção do projeto é pegar personagens de Maurício de Sousa já conhecidos do público e que fizeram parte da infância dos apaixonados por quadrinhos, fazendo uma releitura dos mesmos por meio de roteiros e traços de artistas promissores que têm feito bonito nos quadrinhos em seus vários gêneros, sobretudo autorais. É dada grande liberdade aos artistas para a abordagem da história, apresentando personagens tão queridos do grande público como uma grande novidade, o que é o grande brilho do projeto.

Desde o final do ano passado já foram lançados "graphics" do Astronauta  (Magnetar, de Danilo Beyruth), depois Turma da Mônica (Laços, de Lu e Vitor Caffagi), seguida da recém-lançada de Chico Bento  (Pavor Espaciar, de Gustavo Duarte). E já está prometido até o final do ano uma nova do Piteco (Ingá, de Shiko).

O acabamento das "Graphic MSP" é primoroso, pra fã nenhum botar defeito, com formato maior que o das HQ’s tradicionais, papel couchê de alta gramatura, bela impressão, lombada quadrada, cerca de 84 páginas e opções de capa dura ou capa mole aos preços de R$ 29,90 e R$ 19,90, respectivamente. Um preço até compatível com o mercado, levada em consideração a qualidade artística e acabamento do produto. 


Em breve e aos poucos pretendo aqui fazer breves resenhas de cada um desses lançamentos, tecendo breves comentários sobre os mesmos para que você possa ter uma noção do que vem sendo produzido dentro da proposta do selo.