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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Review: Terceira temporada de Dexter


Dando continuidade às resenhas da série de TV Dexter, primeiramente, gostaria de pedir desculpa pela demora (mea maxima culpa!) e dizer que, pelo menos até a quarta, que foi onde, infelizmente, parei de assistir a série, será feita em breve. Não se esqueça que há alguns spoilers espalhados pelo texto. Se não gostar de saber antes de assistir, melhor não seguir adiante com a leitura. Dito isto, vamos ao que interessa:

A história avança na terceira temporada, mostrando diferentes facetas da vida do protagonista e de seus interessantes coadjuvantes. Dessa vez, Dexter acaba se envolvendo em um assassinato não-programado (fora do "Código de Harry") do irmão de Miguel Prado (Jimmy Smits), um promotor de justiça de origem latina em ascensão em sua carreira. Também sem querer, Miguel acaba descobrindo uma parte da verdade de Dexter, acreditando que ele era um assassino e que matara o assassino de seu irmão, fazendo, com as próprias mãos, a justiça que ele mesmo não teve a oportunidade de fazer.

O segredo acaba aproximando os dois e, apesar da grande desconfiança inicial de "Dex", em certo momento ele chega a se perguntar se, mesmo sendo um assassino, também não teria o direito de ter um amigo de verdade, mas aos poucos vai descobrindo que realmente não pode confiar em ninguém, pois o “Código de Harry”, seguido por ele não seria seguido por seu novo “amigo”, que tem suas próprias ideias sobre o que fazer com o que aprendeu com Dexter, levando a temporada a um final dramático, mas esperado por quem conhece o protagonista das temporadas anteriores, o que já é uma boa notícia, pois ele evoluiu até mesmo “como ser humano” (se é que se pode dizer que ele é um), mas continua sendo o velho Dexter, o que já é muito, pelo menos, mantendo a coerência.


Dexter e seu "novo amigo", Miguel Prado
Paralelamente surge Joey Quinn (Desmond Harrington), um novo (e investigado pela corregedoria) parceiro de Debra (Jennifer Carpenter)  e eles investigam o caso de um criminoso que matava pessoas esfolando-as vivas, solucionando o caso de uma forma ousada e interessante. Debra acaba também se envolvendo romanticamente (sempre ela) com o músico Anton (David Ramsey), um antigo contato extraoficial de Quinn que o ajudava a solucionar alguns crimes com suas dicas. Não poderia deixar de comentar da grande novidade que mudará a vida do protagonista para sempre: Ele descobriu que sua namorada Rita estava grávida e decide se casar com ela, tornando-se um pai de família e tudo que isso implica. Veremos no que isso vai dar na temporada seguinte.


Dexter em seu casamento: Pai de família e assassino
Uma interessante novidade é que Dexter continua tendo uma conexão com seu pai, mas não mais como Flashbacks, como acontecia antes. Agora ele se comunica com seu pai diretamente, como um amigo invisível, ou um fantasma, o que acaba se tornando engraçado à medida que ele vai descobrindo o passado secreto de seu pai, com adultério e, indiretamente, culpa num crime que mudou a vida de Dexter para sempre. A cara de vergonha de Harry (James Remar) quando o protagonista vai desvendando seu passado obscuro é um dos pontos altos da temporada.

Esta é a temporada mais parada (até o ponto onde assisti). Uma espécie de suspiro antes do grande mergulho que foi a ótima e surpreendente temporada seguinte. Não quero dizer que seja uma temporada ruim (muito pelo contrário!), continua muito acima da média de várias outras séries atuais. A história continua rendendo interessantes reflexões sobre como um assassino vê o mundo, como um ser estranho à grande maioria das pessoas, quase que como um filósofo da Antiguidade, pensando à respeito do que as pessoas fazem e porque o fazem, levando até mesmo os não-serial killers a refletirem sobre seus atos diários, sentimentos, forma de pensar, etc.


Clique aqui e confira a resenha da segunda temporada.                                                     

Clique aqui e confira a resenha da primeira temporada.
Clique aqui e leia uma breve análise sobre a série, no artigo: "Dexter e sua missão (im)possível de tornar um assassino adorável".




sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

"Valente": uma história que se confunde com a de cada um de nós

Os três volumes de "Valente" recém-
lançados pela Panini
Estão disponíveis em bancas e livrarias espalhadas por todo o país as edições Valente Vol. 1“Valente para Sempre”, Vol. 2 “Valente para Todas” e o Vol. 3 “Valente por Opção”, coletâneas que reúnem, em sequência, as tirinhas de Vitor Cafaggi (Coleção Graphic MSP - Turma da Mônica: Laços) lançadas originalmente no "Jornal O Globo" e que também marcam presença no blog de VitorOs dois primeiros volumes já haviam sido publicados pelo artista de forma independente, mas já se encontravam esgotados e agora têm relançamento pela Panini juntamente com o terceiro inédito. A editora apostou no trabalho de Vitor após o grande sucesso da edição "Turma da Mônica: Laços", feita juntamente com sua irmã (Lu Cafaggi) para o selo Graphic MSP (também da Panini).   

Afinal, do que trata Valente?
Vitor no lançamento de
Turma da Mônica: Laços
As tirinhas contam a história de Valente, um tímido e empolgado cãozinho que está tendo seus primeiros contatos com o mundo feminino. O interessante é que elas são complementares, como se se tratassem de pequenos capítulos de uma série de TV, mostrando a evolução do personagem de uma forma que muitas "Graphic Novels" ou até mesmo livros não conseguem fazer.

Não tem como ler as desventuras de Valente sem lembrar de situações semelhantes (às vezes até ridículas) porque passamos ao longo de nossas vidas nessa época tão conturbadas que, se não tomarmos cuidado, aos poucos vamos esquecendo e deixando pra trás. Ler Valente é como um retorno à nossa adolescência, nossos amigos confidentes e todas as nossas primeiras “garotas de nossa vida”. A sensibilidade do autor pode ser sentida a cada quadro, cada palavra. Vale a pena conferir. 

A partir de Valente pode estar sendo criado um novo paradigma para os quadrinhos nacionais, com sua disponibilização em bancas e livrarias a preços não tão astronômicos a ponto de impedir que muitos leitores tenham acesso à histórias de qualidade feitas por talentosos artistas brasileiros.

A única crítica vai para o lançamento simultâneo de todas as edições, que poderiam ser lançadas aos poucos dando oportunidade à mais pessoas de adquirirem os três volumes de Valente. 

Algumas tirinhas do Vol. 1 "Valente Para Sempre"

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Selvagens à Procura de Lei: A volta da rebeldia (com qualidade) ao Rock Brasil

Logo da banda remete ao psicodelismo
dos anos 70 e à  Tropicália
Há um bom tempo a cena (Pop)Rock nacional está carente de bandas realmente interessantes (e, sob certa medida, inovadoras) e foi justamente de onde menos se esperava que surgiu, antes tarde do que nunca, a bem-vinda surpresa. Formada em 2010 em Fortaleza-CE (terra conhecida pelas bandas de forró) por Gabriel Aragão (voz, guitarra e piano), Rafael Martins (voz e guitarra), Caio Evangelhista (baixo) e Nicholas Magalhães (bateria) os Selvagens à Procura de Lei ou simplesmente "SaPdL" fazem uma fusão de várias vertentes do roquenrol. Ouvindo o álbum homônimo lançado no ano passado, o primeiro do quarteto lançado por uma gravadora,  é possível viajar à várias épocas diferentes, desde os Beatles (anos 60), passando pelo Pink Floyd e Tim Maia (anos 70), Legião Urbana e Cazuza (anos 80), chegando a bandas mais atuais, como The Strokes, Franz Ferdinand ou Artic Monkeys, entre várias outras que eu, por limitação de conhecimentos musicais, talvez não tenha isolado.

A temática das letras oscila entre a MPB dos anos 70, um dos períodos de alta criatividade na música, com referências a artistas como Fagner, Belchior (“...as velas do Mucuripe vão bater no Planalto Central”, dizem eles em Mucambo Cafundó), Milton Nascimento, entre outros e do Rock/Brasil dos anos 80, principalmente por conta da rebeldia de algumas delas, como “Brasileiro”, “Massarara” e “Mocambo Cafundó” com temáticas similares ao que sentimos ouvindo “Que País é Este” (Legião Urbana) ou “Brasil” (Cazuza). Hinos de revolta contra a situação do país e a própria inércia das pessoas diante disso. Convenhamos, estava mesmo faltando rebeldia aos nossos jovens roqueiros atuais, que tantas vezes mais têm se preocupado com suas roupas ou penteado que com a música que fazem.

O quarteto consegue ser inteligente sem ser chato, como podemos conferir em “Senhor Coronel” (uma reflexão sobre o que realmente é importe na vida) ou “Crescer dói”, sobre aquele momento entre o fim da adolescência e começo da idade adulta, repleto de dúvidas e medo do desconhecido, onde a principal pergunta é: o que eu quero mesmo da minha vida?

Imagem de capa do CD da banda,
lançado no ano passado
A banda não deixa de lado as canções de amor (sempre elas!), expondo ao público sua veia romântica com muita qualidade em canções como “O amor existe, mas não querem que você acredite” (uma reflexão interessante sobre o tema), “Música de amor número um” (uma declaração endereçada à namorada de Gabriel), “Despedida” (autorreferente). Todas são reflexões sobre o tema e não apenas canções de amor escancaradas, o que já é um diferencial diante de outras tantas bandas que vemos por aí. 

Outra característica marcante da banda é que todos cantam uma hora ou outra, como vocal principal ou backing vocal (sempre corretos e bem executados). Até mesmo Nicholas, sem se distanciar das baquetas, teve o ensejo de mostrar seu lado vocalista no refrão de “Despedida”. Todos o fazem, sem com isso deixar “cair a peteca”, mantendo um bom nível vocal em todo o álbum. A banda consegue manter uma boa coesão, sem grandes oscilações que poderiam baixar a qualidade em algum momento. 

Quanto à parte instrumental, a maioria do repertório é à base de guitarras, baixo e bateria, mas há também a presença marcante de um piano eficiente em algumas faixas, sobretudo nas canções mais românticas ou reflexivas. A banda foge de simplificações, com arranjos relativamente ousados, sobretudo se comparado a outros grupos atuais. Sempre alguém está fazendo alguma coisa diferente de apenas uma simples batida nos acordes de seu instrumento, com riffs ou dedilhados interessantes à guitarra, linhas de baixo marcantes ou viradas de bateria que em muitos momentos dão aquele quê a mais nas canções.

Se você ficou curioso e quer saber um pouco mais sobre a banda, eles têm um site interessante onde além de vídeos e fotos apresentando a banda e informações sobre o que eles andam fazendo, disponibilizam algumas músicas para download gratuito e o CD da banda em formato digital à venda através do iTunes. Cliquem aqui e confira, que vale a pena, pois tem muita coisa anterior ao lançamento ao álbum aqui comentado que nos faz conhecer ainda melhor as influências e a qualidade dos som da banda. Abaixo você pode conferir o clipe de Mucambo Cafundó, lançado em 2011 pela banda, que foi apontada como grande aposta pela VMB 2012 (premiação da MTV Brasil). Entre outros importantes festivais, a banda está confirmada pra toca no Loolapalloza Brasil 2014 no próximo dia 06/04.



segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

"Preacher": No meio do campo de batalha entre o Céu e o Inferno

Pôster com vários personagens que de "Preacher"
Se você já é um leitor antigo de HQs, com certeza já deve ter lido alguma coisa ou pelo menos ouviu falar de “Preacher”, uma pérola dos anos 90, considerado por muitos um período negro dos quadrinhos devido à baixa qualidade do que foi produzido na época. A série ultraviolenta e, a princípio, nonsense, de Garth Ennis (roteiro), Steve Dillon (arte) e Glenn Fabry (capas), foi publicada mensalmente pela Vertigo (selo adulto da DC) entre 1995 e 2000 e conta a trajetória nada santa do ex-pastor Jesse Custer, ao lado de sua ex-namorada Tulipa e de vampiro irlandês “muy amigo” de ambos, Cassidy, formando uma estranha trupe que viaja ao redor dos Estados Unidos à procura da resposta para uma simples pergunta: “Porque Deus abandonou o Céu?”. Pode parecer um plot capaz de fazer qualquer pessoa mais religiosa (principalmente católicos) passar longe da publicação, se negando até mesmo a continuar lendo as linhas que se seguem, mas, garanto que, mesmo quem tem suas crenças, se tiver a mente um pouco aberta a outras formas de concepção das coisas, poderá se divertir um bocado com a obra e até mesmo refletir sobre sua posição no mundo.

Um pouco da história
Gênesis: Fruto malfadado 
de um amor proibido
Tudo começa quando durante um de seus sermões o pastor é atingido por uma força que incinera toda a sua igreja juntamente com seus fiéis, deixando apenas ele vivo sem entender qualquer coisa sobre o que aconteceu ou como sobreviveu. De repente ele se vê capaz de, com uma simples palavra, obrigar qualquer pessoa a fazer qualquer coisa que ele peça, desde um simples pedido, como fechar a matraca, como “se foder”, literalmente (de verdade!). Esse “Dom da Palavra” acaba tornando o ex-pastor uma peça decisiva campo de batalha entre o Céu e o Inferno e isso o faz passar por várias provações, pois não queria se envolver em nada disso, apenas cumprir sua meta inicial, a qualquer custo.

Aos poucos ele descobre que "Gênesis", uma entidade fruto do amor entre um anjo e um demônio nasceu naquele momento se fundiu ao seu corpo e ao longo da história vai encontrando seus parceiros de viagem e outros interessantes personagens, como o “Santo dos Assassinos”, um pistoleiro do século XIX, o “Cara de Cu”, um jovem fã do Nirvana que tenta com a ajuda de uma arma (sem sucesso) seguir o caminho final de seu ídolo, resultando numa aparência horrenda, como sua alcunha sugere, e Herr Starr, um militar defensor do culto religioso Santo Graal, que deseja ter em seu poder o messias renascido a qualquer custo (qualquer um mesmo).

Cara de Cu: um dos coadjuvantes mais interessantes das HQs

Comentários
A  história é puro cinismo impresso em celulose, com palavrões, sexo, pancadaria, sangueira e as mais variadas personagens tão bizarros quanto as situações a que estão expostos, recheadas de críticas à sociedade ocidental católica-cristã e referências à cultura Pop, como os antigos filmes faroeste (Custer tem John Wayne como um conselheiro invisível) e musicais diversas (da música mais interiorana de raiz ao rock contemporâneo).

Enfim, a conclusão chega ao Brasil
O roteiro é contado de forma não-linear, ora visitando o passado dos personagens (ou até mesmo de seus pais), ora voltando ao presente, constantemente mudando tanto o ponto de vista sob o qual que a trama é contada, ao ponto de o protagonista da série se confundir, sendo Cassidy durante algumas edições, por exemplo, depois voltando a ser Custer, o que torna mais consistente a trajetória de cada um deles, mostrando como cada um se tornou o que é mostrado. 

“Preacher” teve 66 edições mensais (número sugestivo), cinco edições especiais e mais uma minissérie especial (spin-off) do “Santo dos Assassinos” e foi compilada nos Estados Unidos em 9 encadernados. No Brasil, Após uma série de transtornos e passagem por várias editoras e formatos, a publicação finalmente chegou ao fim em 2011 pelas mãos da Panini, que lançou os três últimos volumes e após o último, “Álamo”, tem se dedicado a publicar todos os anteriores para que os leitores possam finalmente completar sua coleção em um único formato (luxuoso, diga-se de passagem, com acabamento em papel couchê e capa dura). Recentemente chegou às livrarias o terceiro encadernado, “Orgulho Americano”, faltando agora apenas o quarto, quinto e sexto para que a série seja completada pela editora.

Se você é fraco do coração, não vou nem insistir pra que dê uma chance à série, pois ela pode te levar a fortes emoções e eu não gostaria de ser o responsável por qualquer mal que possa te acontecer. Leitura altamente recomendada pela Taverna, mas não se esqueça de ler as contra-indicações acima.

Personagens centrais de "Preacher":
Custer, Tulipa e Cassidy

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Death Note: Uma exceção bem vinda


Eternos adversários: "L" x Light/Kira
O protagonista da série, Light Yagami, é um jovem estudante brilhante de apenas 17 anos que vive de saco cheio com o tédio que a vida lhe oferece. Eis que, de repente (do nada mesmo) encontra um caderno preto escrito "Death Note" (assim mesmo, em inglês) na capa. O caderno é uma espécie é uma espécie de manual de instruções de si mesmo, informando ao leitor o motivo sombrio de sua existência a e como o proprietário pode usá-lo. O objeto é, como seu próprio nome diz, um “caderno da morte”, cujo usuário ao escrever o nome de uma pessoa em suas páginas, pensando em suas feições é capaz de matá-la sem sequer ter que chegar perto dela. Ele pode tanto conter informações precisas sobre o momento e condições exatas da morte, como um acidente de trânsito, por exemplo, ou não conter nada, situação em que a vítima morre de ataque cardíaco em menos de um minuto. 

A princípio, o protagonista não acredita muito naquilo e considera uma grande bobagem até que ele faz um pequeno teste e aos poucos vai descobrindo os muitos usos que pode fazer do objeto para alcançar seu objetivo, que (aqui vai minha crítica) é o mais óbvio possível: “Se tornar o rei do mundo”, pois ele acredita que o caderno pode ser usado para tornar o mundo um lugar melhor pra todos, eliminando todos aqueles que praticam o mal, ou seja, para ele, os fins justificam os meios. O poder sobe a cabeça do protagonista, que vai perdendo cada vez mais a noção do limite entre o que é certo e errado no decorrer da série.

Após as primeiras mortes surge a figura de “L”, um detetive altamente especializado em encontrar assassinos em série, como o “Ligth”, que por ser desconhecido do público, acaba sendo apelidado pela imprensa de “Kira”, forma comum na língua japonesa para o adjetivo “killer”, que significa assassino em inglês. A história então se torna uma espécie de jogo de gato e rato entre os dois gênios, um desejando descobrir quem é o assassino e o outro, querendo impedir que isso aconteça. O enredo fica então fica repleto de reviravoltas e os embates intelectuais entre os dois vão tomando proporções cada vez maiores, ora um se sobressaindo, ora o outro até chegando ao fim da primeira grande saga de forma totalmente surpreendente, seguido por uma segunda fase igualmente interessante, com novos “Kiras” (como Misa Amane, que acaba se tornando sua admiradora e namorada) e mais personagens seguindo seu rastro.

Shinigamis da série: Ray e Ryukku
Apropriações (e adaptações) culturais
A série apropria-se do conceito de Shinigami (deus da Morte), entidade da mitologia japonesa cuja função seria levar as almas humanas para o mundo dos mortos. Normalmente os shinigamis vivem no mundo dos mortos e são invisíveis aos seres humanos. Na série eles são apresentados como figuras de aspecto demoníaco e cada um deles é dono de um caderno da morte onde ele mesmo deve escrever o nome das pessoas que devem morrer ou pode ainda “terceirizar” esse trabalho, entregando seu Death Note a um humano, que a partir de quando toca no objeto é capaz de vê-lo, criando uma espécie de laço de parceria entre os dois.

O mangá foi publicado entre 2003 e 2006 pela revista japonesa Weekly Shonen Jump, totalizando 12 volumes e já foi publicado no Brasil pela JBC, que recentemente encerrou sua republicação em formato mais luxuoso (Black Edition) e compilada em apenas seis volumes. A adpatação para anime foi produzida pela Madhouse com direção de Tetsuro Araki e contou com 37 episódios exibidos entre 2006 e 2007 no japão, que contaram cerca de 5 anos da vida de Ligth Yagami. Atualmente também já é possível adquirir a série completa no mercado brasileiro. 
Da esquerda pra direita: Light, Misa, "L" e Near

Alguns Personagens
Light Yagami (“kira”): Melhor aluno do Japão. Torna-se Kira após encontrar o Death Note do shinigami Riukku. 

“L”: Grande antagonista onipresente ao longo da série. Detetive particular altamente especializado e inteligente. Dedica-se a encontrar “Kira”.

Misa Amane (2º Kira): superstar japonesa que também torna-se portadora de um Death Note e admiradora de Kira, tornando-se o 2º Kira e seguindo as ordens de Ligth.

Near: Outro gênio. Sucessor direto de “L”. É uma criança orfã que foi criada no orfanato “Wammy’s House”. Cria uma fundação com a função específica de capturar Kira.

Melo: Outro jovem órfão criado no “Wammy’s House”. Um dos sucessores de L, mas acaba fazendo um pacto com a máfia a fim de superar Near, que ele considera um adversário.

Ryukku: Shinigami dono original do Death Note usado por Light. Desempenha papel importante, explicando detalhes do funcionamento do caderno e ajudando Ligth em alguns momentos.


Em tempo: Aproveitando o espaço, gostaria de destacar o ótimo trabalho de animação do estúdio, detalhista e usando jogo de luz e sombra de forma bastante interessante. Destaque também pras canções de abertura e encerramento da série, sobretudo as da primeira temporada. Todas ótimas. Clique abaixo confira a abertura da primeira temporada.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

A romantização da música com o tempo (Ou seria das pessoas?)

Capa do álbum "Tropicália" (1968)
Já parou pra pensar sobre como as constantes metamorfoses porque a grande maioria dos grandes nomes da música passa tende a “amolecê-los”, tornando-os mais melo(dio)sos, românticos e menos críticos à sociedade que os rodeia? É bem verdade que idade e “experiência” (e também algumas necessidade$) tornam as opiniões mais maleáveis, fazendo as pessoas aceitarem mais passivamente a realidade, sem grandes embates filosóficos tão comuns à juventude, época de extrema rebeldia e busca incessante por liberdade e identidade pela qual todos passamos. Enfim, com o tempo, as pessoas acabam se conformando com o sistema que lhes é imposto e aprendendo a conviver com ele, ficando, sem perceber, cada vez mais parecidas com seus pais, que tanto criticavam quando eram mais jovens.

Na música não é diferente: artistas da tropicalistas, por exemplo, que antes pregavam uma nova (contra-)cultura, com roupas e forma de pensar e viver diferentes, criticando de várias formas a realidade social hoje se transformaram basicamente em um artistas românticos ou de samba (sei lá). O que é uma pena, pois escrever sobre o amor é um ótimo exercício de imaginação e pode originar canções que tranquilamente seriam consideradas verdadeiras pérolas, mas só sobre ele e sempre da mesma forma, aí já é demais.

Logo, mentes talentosas que escreveram canções que até hoje têm tanta força, devido não só à sua poesia, mas também ao estilo musical, até hoje considerado tão inovador por seu experimentalismo. Basta ouvir o disco "Tropicália ou Panis et circenses" (de 1968) pra entender do que estou falando. Há energia no ar quando se ouve aquelas canções com aqueles arranjos orquestrados, pendendo entre o rock estrangeiro e a cantiga popular brasileira.
Cazuza e Frejat na primeira edição do Rock in Rio (1985)
Até mesmo algumas bandas de PopRock Brasil que tanto fizeram sucesso nos anos 80 e ainda hoje persistem, têm se romantizado cada vez mais com o passar do tempo. E pensar que as mesmas mentes deram à luz canções ótimas e politicamente engajadas naquele momento político, algumas que podemos até considerar como ode à realidade da vida numa selva de concreto, hoje cantam muito mais o amor e relacionamentos românticos (beirando a pieguice) que qualquer outra coisa. Até mesmo a forma de tocar as canções vem se “pasteurizando”. Todas acabam parecendo tão iguais, mais ligada ao suingue que a música em si, perdendo em qualidade.


Jim Morrison ("The Doors")
Kurt Cobain ("Nirvana")
Refletir sobre isso acaba nos levando a ir mais longe em nossos pensamentos, chegando ao questionamento: será que artistas como Jim Morrison (“The Doors”), kurt Cobain (“Nirvana”), ou mesmo nossos Raul Seixas ou Cazuza teriam hoje as mesmas visões de mundo que os consagraram, marcando-os para sempre como símbolo de rebeldia, juventude e, tantas vezes, até mesmo anarquia. Infelizmente, não temos como saber essa resposta, pelo menos não com certeza. Mas, de qualquer forma, vale a reflexão sobre o que fazemos com o mundo ou no que acabamos deixando que ele nos transforme. Até que ponto estamos amadurecendo ou, na verdade, nos deixando levar pelo caminho mais fácil? Isso não só na música, mas pra vida. Vale lembrar que nem todos mudam tanto com o tempo. Felizmente tem muita gente que permanece com suas concepções artísticas e de vida. Esses podem ser grandes exemplos para todos nós.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Projeto paralelo é a nova onda na música (parte 2 - Final) - "Agridoce"

Dando continuidade (e encerrando) essa pequena série de artigos sobre projetos musicais paralelos que teve início no último dia do ano passado, agora é a vez de falar sobre o “Agridoce”, um projeto da roqueira baiana Pitty ao lado do guitarrista de sua banda, Martin, que além de tocar, divide os vocais em algumas canções. Neste proposta iniciada no ano de 2011 vemos uma entrega maior e mais íntima da cantora, já tão confessional nas canções que apresenta ao lado de sua banda tradicional. Aqui ela chega a extremos.

Toda a vestimenta musical das canções é formada por instrumentos mais acústicos (violão folk, piano, escaleta, entre vários outros), dando um tom mais intimista, um vocal em tom mais leve, às vezes sussurrado e letras que retomam diretamente a algumas situações de vida porque todos passamos ou poderemos passar em um momento ou outro, sem aquele tom de crítica social tão presento no bom e velho “Roquenrol”. Não que isso seja uma crítica ao projeto, muito pelo contrário. Foi uma ótima iniciativa da cantora de mostrar esse seu lado para um público, tão mais acostumado à agressividade visceral das guitarras distorcidas e bateria tão presente.

Algumas canções chegam a beirar o bucolismo, como “Epílogos”, que remete a infância, quando uma pessoa ainda jovem, com muita vida pela frente está se despedindo (contra a vontade) de tudo que poderia ainda viver. Destaque também para “Dançando”, uma ode à esperança, “Raini”, cantada em inglês, com uma sonoridade que remete a algumas canções da fase mais madura dos Beatles. Não poderia esquecer de destacar o tom romântico de “Romeu”, uma carta de despedida à um grande amor ou ainda "20 Passos", com uma ótima letra na voz de Martin.   

Único álbum do duo, de 2011
O álbum se encerra com a canção “Please Please Please Let Me Get What I Want”, uma homenagem da dupla aos “Smiths”, banda inglesa dos anos 80 que exerce influência na carreira da dupla e tantos outros artistas nacionais, como a Legião Urbana, por exemplo. A "versão agridoce" tem sua base em um lindo e simples (como quase tudo que é belo)  dedilhado piano e vocais calmos.

O projeto foi pra estrada e rendeu ainda um DVD revelando o processo de produção do álbum em uma casa na Serra da Cantareira, onde a dupla se refugiou para refletir e colocar em prática esse projeto que foi encerrado oficialmente em março do ano passado, após participação no Loolapaloosa Brazil 2013, exibido por um canal de tevê pago com tratamento em preto e branco, dando um ar clássico e saudosista à última apresentação da dupla.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Projeto paralelo é a nova onda na música (parte 1) - "Pouca Vogal"

Muitos artistas passam anos e anos fazendo as mesmas coisas sempre mais ou menos do mesmo jeito (que o digam os tiozões dos "Rolling Stones"), o que, com o passar do tempo, pode se tornar, no mínimo, maçante de tão repetitivo tocar as mesmas canções. Para fugir disso, alguns têm feito exercícios de imaginação, ousando trilhar outros caminhos, como aconteceu recentemente com a Pitty, que juntamente com seu guitarrista, Martin, lançou o Agridoce e também com Humberto Gessinger (Engenheiros do Hawaii) e Duca Leindecker (Cidadão Quem).

A dupla Gessinger+Leindecker formava o Pouca Vogal
Esse texto será dividido em duas partes para melhor falar sobre cada um desses projetos que, pelo menos pra mim, podem servir de diretrizes para que vários outros artista possam "oxigenar" suas carreiras tocando canções diferentes de formas totalmente novas e ousadas sem, para isso necessariamente perderem seu público, muito pelo contrário, podendo inclusive, expandi-lo, atingindo pessoas que até então nunca deram uma chance para suas canções.


Capa do primeiro álbum do duo
Pouca Vogal
Como dito antes, o Pouca Vogal é formado por artistas de bandas já consagradas, sobretudo a de Gessinger, que já tem mais quase trinta anos de história desde o lançamento de seu primeiro álbum em 1986 quando surgiu “Longe Demais das Capitais” nas prateleiras das, hoje raras, lojas de discos (na época, ainda no auge do formato LP).

O título do projeto é uma brincadeira com os sobrenomes dos dois artistas, amigos de longa data, que realmente possuem poucas vogais e consoantes em demasia, comum às pessoas que nasceram no Rio Grande do Sul, sobretudo de origem alemã, como é o caso deles.

Uma parceria entre os músicos já era desejo antigo de ambos que pôde ser finalmente realizado em 2008, quando as duas bandas encerravam suas turnês ao mesmo tempo, dando uma pequena folga aos músicos para que pudessem por em prática seu desejo. Gravaram o álbum: "Pouca Vogal – Gessinger+Leindecker", com oito canções cantadas e tocadas por eles usando vários instrumentos e as lançaram em .mp3 de forma gratuita em sua página na web. Logo após saíram em turnê passando por várias cidades do país. 

No início de 2009 a dupla gravou o CD/DVD "Pouca Vogal Ao Vivo em Porto Alegre" reunindo, além das canções feitas para o "Pouca Vogal", músicas do repertório das duas bandas originais em arranjos totalmente novos adaptados ao formato mais acústico e intimista do projeto e com algumas participações mais que especiais, como a orquestra gaúcha PoA Pops, regida por Fernando Cordella e Luciano Leindecker (irmão de Duca) no contrabaixo.

O projeto foi encerrado pela dupla em dezembro de 2012, mas permanece na alma dos dois que atualmente estão trabalhando em projetos solo e mais ligados ao regionalismo e voz e violão. Agora é esperar pra ver o que o futuro nos reserva. Os trinta anos dos Engenheiros do Hawaii estão quase batendo à porta.


Segundo e último álbum: múltiplos
instrumentos, vários artistas
Por que mesmo é um projeto interessante?
O "Pouca Vogal" é um projeto interessante porque, além de expôr os artistas sob um novo prisma, mostrando seu lado mais ligado à música regional, MPB e ao folk, distanciando-os daquela pegada mais PopRock a que estamos tão acostumados, ainda apresentou (pelo menos pra mim) um pouco da trajetória da "Cidadão Quem", uma ótima banda gaúcha mais recente que os Engenheiros e também com ótimas canções, como  "Girassóis", a esperançosa "Dia Especial", "Pinhal" (feita para seu irmão) e "A Força do Silêncio", uma das canções com o tom mais crítico da banda.

Os limites de serem um duo, ao invés de reduzir as possibilidades, acabaram somando, fazendo com que surgissem criativas soluções para os problemas que iam surgindo, ao ponto de  muitas vezes, chegarmos a duvidar que há apenas dois músicos no palco. Manteve-se o tom poético, mas com uma roupagem totalmente nova, uma nova forma de expressão.

Todas as canções da dupla, de uma forma ou de outra, acabam remetendo à história das bandas. Destaque para canções leves como "Depois da Curva", que tem uma levada de violão Folk pegajosa e letra grudenta, "O Vôo do Besouro", outra ótima parceria da dupla, com vocais unidos formando acordes e "Pra Quem Gosta de Nós", que remete à "Pose", canção dos Engenheiros recheada de paradoxos (como eles adoram) lançada nos anos 90, mas que ficou realmente conhecida na versão lançada no álbum "Acústico MTV" (2004) ao lado de sua filha Clara.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Revirando a estante: Conta Comigo (Stand By Me)

Se você viveu sua infância na década de 80 ou 90 (como este que vos escreve) é bem provável que se lembre do filme “Conta Comigo” (“Stand By Me”) produzido em 1986, mas constantemente reprisado na Sessão da Tarde nas décadas citadas. O filme, dirigido por Rob Reiner, é baseado no conto “The Body”, escrito por ninguém menos que o mestre do terror Stephen King e narra em primeira pessoa uma importante passagem da vida Gordie Lachance (Will Wheaton), um adolescente que sonha em se tornar um grande escritor, e seus problemáticos amigos Cris Chambers (River Phoenix), Teddy Duchamp (Corey Feldman) e Vern Tessio (Jerry O'Connell).

Logo no início da película vemos um Gordie já adulto (Richard Dreyfuss) lendo em um jornal a notícia do assassinato de Cris Chambers em uma briga de bar. A partir de então ele começa a narrar uma história pessoal que se passa no verão de 1959, na cidade norte-americana de Castle Rock, Oregon, num momento de sua vida em que ele tinha acabado de perder o irmão, se tornando, de repente, filho único. Nessa época, ele tinha apenas 12 anos e junto com seus amigos formava um quarteto inseparável que vivia em busca do que acreditavam que seriam aventuras.

Amigos inseparáveis: Teddy, Vern, Gordie e Cris (da esquerda pra direita)
Seus pais passavam por uma crise devido à perda de seu adorado filho mais velho, Denny Lachance (John Cusack) em um trágico acidente automobilístico. Denny morreu em um momento de ascensão como jogador de futebol americano, quando ele já estava quase se tornando um astro do esporte. Seus pais viviam tristes pela perda e, devido à grande diferença de personalidade entre os irmãos, comparavam-nos o tempo todo, vendo o filho mais novo como um sonhador que tinha amigos problemáticos que não serviam pra nada.

Os amigos se reuniam em uma casa na árvore pra ler quadrinhos, fumar cigarros e falar sobre seus planos mirabolantes, quando Vern (o mais abobalhado do grupo) chega e diz que soube de uma informação que poderia torná-los grandes heróis da pequena cidade em que moravam: a morte de um jovem atropelado por um trem, cujo corpo (“the body”, em inglês) estava em um local de difícil acesso e desconhecido pelas autoridades, que ele acidentalmente acabou descobrindo onde ficava. A partir de então, a meta do grupo seria encontrar o corpo e se tornarem as pessoas mais conhecidas da cidade, inclusive com suas fotos publicadas num jornal local.

O fascínio com as armas faz parte da trama
Os jovens se preparam pra grande aventura regada à conversas sobre a cultura pop da época, cigarros e escalas para manter a segurança do grupo com uma arma de fogo e aos poucos vão descobrindo mais sobre eles mesmos numa jornada acidental de auto-descoberta e percebendo que valores da amizade, companheirismo, são muito mais importantes que ser o grande herói da cidade. Eles até chegam a cumprir sua meta, encontrando o que tanto desejavam, mas naquele momento percebem que este não poderia ser seu grande troféu. Até encontrá-lo, tratavam o jovem como um objeto, algo como um tesouro a ser descoberto, mas no momento em que finalmente o encontraram, após muitas dificuldades, se tornaram adultos, amadurecendo de repente e percebendo o que realmente é importante na vida.

Ace e sua gangue deram trabalho ao quarteto
A trilha sonora do filme é um show à parte com canções da década de 50, inclusive Stand By Me, interpretada por Ben E. King, que posteriormente ganhou versão por Jonh Lennon e também conta com outros nomes conhece Jerry Lee Lewis, entre outros artistas e canções que fizeram sucesso nos anos 50, cuidando de toda a ambientação da história, nos ajudando a mergulhar naquela época de cabeça.

Destaque também para pequena, mas importante participação de um jovem Kiefer "Jack Bauer" Sutherland, como o odiado representante máximo da juventude transviada no filme, Ace Merrill, líder de um gangue que enfrenta o quarteto mais jovem para tomar para si o grande troféu.

Turma da Mônica: Laços
Curiosidade Pop: o filme foi usado como material de referência e grande inspiração pelos irmãos Vitor e Lu Cafaggi para a produção do roteiro da Graphic MSP Turma da Mônica: Laços, tão bem escrita e ilustrada por ambos, narrando uma história da turma da rua do limoeiro em busca do cãozinho do Cebolinha que havia sumido. Em vários momentos quem assistiu ao filme vai lembrar exatamente onde a cena foi inspirada, como a do Ferro Velho. Vale muito a pena conferir ambos, pois o filme está disponível tanto em Blu-ray quanto em DVD  e a HQ, que foi lançada recentemente, tem versões em capa dura e cartonada a preços justos.






sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Covers: Fazer ou não fazer?

A grande maioria dos artistas, principalmente em início de carreira, baseia seu trabalho na realização de Covers, ou seja, tocando canções de outros artistas conhecidos. Faz parte da cartilha do cantor de barzinho conhecer de cor e salteado boa parte do repertório de medalhões da MPB, como Djavan, Zé Ramalho, Caetano Veloso, Gilberto Gil, entre tantos outros. Realmente é uma labuta muito árdua começar já com trabalhos autorais. Não quero aqui criticar esses artistas. Esse é realmente o caminho a se seguir para se tornarem conhecidos e, aos poucos, um passo atrás do outro, começarem a trilhar seu próprio.

A crítica presente neste post é aos artistas já conhecidos que, na hora de escolher uma canção de outro cantor ou banda, nada acrescentam a ela, mantendo o mesmo estilo, arranjos e forma de tocar e cantar. Ou seja, apenas repetindo o que já foi feito da mesma forma que já foi feita antes. Isso sim soa, no mínimo estranho, pra não dizer desnecessário. Um artista conhecido não imprimir nada, nadinha de seu em uma canção que se propõe a mostrar ao seu público, que pode muito bem nem ser o mesmo que gosta do artista “dono” da canção.

Cássia Eller: Um exemplo de como fazer covers de outros artistas
O tempo de Covers ficou pra trás pra eles. Não se pode mais simplesmente “pagar pau” pra outros artistas indiscriminadamente até mesmo em respeito ao público já conquistado e, por extensão, à própria carreira. Os “Titãs” não são a “Legião Urbana” e quem escuta um disco da primeira, não procura escutar o da segunda, pelo menos, não naquele momento. Não quero aqui dizer que um não pode cantar canções de outro. Pode sim, se quiser, mas do seu jeito, não simplesmente reprisando o já foi feito antes. As "palavras" são as mesmas, podem ser ditas de forma diferente.

A saudosa Cássia Eller, pelo menos pra mim, é um parâmetro a ser seguido. Tudo que ela tocava ficava com a sua cara. Era visto sob um novo prisma, como se tivesse sido composto por ela ou, pelo menos para ela. E olha que cantou canções de artistas renomados (alguns até com fãs Xiitas) como Nando Reis, Cazuza e Renato Russo. Todos com seus estilos musicais bem marcantes. Só pra citar um único exemplo de sua desenvoltura: A canção “Por Enquanto” (Lançada em 1984 pela Legião Urbana) cantada por ela em seu Álbum Acústico MTV (2001) tem uma roupagem tão diferente, uma entonação tão nova, arranjos arrojados com base em instrumentos de sopro e cordas inspirados e a anos luz de distância do que foi apresentado pela banda de Renato Russo dentro de um contexto totalmente diferente.

O Guns'N'Roses fez uma ótima versão de Bob Dylan
Outro exemplo bem interessante foi a versão que o Guns’N’Roses fez de “Knocking on Heavens Door”, de Bob Dylan em 1991 no segundo volume de um de seus álbuns mais conhecidos ("Use Your Illusion"). A banda se apropria totalmente da canção, como se fosse sua mesmo, ficando muito diferente da versão de seu autor. Slash fez sua parte dando suporte à canção com um ótimo arranjo, riffs e solos de guitarra que tanto marcaram a banda e Axl Roses com seu vocal esganiçado completou a canção, uma das melhores do repertório da banda.

Sheryl deu sua "cara" à Sweet Child O'Mine

Aproveitando que falei da falecida banda, me veio também à memoria a versão que a cantora e multi-instrumentista Sheryl Crow fez de outra canção bem conhecida da banda de Hard Hock, transformando "Sweet Child O' mine" em uma balada PopRock/Coutry e mais um monte de outras influências que permeiam a carreira da artista, dando-lhe uma configuração totalmente nova e pessoal de muita qualidade.

A intenção desse texto, como tudo mais que é postado aqui na taverna não é definir parâmetros de nada, até porque que nem tenho qualificação para tanto. Apenas gostaria expor um ponto de vista pessoal e abrir espaço pra discussão com você, que é nosso leitor e principal motivo da existência e continuidade deste trabalho, que aos poucos vai ganhando um ritmo mais aceitável.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Mortes e ressurreições nas HQs: Um círculo vicioso

Gwen Stacy: morte marcante e definitiva
A morte nem sempre foi um tema muito recorrente nas Histórias em Quadrinhos (HQs) e, quando acontecia, (na grande maioria das vezes) era pra sempre. O personagem morria e ponto final. Foi assim com o tio Ben, de Peter Parker e também com a Gwen Stacy (Homem-Aranha), o Capitão Marvel (da Marvel) e, durante muito tempo, com a Jean Grey/Fênix (X-Men). 

Nos dias de hoje, principalmente por causa de uma certa morte de um certo personagem icônico da DC Comics lá no ano de 1992 há mortes e ressurreições num ritmo que, sinceramente, vem se tornando monótono ao longo do tempo e contribuindo negativamente para a qualidade do que vem sendo publicado (principalmente no mainstream) em forma de arte sequencial, conhecida carinhosamente como Nona Arte.




Primeira grande morte com retorno
A morte que pôs fim às mortes
Devido a quedas cada vez maiores nas vendas das revistas mensais do Superman, editores e o pessoal do  Merchandising da DC Comics (editora norte-americana que publica o personagem) resolveram solucionar o problema dando uma guinada total nas histórias do herói, colocando-o novamente no centro das atenções dos leitores e também de toda mídia impressa e também audiovisual. O que foi feito? Mataram o cara. E o responsável por tal feito? Um personagem que foi criado especificamente para isso: Apocalypse.

Não quero aqui dizer que a história foi péssima. Além de se tratar de uma trama razoavelmente interessante que foi prendendo a atenção enquanto rolava (no Brasil foi publicada originalmente pela Editora Abril em um encadernado em formatinho, menor que o americano), conseguiu atingir sua principal meta: ressuscitar as vendas das revistas do personagem, que já beiravam ao cancelamento e, de quebra, ainda inseriu novos personagens que originaram novas revistas a partir da fase posterior à morte do personagem. Aí foi que tudo começou a degringolar de vez.

A Marvel já matou até o Capitão América
Praticamente todo ano as duas principais editoras do mercado estadunidense (Marvel e DC) passaram a cria história com mortes de seus principais personagens como soluções fáceis para alavancar as vendas das revistas. Com isso passaram a perder as histórias, que na maioria das vezes foram ficando cada vez mais rasas ao ponto de hoje o tiro praticamente sair pela culatra, já que a morte é tão lugar comum e previsível que no ano seguinte vai ser feita uma nova campanha midiática marcando o retorno do personagem à vida.

Já mataram o Ciclope, Colossus e novamente e de novo a Jean Grey e já tão prometendo matar o Wolverine (todos dos X-Men) no ano que vem, o Batman, o Capitão América, o Visão (Vingadores) entre vários outros personagens. Alguns com histórias melhores, outros bem fracas mesmo. O preocupante disso é que nem se reflete mais sobre que se pode fazer de realmente bom para alavancar as vendas das HQs. Estão ruins? Mata o personagem que tudo vai melhorar! 

Com isso perdem os leitores, os artistas, que acabam ficando limitados a decisões editoriais que cerceiam suas imaginações, que poderiam lançar histórias bem mais interessantes, seguindo outros plots, fruto de suas próprias reflexões acerca dos personagens com que estão trabalhando. Perde também a própria mídia, como um todo que se torna previsível, num círculo vicioso e ao longo do tempo vai tornando-se desinteressante por esse motivo. Acaba-se investindo em eventos bombásticos que nada de realmente sólido acrescentam às histórias, pois, em breve, tudo volta ao status quo anterior.


Ótima edição de abertura da fase
de Grant Morrison nos X-Men
O que fazer?
Lá pelos anos 80 surgiram nas HQs autores que realmente ousaram, mesmo não sendo grandes “assassinos /ressussitadores" de personagens. Alan Moore ("Watchmen", "V de Vingança", "Monstro do Pântano"), Neil Gaiman ("Sandman", "Orquídea Negra", "Livros da Magia") e Grant Morrison ("Homem-Animal", "Os Invisíveis", "Novos X-Men", "Superman: Grandes Astros") foram os três primeiros grandes nomes do que futuramente se tornou o selo Vertigo (linha adulta de HQs da DC Comics). 

Dessas mentes surgiram histórias realmente geniais, não apenas com suas criações, mas também com personagens icônicos tanto da Marvel quanto da DC. Só pra citar coisas mais recentes, como esquecer “O que aconteceu com o Cavaleiro das Trevas”, réquiem inspirado e homenagem de Neil Gaiman fez ao Batman em apenas duas edições das HQs mensais do Homem-Morcego, ou mesmo a controversa e marcante fase que os X-Men atravessaram pelas mãos de Grant Morrison no início dos anos 2000 que gera reflexos até os dias de hoje nas revistas mutantes. Alan Moore, por sua vez, deixou de lado as grandes editoras mas tem contribuído muito para melhorar a qualidade geral do que vem sendo impresso, que o diga sua "Liga Extraordinária", formada por personagens da literatura clássica sob o ponto de vista do autor recluso.

Nem precisa ser um grande cânone como os supracitados pra fazer histórias que ao menos garantem um bom entretenimento sem ter que matar e ressuscitar personagens anualmente. Joss Whedon teve uma ótima fase à frente dos “Surpreendentes X-Men”. Brian Azarello e sua história criminal "100 balas" nos proporcionou uma viagem ao submundo da máfia norte-americana com passagem só de ida. Brian K. Vaugan é um dos mais criativos autores da nova geração, com as inovadoras e já concluídas “Ex-Machina” e “Y: O Último Homem”, ou mesmo a edição especial “Leões de Bagdá”, uma fábula atual sobre a guerra no Iraque. Jason Aaron, apesar de ser uma inconstância maior que os demais na qualidade de suas histórias, nos presenteou com "Escalpo", uma história que mostra a degradação da cultura indígena no cenário atual, recheada com balas, drogas e sexo, sem poupar o leitor de nenhum detalhe obscuro.

Leões de Bagdá: Uma outro olhar sobre a guerra no Iraque
Boas histórias não precisam ser cerceadas. Basta apenas deixar os artistas fazerem o que nasceram pra fazer que daí, mesmo sem forçar muito a barra, podem sair verdadeiras pérolas que ficarão marcadas para sempre. Nem sempre é preciso brincar com um tema tão sério e definitivo para se contar uma história de entretenimento de forma eficiente e satisfatória, agradando leitores e gerando lucros às editoras. Pode ser um caminho um pouco mais complicado, mas com isso todos ganham.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Desvendando os clássicos do Rock (nunca é tarde demais)

Há muitos anos curto o Rock’Roll como estilo musical, principalmente o nacional, que, a bem da verdade, hoje sei que tem muito mais cara de PopRock. Sempre tive um pouco de preconceito às avessas com relação a esse estilo de música, pois não tinha a mente aberta às bandas seminais e enxergava as bandas nacionais que tanto gostava (sobretudo a Legião Urbana e os Engenheiros do Hawaii) como um processo a parte, totalmente diferente e isolado do que acontecia lá fora. Ledo engano.

Há algum tempo, finalmente me propus a ouvir algumas canções da banda inglesa Led Zeppelin, que, até então, só conhecia de nome. Ouvi o primeiro disco em um arquivo .mp3 que me foi passado por um amigo e, de cara, gostei muito daquela forma de expressão. Os caras faziam um som tão visceral e ao mesmo tempo tão moderno, ousado e elaborado, completo. Tudo isso ainda no finalzinho dos anos 60, início dos 70! Tudo bem que era uma época e país (guerra fria e o movimento Hippie, por exemplo) que muito contribuíram para que os sentimentos aflorassem gerando campo fértil para seu surgimento.

Formação original do Led Zeppelin
Aos poucos fui buscando os outros álbuns na intenção de conhecer melhor aquela banda que foi tão importante para a evolução do rock, entrando por várias outras vertentes musicais, como o blues, reggae, folk, jazz, entre outros, variando suas canções entre mais acústicas (algumas beirando o bucolismo de um cenário descrito por J.R.R. Talkien (autor de "O Senhor dos Anéis") em seus livros, que também exerce forte influência sobre “clima” da banda) ou mais pesadas, com vocais muitas vezes raivosos de Robert Plant. Tudo na dose exata, entre flautas, gaitas, violões de 6 e 12 cordas e guitarras distorcidas.

Só pra citar algumas das mais “carimbadas”, temos “Moby Dick”, com sua grudenta linha de guitarra distorcida, nas cordas graves, ou a introdução da controversa “Stairway to Heaven” (que muitos dizem ter uma letra repleta de mensagens subliminares), com seu lindo dedilhado executado por Jimy Page e cobiçado por todos que um dia na vida quiseram tocar violão. Não poderia aqui deixar de citar “Dy’er Mak’er”, com sua pegada reggae, quando esse estilo musical praticamente ainda nem existia (pelo menos, não fora da Jamaica) e também a cinematográfica “Kashmir”, com uma virada instrumental na introdução de tirar o fôlego até mesmo de quem não gosta de Rock e já, meio que plantando sementes pra o futuro da música, com pegadas que sugerem o que hoje se chama música eletrônica. 

O Black Sabbath: Raízes do Heavy Metal
Depois dessa, veio pra mim a, também britânica, Black Sabbath, com um som mais pesado e com um visual e letras que remetiam a histórias de terror, tão presentes em livros e filmes que já faziam sucesso nos anos 60 e permeavam e ainda permeiam a imaginação das pessoas. Com eles percebi uma ousadia diferente. Um som mais pesado mesmo. Guitarras distorcidas são a tônica. Um vocal agressivo, gritado, quase gutural de Ozzy Osborne. Riffs de guitarra inesquecíveis por Tony Iommi, como os de “Iron Man” ou “Paranoid” e também "N.I.B", ambos, praticamente sobrenaturais. Vale destacar a ótima, triste e diferente "Changes", tocada ao piano e com arranjos orquestrais (uma exceção)  Essas duas primeiras bandas podem ser consideradas as responsáveis pelo nascimento do Heavy Metal.

A banda australiana AC/DC
A última que tive acesso e, até agora, apenas um disco (infelizmente, mas contornável), mas que me deixou perplexo é AC/DC. Uma banda seminal do que hoje se entende por HardRock. Praticamente a mãe do Guns N’Roses. Não tem como ouvir Welcome to the Jungle sem entrar de cabeça também no mundo do AC/DC (pelo menos, quem já ouviu alguma coisa dos caras). “Highway to Hell”, com seu riff mais que clássico. “Girls got Rhythm” é outra, presente neste mesmo álbum, que é um show à parte. Outra, muito “foda”, porém de outro álbum é a “Back to Black”, também lembrada com uma das melhores da banda. Os riffs iniciais da canção tocados na guitarra por Angus Young

A convergência
Após essa breve iniciação principalmente com essas, mas também com outras bandas, fui ouvir novamente minhas queridas representantes nacionais do Rock e nunca mais as vi com os mesmos olhos. Vi várias formas de influência dessas e de outras bandas. Só pra dar um exemplo, lá no meio de um disco da fase madura da Legião Urbana (V), tem uma canção chamada “Metal Contra as Nuvens”. Quem já ouviu “Stairway to Heaven” (Led Zeppelin) ao menos uma vez e tem o mínimo de senso musical, deve perceber a proximidade musical que há entre as duas, tanto letra quanto música parecem dialogar uma com a outra em muitos momentos. Conhecer o Led Zeppelin só fez enriquecer a experiência musical de uma música que eu já gostava tanto.

Assim como essa, há outras que não vou expor aqui por falta de espaço e também porque, infelizmente, me fogem à lembrança. Aproveito a deixa pra dizer que em breve farei uma espécie de resenha de alguns dos discos aqui citados para que você também possa deixar seu comentário sobre eles. Aliás, se quiser, pode deixar nesse texto mesmo suas críticas (construtivas sempre, por favor), sugestões ou, quem sabe, ideias para novos textos.