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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Review: primeira temporada de The Walking Dead

Os mortos estão voltando pra devorar os vivos
Aproveitando a volta de “The Walking Dead” (AMC) à tevê, finalmente começarei as resenhas das temporadas desta série, que adapta a HQ homônima, e é o maior sucesso da atualidade, derrotando até mesmo a também poderosa (e ótima) “Game of Thrones” (HBO), como aconteceu no ano passado, quando a estreia da terceira temporada desta coincidiu com o último episódio também da terceira temporada daquela, batendo em muito os números de audiência da concorrente.

A série é uma criação de por Frank Darabont e tem Robert Kirkman (escritor da obra original) como produtor executivo e surgiu como uma surpresa bem-vinda na segunda metade de 2010, adaptando, expandindo e criando, ora desvios ora atalhos, diferenciando-se e ao mesmo tempo, complementando os quadrinhos, com alguns novos personagens e a ausência de outros, sendo os dois, em suas mídias, ótimas obras que misturam drama e terror numa trama pós-apocalíptica, que nos leva a refletir sobre o que cada um de nós é capaz de fazer quando nos encontramos no limite, temendo não apenas os mortos, mas também os vivos, que tantas vezes agem de forma traiçoeira a fim de atingir seu objetivo principal: a sobrevivência.



A trama
Aviso: recheado de Spoillers. Leia por sua conta e risco

Elenco principal da 1ª temporada da série
A primeira temporada começa com uma conversa banal entre o auxiliar de xerife de uma pequena cidade americana, Rick Grimes (Andrew Lincoln) e seu parceiro e amigo de longa data Shane (Jon Bernthal), num típico estereótipo de “policial americano comendo rosquinhas”, até que recebem um chamado pelo rádio e seguem em busca de alguns criminosos. Seria uma batida policial comum, não fosse o fato de Rick ser alvejado por e ficar em coma. 

Quando acorda, percebe da pior forma possível que não poderia ter ficado apagado em um momento pior. Não tinha ninguém vivo no hospital, vários corpos devorados, mutilados e uma porta fechada com um aviso que dizia algo como: “Não entre. Mortos aqui dentro.” De repente, mãos cadavéricas começam a forçá-la, tentando abrir e ver o que se passa do lado de fora. O protagonista sai do hospital e vê que aconteceu alguma coisa durante seu estado de coma. A cidade estava abandonada e cheia de cadáveres pela rua. 

Rick sai em busca de respostas percorrendo a cidade e acaba chegando ao local onde costumava ser sua residência em busca de sua mulher, Lori (Sarah Anne Callies) e seu filho, Carl  (Chandler Carlton Riggs). O local está abandonado, ele passa então a checar a vizinhança e acaba conhecendo de forma inusitada Morgan (Lennie James) se filho Duane (Adrian Kali Turner), que estavam abrigados na casa de um vizinho do protagonista e, após perceberem que se tratava de um vivo e algumas explicações, passaram a ter uma relação mais amigável e seguiram para a delegacia onde Rick trabalhava em busca de armamento e suprimentos para iniciar uma busca pelos seus familiares.

Após quase morrer novamente Rick encontra sua família
Com informações passadas por Morgan e, sabendo que sua esposa tinha parentes na cidade de Atlanta, Rick segue em direção a cidade e tudo que vê pelo caminho é morte, casas e armazéns saqueados e indícios de desespero por toda parte. Chegando ao destino, percebe que a cidade também havia sido tomada pelas criaturas que as pessoas estavam se tornando após a morte: os zumbis. Após quase se tornar uma vítima desses seres, Rick encontra o jovem Glenn (Yeun Sang-yeop) que lhe ajuda a sair daquela situação desesperadora, levando-o ao acampamento nas proximidades da cidade onde ele e seus amigos estavam vivendo, à espera de um possível resgate patrocinado pelo governo, que acreditavam ainda estar estabelecido, local onde Rick descobre que sua esposa, seu filho e seu parceiro não apenas estão vivos, como fazem parte desse grupo de sobreviventes. A partir daí egos passam a se chocar e o problema com os zumbis passa a ser uma mera desculpa para se contar uma ótima história sobre pessoas vivas. Os vivos são os mais perigosos, por serem imprevisíveis e, por esse motivo, o grupo, que voltara a cidade em nova missão, acaba deixando um dos seus integrantes pra traz para proteger os demais. A decisão foi tomada por Rick, que depois se arrependeu e voltou pra buscá-lo, encontrando apenas indícios do que teria ocorrido.

O grupo volta ao acampamento e sofre um ataque de uma horda de walkers (ou errantes, como eles chamam os zumbis), sofrendo várias baixas, como a irmã de Andrea (Laurie Holden), que ao longo da trama vai se tornando uma personagem importante para a sobrevivência do grupo. Um outro personagem também é mordido por um zumbi e tem que tomar uma difícil decisão enquanto passava pelo processo de transformação e após a perda o grupo decide procurar pelo CDC (Centro de Controle de Doenças), cujos arredores estavam apinhados de zumbis. Com muito esforço conseguem entrar no local e descobrem que apenas um médico cientista estava vivo. Em conversa particular com o salvador de seu grupo, Rick descobre algumas informações importantes sobre como a infecção se espalha, entre outras coisas.

Robert Kirkman e suas criaturas que são
sucesso tanto nas HQs quanto nas telinhas
A primeira temporada acaba com uma inesperada explosão suicida do CDC, causada pelo próprio médico que tentou matar todos por acreditar que seria impossível a ele ou àquelas pessoas viverem por muito mais tempo, já que os suprimentos estavam acabando e sair do local também seria uma missão suicida. Rick, Lori, Carl, Shane, Andrea e alguns outros personagens conseguem fugir antes da explosão e fica no ar a dúvida sobre como será a situação daquele pequeno grupo dali pra frente.

No Brasil, a série é exibida pelo canal pago Fox nas noites de terça-feira (dois dias após a estreia nos lá fora, o que é uma pena) e também pela Band, que atualmente exibe a terceira temporada da série às quintas-feiras.

A Crítica
A série teve um ótimo início e, apesar de ter alguns desvios ficando meio melodramática demais em algumas situações, mostrou grande potencial nesta primeira temporada, que foi, sob muitos aspectos explorado nas demais, que comentaremos aqui em breve. E olhe que tudo isso foi contado em apenas seis episódios, com recursos limitados, por ainda se tratar de uma aposta da emissora tentando vingar. O que acabou ocorrendo e hoje já está na quarta temporada. Como eu já disse aqui e em outros locais, a temática da série é a sobrevivência em si, e isso pode render ótimas histórias, servindo até como uma forma de auto-conhecimento para quem assiste, ao se perguntar: como eu agiria em uma situação como essa?

Destaque para o clima de tensão que não para de crescer entre os velhos amigos, devido às constantes posições antagônicas em que se encontram e por um motivo um tanto mais íntimo, como se pode perceber ao longo da história. Outra grata surpresa são os irmãos Merle (Michael Rooker) e Daryl (Norman Reedus), que complementam a trama junto com Shane, se mostrando como anti-heróis, nos fazendo pensar qual papel reprentaríamos nesse jogo pela sobrevivência , o que pode variar, de acordo com cada situação extrema que é imposta aos personagens.

 

Para ler outros textos sobre a série já publicados aqui na Taverna Pop clique aqui ou   aqui e boa leitura. Ah. Uma última informação: quem é fã da série aqui no Brasil pode acompanhar notícias, críticas e várias informações interessantes, como a comparação do que se passa na série em confronto com a história da HQ no The Walking Dead Brasil. Basta clicar no link pra conferir. Vale a pena.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Rumores confirmados: Preacher está mesmo sendo adaptado para tevê

o ex-pastor Jesse Custer é o
protagonista da série
Finalmente saiu na última semana a confirmação que vários fãs de quadrinhos aguardavam já há muito tempo (requentadas por fortes rumores sobre o assunto no final do ano passado): a rede de tevê americana AMC ("Breaking Bad" e "The Walking Dead") está realmente trabalhando na produção de uma série baseada nos HQ da Vertigo (DC Comics) "Preacher", de Garth Ennis (história) e Steve Dillon (arte).

De acordo com o site especializado em quadrinhos Bleeding Coll, Seth Rogen e Evan Goldberg serão os produtores executivos do show, tendo ainda Sam Caitlin (Breaking Bad) envolvido no projeto, que já vem sendo trabalhado há cerca de sete anos e agora surgiu a oportunidade de ser colocado em prática. O próprio roteirista da HQ divulgou a seguinte mensagem em nota oficial sobre o assunto: “Parece que Preacher agora pode chegar à televisão de uma maneira que eu não pensava ser possível e estou muito agradecido por eles terem incluído Steve e eu nas conversas dessa adaptação”. 

O quadrinhista se mostrou ainda satisfeito com o formato escolhido para a adaptação da obra, entendendo-o como o mais adequado para explorar a complexidade da trama, que narra a controversa saga do ex-pastor Jesse Custer, sua namorada Tulipa e o vampiro Cassidy em busca de dar uma lição em busca de um Deus que abandonou a humanidade, simplesmente por não acreditar na sua salvação. O texto da HQ é recheado de polêmicas com envolvendo a igreja católica, Deus, anjos, demônios, sexo, drogas, assassinatos, faroeste e muito roquenrol, entre outros ingredientes, todos em doses cavalares. 

O episódio piloto da série já foi encomendado pelo canal, agora é esperar pra ver no que vai dar, torcendo
pra que seja uma ótima porta de entrada das HQs da Vertigo na telinha. Se quiser saber um pouco mais sobre a série, clique aqui e confira uma pequena apresentação postada há algum tempo aqui no blog.

Clique aqui pra comprar os volumes de Preacher em HQ.

Graphic Novels Marvel da editora Salvat nas bancas de todo país

Primeira edição traz uma história recente do Homem-Aranha
Há alguns meses pipocaram em vários sites brasileiros de cultura pop rumores que a editora Salvat, conhecida por lançar coleções das mais variadas (miniaturas de instrumentos musicais, aviões de guerra, enciclopédias, etc.), alçaria vôos em um novo terreno, adentrando o mundo das HQs, lançando uma nova coleção de Graphic Novels da Marvel Comics. A coleção teve início ainda em 2013, mas apenas em algumas poucas cidades brasileiras, em fase de teste. Ao que tudo indica, parece que a iniciativa deu certo, pois finalmente a distribuição se expandiu para o restante do país, inclusive para o Teresina-PI, base de operações da Taverna POP.

A ideia da iniciativa é lançar obras relevantes dentre as tantas já produzidas pela “Casa das Ideias” (como a Marvel é carinhosamente conhecida pelos fãs), mesclando material clássico ("X-Men: a Saga da Fênix Negra", "Homem-Aranha: A Última Caçada de Kraven") aos mais recentes ("Surpreendentes X-Men", "Os Supremos"). Inicialmente está previsto o lançamento de 60 edições traçando um enorme mosaico ao longo da trajetória relativamente recente da editora (dos anos 80 aos 2000), servindo tanto pra atrair antigos leitores que buscavam obras há muito em falta no mercado, quanto novos leitores, pois todas são histórias fechadas e relativamente independentes entre si, salvo raras exceções. 

Uma curiosidade (e também um bônus) é que as lombadas dos 60 livros (em capa dura e papel de ótima qualidade) juntos e em sequencia formam um enorme painel com uma gravura do artista Gabrielle Dell’Otto, com vários personagens que aparecem ao longo das edições, como Homem-Aranha, Wolverine, Demolidor, Tempestade e vários outros.
Lombadas da coleção formam um painel com essa arte 
Acompanhando o que se tem falado sobre a coleção através das redes sociais, pode-se perceber que ela já se encontra na edição já se encontra na 12ª edição ("Novos X-Men: E de Extinção") nas regiões onde a distribuição começou primeiro e sofreu algumas reclamações por parte dos leitores, como atrasos, páginas repetidas (em alguns casos) e problemas na localização das lombadas, que não formavam o painel prometido de forma perfeita, mas, ao que tudo indica, a editora tem se mostrado solícita na solução desses problemas e prometeu evitar que se repitam nas próximas edições.

Esboços estão entre o material extra 
A primeira edição tem preço promocional (R$ 9,90) e traz “De Volta ao Lar”, uma história do Homem-Aranha assinada por J. Michael Straczynski (história) e John Romita Jr (arte), a segunda edição ("Supreendentes X-Men: Superdotados") deve chegar em alguns dias por R$ 19,90 e as demais custarão R$ 29,90, salgando mais o preço, dado a periodicidade ser quinzenal. Quem estiver na dúvida sobre a qualidade do produto, vale a pena adquirir pelo menos a primeira pra dar uma boa conferida no material, que inclui ainda alguns extras como esboços dos artistas, localização da trama do encadernado na linha do tempo dos personagens da história e um pôster acompanhando.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Cineasta brasileiro é destaque de capa de revista nacional

Cartaz recente de divulgação do filme
Capa da Veja
A capa desta semana da revista "Veja" é uma imagem que coloca frente a frente um homem e diante do que parece ser um ciborgue (ser humano com o corpo que mescla partes orgânicas e cibernéticas) com a seguinte manchete: “O HOMEM VENCEU A MÁQUINA”. Pode até não parecer nada demais pra quem não tem um certo conhecimento prévio sobre o assunto que, à primeira vista, deve acreditar que se trata de uma matéria sobre os avanços da tecnologia ou coisa parecida. Mas o homem em questão é o diretor brasileiro José Padilha, de "Tropa de Elite" (2007) e "Tropa de Elite II – O Inimigo Agora é Outro" (2010) e o ciborgue, a nova versão do Robocop, que chega aos cinemas no próximo dia 21/02 com sua assinatura.

A situação é nova, por mostrar um diretor de cinema brasileiro ousado, que por meio de muita luta e uma interessante curva no caminho (a grande pirataria do primeiro “Tropa de Elite” que, ao contrário do que se esperava, surpreendentemente levou mais pessoas ao cinema pela divulgação), acabou mostrando sua capacidade e ousadia fazendo um segundo filme que expandiu ainda mais a história, adentrando a política e expondo os reais motivos do aumento da violência no país, que é estrutural e resume-se em uma palavra: corrupção!

Um dos primeiros
posters do Remake
E é a partir de então que chegamos ao presente, com Padilha dirigindo seu primeiro filme para Hollywood, um remake de Robocop, que trata sobretudo de injustiças sociais, expansão da violência em uma grande cidade, corrupção e traições (a praia do diretor), dentro de um contexto de ficção científica que, na verdade, apenas amplia o momento em que estamos hoje, onde os drones (veículos aéreos não tripulados com fins militares e controlados a distância) usados com o intuito de poupar vida de militares e recursos são adaptados para combater a criminalidade dentro da população civil nos Estados Unidos.

A ideia não é bem aceita pelos norte-americanos e eis que o homem de negócios da OmniCorp, Raymond Sellars (Michael Keaton), na intenção de cair nas graças do povo americano, tem a ideia de criar um robô que tenha consciência humana, e vê surgir a oportunidade perfeita pra por seu plano em prática quando o policial Alex Murphy (Joel Kinnaman) sofre um atentado e pra sobreviver precisa da inserção de vários mecanismos cibernéticos para sobreviver, inciando aí uma nova mitologia que a todo momento põe em xeque o quanto a humanidade pode ganhar ou perder com a inserção desse novo elemento cibernético em nosso cotidiano. 
Cartaz do filme de 87 

Robocop já teve um trilogia no cinema: "Robocop, O Policial do Futuro" (1987), "Robocop II" (1990) e "Robocop III" (1993), uma série de tevê em live-action e ainda uma outra série em desenho animado. A novidade desse novo filme é exatamente o diretor brasileiro, que tem a visão e a coragem necessária para dar nova ar à franquia, que andava em baixa há muitos anos e agora ganha novo fôlego. Outro diferencial é que antes o protagonista tinha uma grande desvantagem, que era a lentidão de seus movimentos, que acaba tornando-o alvo fácil em algumas situações, e foi totalmente removida, ganhando uma agilidade tal ao ponto de pilotar uma moto em grande velocidade e encarar criminosos em uma luta sem armas de fogo.

Confira abaixo um dos trailers do filme: 


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Neil Gaiman é destaque entre os recentes relançamentos no mercado brasileiro de HQs

O autor inglês  caminhando pelas ruas de Londres
Há algumas luas escrevi aqui na Taverna que o mercado brasileiro de HQs vem passando por um momento de relançamentos de grandes obras de artistas renomados. Na ocasião, cheguei a citar as ótimas “O Reino do Amanhã”, de Mark Waid (Roteiros) e Alex Ross (Arte), “V de Vingança”, de Alan Moore (roteiros) e David Lloyd (arte), entre outras obras de grande relevância dentro e fora da “nona arte” (como são carinhosamente conhecidos). Observando este aspecto dentro do contexto atual de nosso mercado de HQs, é possível perceber a presença marcante dos trabalhos do escritor multimídia Neil Gaiman, um dos mais influentes no ramo há mais de duas décadas, tanto que já escreveu livros e participou como roteirista de séries de tevê e filmes, como “A Lenda de Bewulf”, por exemplo.

Só pra citar os lançamentos mais recentes relativos a obras de sua autoria ou a gama de personagens que criou, tivemos o quarto volume de “Sandman – Edição Definitiva”, com mais de 600 páginas (e preço salgado), que concluiu a compilação das 75 edições da série, lançadas originalmente em revistas mensais, a edição especial em capa dura com as quatro números minissérie “Livros da Magia”, um passeio pelo mundo mágico guiado por personagens sombrios da DC Comics,  também escrita por Gaiman e “Dias da Meia-Noite”, uma compilação de contos de vários personagens do universo DC escritos por Gaiman lá no início de sua carreira, em meados dos anos 80, antes mesmo de sua explosão como grande nome das HQs.
Capa do da edição brasileira 
de Absolute Sandman Vol. 4

O interessante das obras desse autor em específico é que ele as trata como se fossem vários aspectos de uma mesma grande história, com as atitudes de um interferindo na vida de outros de forma direta ou indireta.  Elas transcendem em muito os limites da mídia específica, passando para a literatura inglesa (Shakespeare é uma constante), referências a várias mitologias, música pop, a própria história da editora, entre várias outras referências que só têm a acrescentar na experiência da leitura, tornando tudo como parte de um grande plano coeso. Não que, caso você desconheça suas demais outras obras ou múltiplas referências não vá gostar de uma isolada. Vai entendê-la, mas não perceberá algumas pistas deixadas pelo caminho, se não tiver um olhar um pouco mais treinado. Com isso, podemos aproveitar ainda mais a leitura.

Os sete perpétuos, por exemplo, mais do que as divindades tão presentes na história da humanidade (que são passageiros, com apogeu e decadência), são a personificação de aspectos da vida de todo ser vivo (sonho, morte, desejo, por exemplo). Existem desde sempre e até o fim dos tempos (se é que eles terão um fim) perpassando de uma forma ou de outra cada linha escrita pelo autor nas mais diferentes obras. Impossível não reparar na presença de Destino nos “Livros da Magia” num momento de pura poesia, finalmente concluindo seu trabalho (Se você já leu a obra ou for ler no futuro vai entender do que estou falando).

Um passeio pelo mundo
fantástico da DC
Gaiman não é pra qualquer pessoa (No bom sentido!). Não espere uma leitura cheia de ação e soluções simples e maniqueístas, com heróis e vilões bem definidos. As soluções nunca são simples e os personagens sempre têm várias facetas (e serão vistos de diferentes formas) assim como cada um de nós. É HQ, mas não é pra criança. Lá há violência, sexo, amor, desespero e medo em diferentes doses, dependendo do momento (quase sempre o mais acertado). A sensibilidade do autor é tremenda ao ponto de “vivermos” as histórias, reconhecendo os personagens como pessoas iguais a gente, que trocam suas experiências boas ou ruins conosco, a ponto de sofrermos e sorrirmos com eles sem percebermos. 

Contos oitentistas de
ótima qualidade
Há tempos esse autor não estava tão presente em nossas livrarias, bancas de revistas e estantes, sempre restrito a pequenos grupos, que poderiam até ser considerados excluídos ou mesmo se isolarem das outras pessoas por curtirem tanto obras que pouca gente conhecia. Há vários preços para vários bolsos, o que também, infelizmente, acaba excluindo muita gente, mas a disponibilidade de material “gaimaniano” é realmente sem precedentes em nosso mercado e sempre há as pré-vendas e promoções, sobretudo na internet, que acabam potencializando o número de leitores dispostos a gastar alguns reais com material sempre de ótima qualidade ofertado por este escritor que consegue transcender limites que tantos outros não conseguem de forma satisfatória. Na pior das hipóteses, há os controversos scans, que, tirando todo o lado ilegal e pernicioso à indústria de HQs, pode servir como porta de entrada informal a esse mundo e, democratizando o acesso às obras e, quem sabe, abrindo caminho para novos leitores dispostos a adquirir a obra física, atualmente publicada por algumas editoras, como a Conrad, Rocco (sobretudo seus livros tradicionais) e a Panini, principalmente obras em HQs, que é o motivo desse post.  

Demorei a escrever sobre o autor não por falta de interesse, mas por procurar a ocasião propícia e inspiração necessária e agora que chegou, não vou mais parar. Sandman, por exemplo, agora mais do que nunca está com chances concretas de invadir os cinemas e em breve devemos ter novidades. Aqui na taverna teremos resenhas de algumas importantes obras desse influente autor, que merece ser lido e discutido por horas a fio (Os comentários estão aí pra isso). O primeiro passo foi dado, agora é sua vez.   

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Review: Quarta temporada de Dexter

Cuidado! Pode conter alguns spoilers...

Acumulando funções: pai de família e assassino
Dando continuidade às resenhas da série de tevê “Dexter”, chegamos, enfim, à ótima quarta temporada, quando o protagonista acaba encontrando um novo assassino serial com uma característica peculiar, matar sempre três pessoas com características específicas, mas com um distanciamento de tempo e espaço tão grande que torna praticamente impossível perceber que se trata de um assassino em série, duas das mortes mais parecem suicídio, só pra se ter noção. São duas mulheres, sendo uma jovem e outra já na faixa dos 40 anos e um homem, assassinado de forma violenta, à marteladas.

A possível atividade desse assassino não comprovado em Miami leva o agente Lundi (ex-amor de Debra) de volta à cidade, o que acaba balançando novamente as estruturas da irmã de Dexter, que já não tem tanta certeza se quer continuar com Anton ou voltar com seu "ex", que persegue o suposto assassino há muitos anos, mas nunca conseguiu provar a sua existência a seus superiores, mas agora, após sua aposentadoria como agente, se dedica exclusiva e independentemente à isso, convencendo sua ex-namorada a ajudá-lo na caçada.

John Litgow interpreta o "Assassino da Trindade" 

Dexter, em sua busca em separado acaba descobrindo antes de todos que o assassino existe e qual sua identidade. O protagonista fica surpreso e maravilhado ao saber que se trata de Arthur Mitchel (interpretado magistralmente por John Lithgow) um senhor de meia-idade, cristão e pai de uma família aparentemente muito feliz e o que era uma caçada à próxima vítima de seus instintos (e do "Código de Harry"), acaba descambando pra uma curiosidade enorme de saber como aquele assassino consegue dividir papéis tão diferentes quando ele mesmo acaba de começar uma nova família ao lado de Rita e seus filhos e procurava exatamente descobrir como fazer pra esse relacionamento dar certo.

Nesse meio tempo a tenente Lagerta inicia um relacionamento com seu subordinado, o Sgt. Angel, que acaba criando sérios problemas tanto para o serviço quanto sua vida pessoal e Lundi acaba saindo da jogada de uma forma bastante inesperada e definitiva, deixando Debra como sua sucessora nas investigações pelo Assassino da Trindade (“Trinity”) como fica conhecido, que acaba avançando muito e descobrindo uma série de desdobramentos interessantes sobre os crimes.

Enquanto isso, Dexter se aproxima cada vez mais do assassino, tornando-se uma espécie de amigo e confidente seu e vai aos poucos descobrindo que tudo não passava de uma fachada e sua família feliz sofria com o temperamento violento que o pai por vezes deixava à mostra.
Courtney Ford faz uma jornalista
que causa reviravoltas na trama

O assassino também acaba descobrindo a identidade real de Dexter e vai ameaçá-lo em seu trabalho e devido a esse e outros desdobramentos da história, o protagonista acaba se arrependendo por não tê-lo matado antes e passa a se desesperar a fim de colocar um ponto final naquela história, que vem finalmente, mas não sem deixar marcas profundas na vida de Dexter, mudando completamente o rumo da história a partir de então.

Clique aqui e confira a resenha da terceira temporada.
Clique aqui e confira a resenha da segunda temporada.
Clique aqui e confira a resenha da primeira temporada.
Clique aqui e leia uma breve análise sobre a série no artigo "Dexter" e sua missão (im)possível de tornar um assassino adorável".




segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Novo trailer revela cenas inéditas filme do Capitão América

A Marvel Studios/Disney divulgou recentemente um novo trailer ampliado do filme "Capitão América 2 - Soldado Invernal", segunda aventura solo do personagem nos cinemas que dá seguimento a sua saga levando em consideração não apenas os acontecimentos do primeiro, de 2011, como também os eventos ocorridos em "Os Vingadores" (2012) e, possivelmente nos dos demais personagens que integram o grupo, como Thor e o Homem de Ferro.

Repleto de cenas de ação, o trailer destaca um novo e atualizado uniforme do primeiro vingador (como é conhecido o personagem), com tecido e caracterização mais próxima às usadas por tropas de elite, com uma estética muito melhor mais e prático, totalmente diferente da "fantasia de carnaval" mostrada nos Vingadores, que foi um dos (poucos) deslizes do filme.

Além de personagens recorrentes, como Nick Fury (Samuel L. Jackson) e a Viúva Negra (Scalet Johanson, linda como sempre e novamente acochadinha em um collant preto), novos personagens são inseridos, como o tal "Soldado Invernal", que, na verdade é Bucky Barnes (Sebastian Stan), antigo amigo de Steve Rogers, supostamente morto em ação no primeiro filme do herói, e ainda o Falcão (Antony Mackie), novo herói nas telinhas, mas já conhecido dos antigos leitores da marvel (ou "marvetes") e também por quem curte o Universo Ultimate Marvel (ou, simplesmente, Ultiverso).


O filme é dirigido pelos irmãos Joe e Antony Russo e a trama do filme é ambientada dois anos após os eventos apresentados em "Os Vingadores" (The Avengers) e mostra a luta de Steve Rogers/Capitão América (Chris Evans) para se adaptar ao mundo moderno e derrotar um misterioso inimigo que realiza ataques terroristas a cidade de Washington D.C., capital dos Estados Unidos. O lançamento está previsto para 11 de abril.

Clique aqui e confira também um outro trailer exibido durante o Super Bowl.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Confissões de Adolescente - O Filme recicla e aprimora a fórmula do sucesso

O novo quarteto adolescente posa pra foto com o pai
Se você, como este escrevinhador, teve o ensejo de viver os anos de sua adolescência na, hoje distante (e estranha!), década de 90 deve se lembrar da série de tevê “Confissões de Adolescente”, que foi ao ar pela TV Cultura entre 94 e 96 e narrava a história de Paulo (Luís Gustavo) um pai viúvo e suas quatro filhas adolescentes repletas de espinhas, revoltas, questionamentos, curiosidades e descobertas, entre outras coisas. Pois é. Toda essa introdução é só pra dizer que o filme homônimo dirigido por Daniel Filho (que está no cinema desde o início do mês) pode ser um ótimo entretenimento tanto pros hoje tiozinhos e tiazinhas que curtiam a série de tevê quanto pros seus filhos e sobrinhos adolescentes.

Assim como a série de tevê, o filme é uma viagem ao imaginário adolescente e todos os seus “grilos”, como primeiro beijo, primeira vez, primeiro emprego, timidez, preconceito contra o diferente ou mesmo todas as bobeiras que tanto nos acompanham nessa época da vida. Uma grande sacada do filme foi a atualização, com o uso das redes sociais como o local onde são feitas as tais confissões. Os jovens estão sempre tuitando ou acessando sua página no facebook, sem medo de fazer merchandising gratuito pra essas redes sociais.

O pai das garotas continua se chamando Paulo (agora interpretado por Cássio Gabos Mendes) e as ainda quatro meninas agora têm outros nomes: Tina (Sophia Abrahão), Bianca (Isabella Camero), Alice (Malu Rodrigues) e Carina (Clara Tiezzi), formando um elenco principal afinado, com atuações inspiradas, apesar da pouca idade das moças, todas excelentes atrizes.

A trama mistura drama, humor e preconceitos na medida certa. Às vezes misturando tudo dentro de um mesmo contexto, com resultados inusitados e interessantes. Impossível não lembra da cena da primeira vez de uma das garotas com seu namorado, tanto  o momento em si quanto o posterior. Se você assistiu vai entender do que estou falando, se ainda não, quando vir vai lembrar na hora.

O elenco de apoio também é ótimo, salvo raras exceções, acrescentou muito ao filme, que, assim como a série, não abre concessões e trata de forma amoral, despida de juízo de valores, temas que fazem parte do cotidiano adolescente sem se prender às regras, mas sim às vivências dessa fase conturbada da vida, de forma honesta.

As adolescentes de outrora têm participação especial
Menção honrosa à participação das outrora adolescentes Maria Mariana (autora do livro que deu origem à peça, série e filme), Georgiana Góes, Daniele Valente e Deborah Secco, que foram protagonistas da série de tevê e aparecem já maduras, como uma forma de evolução de suas antigas personagens, apesar dos nomes diferentes, rendendo algumas situações hilárias, sobretudo Deborah e Daniele, que representam mães de adolescentes de hoje.

Vale a pena conferir. É uma prova de que o cinema nacional, que ultimamente tem lançado tanta porcaria, ainda tem salvação.



quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Lançamento de "Por Dentro do Máscara de Ferro", de Bernado Aurélio

Cartaz de lançamento da HQ
Hoje à noite Teresina-PI sediará um importante evento no mundo dos Quadrinhos: o lançamento da HQ “Por Dentro do Máscara de Ferro”, do quadrinhista piauiense Bernardo Aurélio. De acordo com o autor, o personagem foi criado por ele de forma totalmente despretensiosa há mais de dez anos, como uma sátira a conceito de super-heróis norte-americanos tão conhecidos do grande público, como Batman, Homem-Aranha, Superman, entre outros.
“O Máscara não tinha um passado. Era só um cara com máscara de solda na cara e um cano de ferro na mão enfrentando bandidos na rua. Ele nasceu da pergunta: como seria um super-herói piauiense? Então o Batmóvel virou uma Kombi velha, o cinto de utilidades virou um cinturão daqueles de metalúrgico, com um monte de apetrechos comuns”, comenta Bernardo, que lançou em 2009 uma outra interessante HQ “Foices e Facões”, que conta a participação de piauienses no processo de independência do Brasil, produzida em parceria com seu irmão, Caio Oliveira e ainda produziu uma história da "Turma da Mônica" para um livro em homenagem a Maurício de Sousa.

Criatura e criador
Bernardo comenta ainda que a HQ foi feita com todo cuidado e carinho e conta uma história sobre obsessões e sonhos. O resultado final é um produto de qualidade aos leitores, com acabamento gráfico caprichado, servindo ainda como forma de incentivo ao lançamento de outros artistas piauienses que por qualquer motivo não acreditavam na possibilidade de publicação de suas obras.

A obra oferece ainda uma experiência multimídia e interativa através da trilha sonora inusitada que pode ser baixada clicando aqui. O lançamento será na livraria "Quinta Capa Quadrinhos",  localizada à rua Dirce Oliveira, 3047, Ininga, na Zona Leste de Teresina. 

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Escalpo: Uma Mudança Violenta de Paradigmas nas HQs americanas

arte de capa do primeiro
encadernado por Jock
Índios nas HQs? Você, antigo leitor da mídia, já deve estar pensando que vou falar aqui de algo parecido com "Tex", o famoso “fumetti” (HQs italianas) ou algo parecido. Ledo engano. "Escalpo" (“Scalped”, no original) é uma publicação da "Vertigo" (selo adulto da DC Comics), de Jason Aaron (roteiro) e JM Guéra (arte) muito mais próxima das temáticas de crime organizado, como a série de tevê “Sopranos”, com uma história tensa, violenta e bem contada, lembrando alguns aspectos da (também ótima e recém-encerrada) “Breaking Bad”. O clima da série mistura ainda aspectos da literatura de “Noir” (livros policiais ambientados na época da grande depressão) e "Western" (filmes de faroeste). Calma que daqui a pouco você vai entender do que estou falando.

Escalpo mostra a trajetória de decadência da reserva indígena norte-americana Oglata Lakota “Rosa da Pradaria”, a partir de atos de um grupo de militantes a favor das causas indígenas que culminou com o assassinato de dois agentes do FBI na década de 70. Os suspeitos do crime foram Lincoln Corvo Vermelho, Gina Cavalo Ruim (mãe de Dashiel “Dash” Cavalo Ruim, já falo sobre ele), "Apanhador" e Lawrence Bealcourt, único que ficou preso pelo crime (os demais foram soltos por falta de provas).


Sobre Dash...
Após quinze anos fora da reserva (alguns no exército dos Estados Unidos) Dash retorna à sua terra natal como um sujeito revoltado (principalmente contra sua mãe) e disposto a trabalhar como uma espécie de “segurança” ou “braço direito” do, hoje líder tribal da região, dono do "Cassino Cavalo Louco" e chefão da rede tráfico de drogas e prostituição no local, Corvo Vermelho.

Dash na verdade é um agente a serviço do FBI, cuja missão é exatamente se infiltrar cada vez mais fundo nos negócios criminosos do líder tribal a fim de colocá-lo atrás das grades, principalmente devido a uma rixa antiga entre ele e o agente Earl Nitz, chefe de Dash, que apesar da prisão de Lawrence Bealcourt, acredita que o verdadeiro responsável pelos assassinatos é Corvo Vermelho. A fim de ajudar nas investigações e investigar também a fidelidade do próprio Dash, Nitz enviou um segundo infiltrado na organização, o imprevisível Diesel, que deu dor de cabeça pra muita gente e rendeu boas histórias.


Jason Aaron: A mente por trás da história
Sobre o roteiro e a arte...
A história é contada de forma não-linear (repleta de importantes flashbacks) e os protagonistas vão mudando no decorrer da trama, ora mostrando tudo sob a ótica de Dash, ora Carol (filha de Corvo Vermelho, que, por acaso tem uma forte relação com Dash), outras vezes o próprio Corvo Vermelho ou Gina Cavalo Ruim, além de outros coadjuvantes, como Dino Urso Pequeno, que em determinado momento roubou a cena durante um arco inteiro da série. Interessante que apesar dessas constantes mudanças de protagonistas (ou pontos-de-vista) a série vai crescendo em sua “mitologia”. Nada está ali por acaso. Tudo conta na trama maior, que é a própria decadência da reserva e de todos os seus habitantes, sem exceção.

Arte interna em cena de 
ação por JM Guéra
O roteirista é ousado na forma de narrar a história. Às vezes praticamente sem diálogo, mas com recordatórios que dizem muito sobre a essência dos personagens. A arte do co-criador, RM Géra, presente na grande maioria  das edições da série é bela, ousada e expressiva, diferente da grande maioria do que temos por aí hoje em dia. O artista retrata muito bem as características de cada personagens e suas expressões, sobretudo de dor e desespero. Tudo em uma anatomia correta, com ótimos detalhes dos tecidos das roupas e ambientação das passagens da história, algumas se passando em salas de apartamentos, outras em trailers e outras ainda no meio de uma floresta repleta de neve.

O que aproxima das séries de teve supracitadas são as situações em que os personagens são colocados o tempo todo e decisões acabam tomando, umas mais próximas do que poderia acontecer com qualquer um de nós, outras totalmente surpreendentes (mas também possíveis), ampliando a complexidade tanto da história quanto dos personagens, que estão dispostos a tudo para conseguir o que querem, incluindo aí assassinatos, tortura, aborto, tráfico ou uso de entorpecentes entre outras coisinhas. Não procure vilões nessa série, pois você não vai encontrar. Não se trata de uma luta entre o bem e o mal, mas sim a colisão de vários egos, sem juízo de valores, pois se você fizer isso, ninguém se salva.

Corvo Vermelho e Dash em arte
de capa de uma edição da série
Escalpo se torna mais interessante devido a ser uma publicação original em um país com tradição de segregação e preconceito e genocídio contra as nações indígenas ao ponto de serem na grande maioria das vezes retratados em suas obras (filmes, quadrinhos, séries de tevê, livros, etc.) como os vilões da história ou relegados a personagens secundários, como é o Tonto, que é um sidekick (espécie de parceiro) do "Cavaleiro Solitário". Aqui os personagens centrais são indígenas, mudando completamente o status quo a que todos estávamos acostumados.

A série teve foi publicada mensalmente nos EUA a partir do início de 2007, encerrando-se no final de 2012, completando 60 edições e vem sendo publicada mensalmente no Brasil na revista "Vertigo" (panini). Escalpo é sem dúvida a melhor do mix oferecido pela revista e atualmente já está em sua reta final (hoje na edição 53).



segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Marvel x DC também nos cinemas e animações

Outro dia comentei em algum lugar aqui na Taverna que a Marvel inovou expandindo seus personagens como habitantes de um mesmo "universo" (principalmente, na cidade de Nova York) e constantemente se encontrando ora como aliados ora como inimigos, tornando recorrentes os famosos “Crossovers” (encontro de personagens de publicações diferentes em uma mesma revista) e conseguiu fazer o mesmo no cinema, criando, a partir do primeiro filme do "Homem de Ferro", um Universo Marvel coeso nas telonas que hoje já se expande pras telinhas em séries de tevê e computadores ("on demand") mundo afora, se tornando, sob raras exceções (alguém sussurrou Nolan aqui?) a editora que mais levou personagens à outras mídias com resultados satisfatórios.
... e atacam também na tevê
Personagens da Marvel avança nos cinemas...
Quando se trata de filmes em animação para o mercado “Home Video” a situação se inverte e quem sai na frente é a DC, que tem adaptado várias de suas sagas clássicas e outras mais recentes com um trabalho primoroso de animação e ambientação, respeitando a obra original e buscando reproduzi-la com o máximo de precisão possível até mesmo o traço do artista que desenhou as HQs adaptadas.

Entre as grandes sagas da DC estão "Batman
O Cavaleiro das Trevas"...
Para se ter uma ideia já saíram pela Warner Bros. (empresa a qual a DC Comics pertence) adaptações animadas de importantes sagas clássicas como “A Morte do Superman” (Dan Jurgens e vários outros artistas), “Batman: Ano Um” (Frank Miller de David Mazuchelli) e “Batman – O Cavaleiro das Trevas” (Frank Miller) e outras mais recentes, como “DC: A Nova Fronteira” (Darwin Cooke) ou Supeman Grandes Astros (Grant Morrison e Frank Quitely), enquanto a Marvel, mesmo com tantas sagas e personagens interessantes, insiste em lançar animações originais e que não chegam nem perto do brilhantismo de obras como a “Saga da Fênix Negra” (Chris Claremont e John Byrne) ou “Demolidor – O Homem Sem Medo” (Frank Miller e John Romita Jr).

...e "A Morte do Superman"
A Marvel tem “inovado” no cinema, quando repete o que desde a sua aurora tem feito nas HQs, até mesmo obrigando novamente a DC a correr atrás do prejuízo, mas tem "marcado toca" quando se fala em animações feitas diretamente para serem vendidas em DVD e Bluray. Nesse caso específico, o exemplo a ser seguido é o da DC, que une qualidade de produção à boas histórias enquanto a Marvel aqui acolá tem lançado alguma coisa (muito pouco) e com qualidade bem aquém do material da concorrência. Pode até ser uma escolha da editora, investir mais nos cinemas mesmo, mas não se pode negar que nesse mercado a DC está anos-luz à frente da nossa querida "Casa da Ideias".

Agora é esperar pra ver o que o futuro nos reserva. A concorrência pode tanto ser boa (quando se busca qualidade), quanto ruim (quando o foco é apenas a quantidade). Tomara que o futuro nos reserve boas novas por parte das duas editoras tanto nos cinemas quanto no mercado direto para "Home Video".

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Mergulhe de cabeça na cultura nórdica com a série Vikings

A cultura nórdica, suas crenças religiosas e história repleta de grandes navegações, guerras e conquistas sempre foram grandes mistérios pra nós, que vivemos em um país que sabe tão pouco até mesmo sobre nosso próprio passado. Criada por Michael Hirst e lançada no início do ano passado, a série de tevê “Vikings” serve como um primeiro passo para sanar a primeira parte desse problema. 

Banner anunciando a primeira temporada da série
Produzida com esmero pelo ótimo “History Channel” e filmada na Irlanda a série narra a trajetória do corajoso guerreiro Ragnar Lothbrok (Travis Fimmel), que acredita ser descendente de Odin (o grande deus nórdico) e desafiou seu Earl (uma espécie de senhor feudal nórdico, interpretado na série por Gabriel Byrne) e acabou se tornando um importante rei viking.

Ragnar age contra as ordens de seu líder, e encomenda a seu amigo Floki (Gustaf Skarsgård) a construção de um navio e convence outros guerreiros a juntarem-se a ele para explorar por meio de métodos inovadores outras terras em busca de grandes riquezas, aportando num mosteiro em terras de domínio inglês, onde em atos de brutalidade, acabam matando vários religiosos desarmados e levando para si tudo que tem algum valor, além de alguns reféns. 

Ragnar e seu pequeno exército
A série mostra de forma crua a cultura, violência e bravura de um povo guerreiro que não entende como é possível que alguém adore um “deus morto” ao contemplar a imagem de Jesus Cristo pendurada em uma parede do mosteiro que seu pequeno exército invadiu. A primeira temporada teve apenas nove episódios e a segunda será lançada nos Estados Unidos dia 27/02/2013. Provavelmente, como aconteceu com a primeira temporada, só chega no Brasil com delay enorme (de meses), onde a primeira temporada foi exibida pelo NatGeo. 

Clique abaixo abaixo e veja um trailer da primeira temporada da série. Em breve resenha da primeira temporada, aquecendo os motores pro início da segunda.

Vale a pena conferir:



quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

"Fábulas": A história além dos contos infantis

Capa da 1ª edição da mensal
Já parou pra pensar como seria a vida dos personagens de contos infantis além da das histórias que conhecemos? O que aconteceu depois que a Branca de Neve ganhou o famoso beijo que a acordou do sonho eterno? E o Príncipe Encantado, quem é(são) mesmo esse(s) cara(s)? E o Joãzinho, o do pé de feijão e o da Maria, são a mesma pessoa? Pensando nisso (muito antes da, também interessante, série de tevê “Once Upon a Time”) o escritor de quadrinhos Bill Willinghan criou a série "Fábulas" ("Fables", no original), que preocupa-se em preencher essas lacunas, mostrando o que fizeram antes das histórias famosas e o que fazem hoje os personagens que conhecemos desde a tenra infância. A partir daí ele nos apresenta respostas a algumas das perguntas acima e outras tantas mais.

Pra começar, eles viviam todos em um local chamado “Terras Natais” e tiveram que fugir para o "Exílio" (nossa realidade, também conhecida como "Mundo Mundano" ou "Terreno") devido à ascensão de um ditador sanguinário conhecido simplesmente por “Adversário”. As “fábulas” (como são denominadas na história os personagens infantis) com aparência humana vivem em um local chamado “Cidade das Fábulas”, em Nova York, e os com aparência animal, mitológica ou monstruosa vivem em uma propriedade isolada denominada simplesmente de “Fazenda”.

Pra se ter uma ideia, o Lobo Mau se tornou o xerife da comunidade, a Branca de Neve se separou do adúltero Príncipe Encantado e se tornou assessora política influente do prefeito da Cidade das Fábulas e ainda tem uma irmã problemática e, até então desconhecida, chamada Rosa Vermelha que, por acaso, namora o charlatão João das Fábulas (ou das lorotas), que realmente é o mesmo Joãozinho de todas as histórias que conhecemos. Todos convivem numa comunidade urbana muito parecida com a que muitos de nós vivemos e enfrentam problemas muito familiares, como ter que trabalhar ou cuidar da saúde, o aumento da criminalidade, intrigas, inimizades, etc. 

Painel da capa do 2º encadernado: "Revolução dos Bichos"
A série é carismática por apresentar os personagens que antes víamos como infalíveis (Príncipe Encantado) ou frágeis (Branca de Neve) devido às famosas versões iminentemente maniqueístas e limitadas que conhecemos na infância, como se realmente se tratassem de seres humanos como nós, com defeitos e qualidades. Cheios de dúvidas sobre si mesmos, até mesmo sendo sacanas algumas vezes pra conseguir o que querem. Definitivamente, não se trata de histórias pra crianças.

O principal artista da série é Mark Buckingham, mas há colaborações frequentes de Lan Medina e Steve Leialoha. As capas sempre foram uma obra à parte, que merecem grande destaque não só pela sua grande qualidade artística, como também por fazer uma síntese eficiente da série, destacando aspectos relevantes sobre o que trata cada edição, foram de autoria de James Jean até a edição 81 e a partir de então são de João Ruas.

Rosa Vermelha:
15° encadernado
A série é publicada pelo selo "Vertigo" ("DC Comics") desde 2002 e já conquistou vários importantes prêmios dos quadrinhos, como o Eisner em mais de uma ocasião. Hoje já está na edição 137 caminhando para o final da saga, previsto para 150ª e já rendeu algumas séries derivadas, como a solo de João das Fábulas ("Jack of Fables") e "Fairest" (ainda inédita por aqui). No Brasil a série já passou pelas mãos das editoras Devir (os três primeiros encadernados) Pixel Media (o primeiro encadernado e algumas edições mensais) e hoje está com a Panini, que já publicou 15 encadernados (inclusive os que já haviam sido publicados antes e já estavam esgotados) em um ritmo muito bom e preços razoáveis, alcançando a marca de 100 edições originais da revista. 

Em breve, resenhas das edições encadernadas da Panini aqui na Taverna.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Piteco - Ingá: Um velho conhecido sob um prisma diferente

Capa  da edição
Dando continuidade aos excelentes lançamentos da linha Graphic MSP, a Panini disponibilizou no final de 2013 sua quarta edição: Piteco – Ingá, do multi-artista paraibano Shiko, mostrando uma diferente faceta do divertido e azarado personagem pré-histórico criado por Maurício de Sousa que completa 50 anos em 2014.

Shiko fez um trabalho sério e dedicado tanto nas ilustrações (anatomicamente perfeitas e detalhistas, próximos ao italiano Milo Manara) quanto na pintura em aquarela (que lembram alguns quadrinhos europeus). O roteiro também não deixa a desejar. Bem elaborado e passeando tranquilamente pelo folclore brasileiro com certas liberdades poéticas que só têm a acrescentar no belo resultado final da obra. Problemas atuais como a falta de água estão presentes na história, que envolve um perigoso resgate de sua amada, Thuga das mãos de uma perigosa tribo rival.

O artista optou por uma caracterização dos personagens bem dinâmica, brincando com os penteados, alguns com   Dreadlocks (tranças rastafari) parecidos com as de Bob Marley e moicanos como os ainda vemos hoje por aí nas tantas tribos urbanas que nos rodeiam.  As paisagens são um show a parte, mostrando uma natureza praticamente virgem e bela, sem grandes interferências humanas. Não poderia deixar de comentar sobre os enquadramentos escolhidos à dedo pelo artista, parecendo até que as  foram feitos por ótimos diretores de cinema.

Enquadramentos ousados e cinematográficos
As edições anteriores da coleção foram: Astronauta – Magnetar (Danilo Beiruth), Turma da Mônica – Laços (Vitor e Lu Cafaggi) e Chico Bento – Pavor Espaciar (Custavo Duarte). Todas saíram em formato grande e papel couchê com opções de acabamento em brochura ou capa dura a preços razoáveis e ainda disponíveis à venda no mercado. 

Em tempo:
A Panini já prometeu mais quatro novos lançamentos: Papa-Capim (Marcela Godoy e Renato Guedes), Bidu (Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho), Turma da Mata (Greg Tocchini, Davi Calil e Artur Fujita) e Penadinho (Paulo Crumbim e Cristina Eiko). Também estão previstos continuações de Astronauta e Turma da Mônica pelas mãos das equipes originais.

Em breve aqui na Taverna teremos resenhas destas edições.
Confira abaixo a prévia da continuação da Turma da Mônica - Laços:



terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Review: Terceira temporada de Dexter


Dando continuidade às resenhas da série de TV Dexter, primeiramente, gostaria de pedir desculpa pela demora (mea maxima culpa!) e dizer que, pelo menos até a quarta, que foi onde, infelizmente, parei de assistir a série, será feita em breve. Não se esqueça que há alguns spoilers espalhados pelo texto. Se não gostar de saber antes de assistir, melhor não seguir adiante com a leitura. Dito isto, vamos ao que interessa:

A história avança na terceira temporada, mostrando diferentes facetas da vida do protagonista e de seus interessantes coadjuvantes. Dessa vez, Dexter acaba se envolvendo em um assassinato não-programado (fora do "Código de Harry") do irmão de Miguel Prado (Jimmy Smits), um promotor de justiça de origem latina em ascensão em sua carreira. Também sem querer, Miguel acaba descobrindo uma parte da verdade de Dexter, acreditando que ele era um assassino e que matara o assassino de seu irmão, fazendo, com as próprias mãos, a justiça que ele mesmo não teve a oportunidade de fazer.

O segredo acaba aproximando os dois e, apesar da grande desconfiança inicial de "Dex", em certo momento ele chega a se perguntar se, mesmo sendo um assassino, também não teria o direito de ter um amigo de verdade, mas aos poucos vai descobrindo que realmente não pode confiar em ninguém, pois o “Código de Harry”, seguido por ele não seria seguido por seu novo “amigo”, que tem suas próprias ideias sobre o que fazer com o que aprendeu com Dexter, levando a temporada a um final dramático, mas esperado por quem conhece o protagonista das temporadas anteriores, o que já é uma boa notícia, pois ele evoluiu até mesmo “como ser humano” (se é que se pode dizer que ele é um), mas continua sendo o velho Dexter, o que já é muito, pelo menos, mantendo a coerência.


Dexter e seu "novo amigo", Miguel Prado
Paralelamente surge Joey Quinn (Desmond Harrington), um novo (e investigado pela corregedoria) parceiro de Debra (Jennifer Carpenter)  e eles investigam o caso de um criminoso que matava pessoas esfolando-as vivas, solucionando o caso de uma forma ousada e interessante. Debra acaba também se envolvendo romanticamente (sempre ela) com o músico Anton (David Ramsey), um antigo contato extraoficial de Quinn que o ajudava a solucionar alguns crimes com suas dicas. Não poderia deixar de comentar da grande novidade que mudará a vida do protagonista para sempre: Ele descobriu que sua namorada Rita estava grávida e decide se casar com ela, tornando-se um pai de família e tudo que isso implica. Veremos no que isso vai dar na temporada seguinte.


Dexter em seu casamento: Pai de família e assassino
Uma interessante novidade é que Dexter continua tendo uma conexão com seu pai, mas não mais como Flashbacks, como acontecia antes. Agora ele se comunica com seu pai diretamente, como um amigo invisível, ou um fantasma, o que acaba se tornando engraçado à medida que ele vai descobrindo o passado secreto de seu pai, com adultério e, indiretamente, culpa num crime que mudou a vida de Dexter para sempre. A cara de vergonha de Harry (James Remar) quando o protagonista vai desvendando seu passado obscuro é um dos pontos altos da temporada.

Esta é a temporada mais parada (até o ponto onde assisti). Uma espécie de suspiro antes do grande mergulho que foi a ótima e surpreendente temporada seguinte. Não quero dizer que seja uma temporada ruim (muito pelo contrário!), continua muito acima da média de várias outras séries atuais. A história continua rendendo interessantes reflexões sobre como um assassino vê o mundo, como um ser estranho à grande maioria das pessoas, quase que como um filósofo da Antiguidade, pensando à respeito do que as pessoas fazem e porque o fazem, levando até mesmo os não-serial killers a refletirem sobre seus atos diários, sentimentos, forma de pensar, etc.


Clique aqui e confira a resenha da segunda temporada.                                                     

Clique aqui e confira a resenha da primeira temporada.
Clique aqui e leia uma breve análise sobre a série, no artigo: "Dexter e sua missão (im)possível de tornar um assassino adorável".